Mobilização: falta de avanços nas negociações e silêncio do Governo levam categoria ao enfrentamento

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Nesta quinta-feira, dia 29, os sindicatos interromperam a Caravana da Intercel para negociar com a Diretoria da Celesc a Participação nos Lucros e Resultados 2021. Conforme noticiado na edição 163, a primeira rodada de negociação da contraproposta apresentada pela Intercel para a PLR dos trabalhadores foi um desastre.

Negando avanços, atacando direitos históricos e insistindo em não reconhecer o papel fundamental de todos os trabalhadores na obtenção de resultados e produção do lucro para privilegiar poucos com uma distribuição desigual, a Diretoria demonstrava que, na prática, a promessa de avanços era só um discurso do Presidente da Celesc para enrolar a categoria. A segunda rodada de negociação demonstrou que apenas a mobilização dos trabalhadores mudará a lógica.

Novamente, a Diretoria apresentou um pacote de maldades, insistindo em não reajustar a PLR pelo INPC e negando a inclusão da parcela adicional do lucro, com ataques à parcela base, direito histórico da categoria. Além disso, a Diretoria desrespeita os trabalhadores ao insistir em não aplicar a distribuição 100% linear da PLR. Distribuir a PLR de forma igualitária não tem custos financeiros para a empresa.

Só um custo político: reconhecer que, independente do cargo, todos são importantes para os resultados da empresa acabaria com a visão elitista e privatista que essa diretoria defende. No final, a proposta da Diretoria da empresa não traz nenhum avanço da PLR do último ano. Além de não reajustar os valores pelo índice mais aderente à realidade remuneratória dos empregados da Celesc, a Diretoria negou todas as propostas da Intercel. Infelizmente, a postura da Diretoria na negociação da Participação nos Lucros aponta para um futuro de embates.

Os retrocessos apresentados na PLR 2021 não são o único problema que antecede as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2021/22. Como os dirigentes sindicais tem falado aos trabalhadores na Caravana da Intercel, a categoria tem demandas urgentes que precisam ser debatidas e deliberadas antes do ACT, para que não sejam utilizadas como moeda de troca com os direitos do Acordo.

Demanda mais urgente e que mais mobilizou os trabalhadores neste ano, o Ajuste do Salário Inicial permanece sem um norte. Após a conclusão do GT que construiu uma proposta de consenso, a Diretoria vem protelando o debate. Mesmo tendo afirmado que o assunto deveria ser resolvido antes da data-base, a Diretoria ignorou as reivindicações da Intercel para início da negociação e, na reunião desta quinta-feira, aventou a possibilidade de realizar uma reunião às vésperas da Assembleia Estadual.

Com um tempo curto diante da data-base e com a certeza de que a proposta é viável e precisa ser aplicada na íntegra, recompondo o salário dos trabalhadores e reconhecendo seu esforço para alcançar as metas de concessão. Quando o Presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, articulou a dança das cadeiras que levou à EDP à Diretoria de Gestão, pedindo um voto de confiança dos sindicatos e dos trabalhadores, a Intercel alertou que a confiança só viria com ações efetivas de reconhecimento da categoria, uma vez que o Presidente passara a ser o responsável por todas as negociações.

Entretanto, a falta de disposição à negociação, as propostas rebaixadas e o silêncio da Diretoria e do Governo do Estado diante dos ataques privatistas da EDP acendem o alerta: quem é que manda na gestão da empresa? Ao término da rodada de negociação os sindicatos deixaram claro para a Diretoria que os trabalhadores não aceitarão discursos vazios. De nada adianta o Presidente da Empresa correr para divulgar vídeo parabenizando os trabalhadores pelo resultado do Prêmio Aneel de Qualidade 2020 (onde a Celesc foi a terceira melhor distribuidora de energia do país na avaliação dos consumidores), quando no momento de reconhecer e valorizar a categoria apresenta ataques e retrocessos.

A proposta oficial da Diretoria para PLR 2021 e Ajuste do Salário Inicial deverá ser formalizada aos sindicatos e debatida na Assembleia Estadual, que será realizada de forma virtual no dia 07 de agosto. Sem avanços significativos, os trabalhadores da Celesc irão para o enfrentamento, paralisando as atividades em defesa de seus direitos.

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