Tribuna Livre: Enquanto houver espaço

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Por Paulo Guilherme Horn, jornalista do Linha Viva de 2011 a 2021

Quando entrei na Celesc em 2006, minha perspectiva de vida era terminar a faculdade que eu iniciara no ano anterior e, após formado, buscar um emprego na área. Nunca imaginei que, 15 anos depois, estaria escrevendo um texto sobre o fim de um longo período onde, não só permaneci na Celesc, mas também pude exercer minha profissão e aprender tanto.

Em 2009, recém-formado em Jornalismo, um companheiro de trabalho no SPTC de Joinville me disse que o sindicato precisava de um jornalista para seus informativos. Ele me levou para conversar com um dos dirigentes sindicais liberados, o companheiro Dirceu Simas e, em pouco tempo, eu já estava escrevendo o jornal Contato, do Sindicato dos Eletricitários do Norte de Santa Catarina e o Boletim do Conselheiro, que à época era o companheiro Jair Maurino Fonseca.

A partir desta data eu comecei a acompanhar de perto o trabalho dos sindicatos da Intercel. Participei de reuniões, assembleias, paralisações e até da invasão da reunião do Conselho de Administração, em 2009, para impedir a privatização da Celesc no golpe do Novo Mercado. O tempo todo, registrava em palavras e imagens a luta dos celesquianos.

Nessa proximidade, acabei entrando para a Diretoria do Sindinorte em 2011 e, poucos meses depois, passei a ser um dos 19 dirigentes sindicais liberados da época, com a responsabilidade de ser o Jornalista do Linha Viva.

Além de receber o Linha Viva todas as quintas-feiras, desde minha entrada na Celesc, eu conhecia o jornal por conta de alguns dos jornalistas que nele trabalharam. Gastão Cassel, Jaques Mick, Samuel Lima e Frank Maia foram meus professores no curso de Jornalismo e contribuíram com textos e charges para a história do jornal dos trabalhadores eletricitários, criado em 1988.

Assumi o Linha Viva como jornalista responsável na edição 1101. Não foram poucas as vezes em que escrevi o Linha Viva na estrada. Fechei o jornal na sala de espera do gabinete do Governador do Estado. Representei os sindicatos da Intercel em audiências públicas e, saindo da mesa, corri para escrever a matéria para cumprir com o prazo de fechamento da edição.

Participei das negociações de inúmeros Acordos Coletivos, negociando em mesa ao mesmo tempo que diagramava, tirava foto e escrevia a matéria que seria lida pelos trabalhadores no dia seguinte. Escrevi o Linha Viva nos portões da empresa, durante 10 dias de greve, em 2016. O Linha Viva me proporcionou conhecer melhor a Celesc.

Percorri todas as Agências Regionais e vários escritórios ao lado dos companheiros da Intercel, produzindo um grande diagnóstico da realidade do dia a dia de trabalho dos celesquianos.

Deixei o Linha Viva na última quinta-feira, na edição 1511. Passaram-se 10 anos desde a primeira vez que fechei o jornal, em uma salinha do Sinergia acompanhado pelos companheiros Mario Jorge Maia e Leandro Nunes da Silva, que me passaram a lógica da linguagem do trabalhador e a forma de escrever para a categoria.

Nesse tempo que, apesar de registrado na memória e nas páginas dos jornais, eu mal vi passar, muita gente me ajudou, contribuiu e fez com que o Linha Viva continue a ser o jornal sindical mais longevo do Brasil.

Agradeço, em especial, Marli Cristina Scomazon, jornalista do Sinergia durante anos e mãe do Linha Viva e aos companheiros Wanderlei Lenartowicz, Jair Maurino Fonseca, Dino Gilioli, Mario Jorge Maia e Patrícia Mendes pelo suporte nestes anos. Muita gente leu, criticou, sugeriu e apoiou essa jornada.

Aos meus companheiros da Intercel, aos meus companheiros de Sindinorte, muito obrigado. Um agradecimento especial a todos os trabalhadores que, nas percorridas de base, demonstravam o interesse pelas informações que o Linha Viva trazia. Ao companheiro Leonardo Contin da Costa, que assume o Linha Viva a partir desta edição, boa sorte e bom trabalho.

Se agora deixo o jornal, espero que este texto inicie uma nova trajetória. Enquanto houver espaço, pretendo contribuir com o Linha Viva e com o registro necessário da luta dos eletricitários do Sul do Brasil.

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