A taxação do Sol

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Por Eduardo Classem Back, coordenador do Sinergia

Nos últimos dias vocês devem ter visto notícias sobre “o absurdo” de quererem taxar a energia do sol. Que é inconcebível taxar a energia renovável. Na verdade a questão da energia solar não é bem assim. Essa campanha, que infelizmente traz uma carga de desinformação muito grande, tem por trás um lobby fortíssimo de grupos de investimento na área.

Pode se discutir o percentual, mas a taxação tem lógica sim, que aliás não é sobre toda a energia gerada, mas apenas sobre o que excede o consumo próprio. O que acontece: essa energia excedente é jogada para dentro do sistema elétrico, e a pessoa fica com créditos junto a distribuidora. Se ele gastou 100 e produziu 130, fica com 30 de crédito. O que se quer taxar é esse crédito.

E qual a justificativa da taxa?

Acontece que às vezes se gera menos do que consome, e aí ele precisa a energia do sistema “normal”. Só que esse sistema normal tem que estar ali disponível para quando ele precisar de energia, 24h/dia, 7 dias/semana, e isso tem um custo. Além disso, quando gera mais do que consome, o sistema tem que estar ali também, disponível, bonitinho, para receber a energia dele.

A taxação proposta, então, é para ajudar a arcar com estes custos. Pois hoje, essa conta é rateada somente junto aos consumidores normais, ou seja, na prática quem não tem energia solar subsidia parte da energia de quem tem sistema solar.

O que eles não dizem é que se a pessoa quer ter sua energia totalmente suprida pelo sistema fotovoltaico, pode fazer isso sem qualquer taxação, mas pra isso tem que estar desconectado do sistema elétrico. Mas aí, pra fazer isso, eles tem que investir pequenas fortunas em sistemas de baterias, para armazenar o excedente, o que hoje eles têm de graça através do sistema de créditos junto a distribuidora. Entendeu a jogada?

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