Tribuna Livre: 35 anos Operadores Turma 1987

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Por Nelso Müller, Advogado, Técnico em Eletrotécnica. Foi Operador na SE Campos Novos, Secretário Geral, Assessor da Diretoria Administrativa, Diretor Superintendente da Fundação ELOS e atualmente trabalha na área de regulação da CGT Eletrosul

Neste dia 16 de março de 2022 um grupo de Operadores comemora 35 anos de carreira na Eletrosul. No início éramos em 50 colegas admitidos na Operação de Usinas e subestações da Eletrosul. Nestes anos que se passaram, alguns seguiram outros caminhos, uns 15 ficaram na Gerasul (Atual Engie) e os demais seguiram na Eletrosul. Alguns já encerraram carreira e curtem sua aposentadoria. Seguimos em frente junto com vários colegas, em diversas áreas da empresa.

Nestes 35 anos vivemos muitas experiências. Algumas tristes, outras alegres e muitos aprendizados que nos fizeram crescer pessoal e profissionalmente. No meu caso só posso ser grato a todos e todas com quem compartilhei experiências e aprendizado. Após 18 anos trabalhando na Operação (SE Campos Novos), fui convidado pelo ex-presidente Milton Mendes para trabalhar na sua assessoria na Sede da empresa onde continuo até hoje, no DRP/DRCO, após retornar de um período de 3 anos na função de Diretor Superintendente da Fundação ELOS.

Nestes 35 anos passamos por muitas dificuldades e momentos de superação. Nossa empresa sobreviveu a um “esquartejamento/sucateamento” e ressurgiu das cinzas para voltar às atividades de geração. Muitos colegas, ao falar da empresa, ressaltam que ela só resiste graças à capacidade técnica e dedicação de seu quadro funcional. Só que não! Estou convencido que ao longo dessa história nossa empresa só sobreviveu graças à orientação de Governo! Isso mesmo!

Fomos vitimados por uma série de ações governamentais que muito prejudicaram a empresa, inclusive com a privatização a preços vis de seu parque gerador em 1997/98. Vivemos novamente sob a ameaça privatista e não se pode atribuir somente ao atual governo a situação que nos deparamos. Há muitos anos, governos de orientação neoliberal laboram no sentido de sucateamento e privatização das estatais sob vários argumentos, dentre eles, que as estatais geram prejuízos para o país. Ora, todos sabem que o atual setor elétrico foi construído pelas estatais e os principais quadros técnicos que ainda comanda estatais e muitas privadas, foram formados nas empresas estatais.

Mas minha preocupação hoje se volta para o futuro dos aposentados de hoje e os de amanhã, dentre os quais me incluo. Neste parágrafo importa refletir sobre as ameaças que pairam sobre nossas cabeças com as recentes decisões de empresas privatizadas de retirar o patrocínio dos “Fundos de Pensão”. A julgar pela visão do atual Ministro da Economia, o dinheiro da Previdência Complementar passará a ser administrado pelos bancos. Com a ameaça de Privatização da Eletrobras levada a efeito, esta pode ser mais uma medida de economia e enxugamento para dar mais dividendos aos futuros acionistas.

Mas o alerta que vem sendo dado de continuidade do processo de retirada de direitos e degradação das condições de trabalho deverá se acentuar ainda mais com a eventual Capitalização/privatização da Eletrobras. Já não é segredo pra ninguém que o corte nos salários e enxugamento dos quadros é o principal vetor de redução de custos que os “iluminados” vislumbram!

Enquanto isso, a ANEEL exerce seu papel regulando “pelo menor custo”, sem se dar conta da precarização das instalações e o arrocho que são submetidos os trabalhadores, com drástica retirada de direitos e precarização das condições de trabalho. Mas escrevo essas breves reflexões para manifestar minha gratidão aos colegas com quem convivi e compartilhei esses 35 anos sem contudo me omitir de lançar breves considerações sobre as preocupações que nos tiram o sono nestes últimos anos. Parabéns, Colegas de turma de Operação de 1987!

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