Tribuna Livre: Exoneração

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Por Jairo Antônio da Silva, trabalhador da Celesc de Concórdia

Bom dia para todos. Gostaria de começar essa mensagem demonstrando a minha ligação com a Celesc, que transcende o vínculo que firmei quando assinei o meu contrato de trabalho em 1988. Meu falecido pai, João Baptista da Silva, também foi trabalhador dessa empresa. Por essas coincidências que a vida nos proporciona, meu pai foi admitido na Celesc no mesmo ano em que nasci, lá para os idos de 1966.

Cresci convivendo com a agenda de trabalho do meu pai e, desde pequeno, sabia que queria seguir os seus passos. Tive o privilégio de passar em três concursos na empresa, e dar continuidade à história do meu pai, orgulhoso do que conquistei e vivenciei até aqui. Em 2018, depois de completar três décadas de dedicação à Celesc, fui convidado pelo ex-presidente Cleverson Siewert para assumir a gerência da Agência Regional de Concórdia.

Foi um momento muito especial, o reconhecimento de todo o trabalho que realizei ao longo da minha jornada na empresa e um estimulo para continuar trabalhando ainda mais, em prol da empresa, dos empregados e da sociedade catarinense.

No começo de 2019, como consequência das mudanças no cenário político estadual e a eleição do Comodante Moisés para o governo de Santa Catarina, o então presidente Cleverson Siewert saiu da empresa, dando início a um processo de reformulação na Diretoria e no Conselho de Administração da Celesc, com destaque para a indicação do novo presidente da companhia.

Egresso da iniciativa privada e sem experiencia como executivo no setor elétrico do país, o novo presidente decidiu em um curtíssimo espaço de tempo (60 dias) promover uma profunda reestruturação na organização do trabalho nas 16 Agências Regionais da empresa, modificando uma estrutura vigente durante décadas. Em linhas gerais, a Agência de Concórdia deixará de ser, de fato, uma “Agência”.

Passará a ser uma unidade operacional subordinada à Chapecó, perdendo a autonomia na tomada de decisões à região e deixando de contar com os caminhos atuais para dialogar com a Administração Central da empresa, trazendo prováveis prejuízos ao atendimento da sociedade. Ademais, Concórdia deixará de contar com as divisões técnicas e administrativa/comercial, passando a necessitar de orientação da Agência de Chapecó para o exercício dessas funções.

Considerando que esse processo de reestruturação não foi construído dialogando com os gerentes regionais (fomos apresentados ao projeto depois de pronto, o dito “prato feito”), tão pouco com a sociedade civil e seus legítimos representantes (prefeitos, vereadores e deputados) me senti compelido a dialogar com o novo presidente, ressalvando os aspectos abordados nessa mensagem, dentre outros, cumprindo com a minha obrigação de gerente regional da Celesc.

Considerei que o contraditório seria importante nesse processo, e que minha experiencia de 30 anos de Celesc poderia contribuir com uma análise mais profunda e serena do tema. Imaginei que poderíamos abrir efetivamente o debate sobre essa reestruturação com todos os interessados, para que o resultado desse processo fosse o mais adequado à empresa, empregados e sociedade.

Infelizmente, o contraditório não foi bem recebido pelo novo presidente da Celesc, que parece preferir dialogar somente com quem concorda com as suas ações, mesmo equivocadas, como o caso em questão. Dessa forma, infelizmente, coloquei meu cargo à disposição, solicitando a minha exoneração do cargo de gerente da Agência Regional de Concórdia. Continuarei trabalhando em prol da empresa que amo, fazendo o melhor que posso, mas convicto de não compactuar com aquilo que verdadeiramente não concordo, porque no final das contas o mais importante é a manutenção da Celesc Pública, patrimônio dos catarinenses.

“Imaginei que poderíamos abrir efetivamente o debate sobre essa reestruturação com todos os interessados, para que o resultado desse processo fosse o mais adequado à empresa, empregados e sociedade. Infelizmente, o contraditório não foi bem recebido pelo novo presidente da Celesc, que parece preferir dialogar somente com quem concorda com as suas ações, mesmo equivocadas, como o caso em questão”

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