Tribuna Livre: Você é preconceituoso?

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Por Simone Consuelo Regis, trabalhadora da Celesc e Representante de Base do Sinergia eleita pela categoria

A princípio, a pergunta do título pode parecer ofensiva e com certeza nossa primeira reação diante de tal questionamento é uma resposta recheada de um sonoro “Nãããooo”! Entretanto, o caminho para construir uma sincera resposta para tal pergunta passa pela desconstrução do nosso conceito acerca do que seja preconceito.

Lançando um olhar mais minucioso sobre a própria palavra ‘preconceito’, podemos dividi-la didaticamente em duas partes: pré e conceito. Pré significa algo anterior, primordial, que ocorreu primeiro e conceito, segundo a definição do dicionário da língua portuguesa, significa “modo de pensar, de julgar; ponto de vista”. Logo, preconceito é um conceito sobre algo ou alguém que foi formado previamente à vivência de determinada situação.

Por uma questão instintiva, o ser humano avalia tudo o que vive, renovando seus conhecimentos e gerando um novo “banco de dados” que possa embasar suas ações em futuras situações análogas a fim de correr o menor risco possível e garantindo sua sobrevivência.

Neste sentido, podemos alegar que a humanidade é instintivamente preconceituosa, então “SIM”! Todos somos em alguma medida preconceituosos e seria ingenuidade de nossa parte acreditar no contrário.

Porém, se por um lado o ser humano é extintivo por ser animal, também podemos alegar sem medo de errar que se destaca por sua natureza racional. Justamente por se tratar de um ser dotado de consciência, nos cabe admitir nossos preconceitos e avaliar se aquele conceito prévio que temos a respeito de uma pessoa, grupo de pessoas, lugar ou situação ainda é cabível e necessário para nossa sobrevivência enquanto indivíduo e enquanto espécie.

Em algum momento da minha trajetória, formei um conceito prévio sobre uma rua do meu bairro por, seja por que vivi uma experiência negativa naquele lugar ou porque meu avô assim o vivenciou e ensinou para sua descendência que aquela rua é perigosa. Entretanto, já se passaram muitos anos e sem saber direito porque continuo evitando aquela rua em meu trajeto.

O poder público fez investimentos naquele local, os frequentadores habituais daquela rua já não passam por lá e já não existe motivo para que eu a evite. Por que não repensar meu conceito sobre aquela rua? Por que não recalcular meu trajeto? Convido você, meu querido leitor, a repensar sua trajetória também!

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