Tragédia após tragédia, governo mantém intenção de privatizar tudo

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A relação entre privatização e morte é inevitável. Salta aos olhos até de quem não quer ver. Mas, mesmo assim, existem aqueles que fazem o coro do mercado para deslegitimar o óbvio. Alexandre Schwartzman, colunista da Folha de S.Paulo fala em “interesses políticos escusos” de quem faz a relação. “A começar porque não há nenhum nexo de causa e efeito entre a natureza da empresa (privada ou estatal) e o comportamento que leva a catástrofes como a de Brumadinho”, escreve em sua coluna.

Ora, se pensarmos que enquanto era pública a Vale não esteve envolvida em nenhum desastra ambiental, a relação está mais do que clara. Mas, como a intenção é sempre culpar os agentes públicos, Schwartzman ainda diz que a responsabilidade pelo ocorrido não se limita à Vale. “A empresa opera sob regulação e fiscalização de várias instâncias governamentais”, justifica. Ou seja, a culpa nunca é do mercado. Advogado da mineradora, Sérgio Bermudes declarou que “A Vale não enxerga razões determinantes de sua responsabilidade”, afirmando que a diretoria da empresa não seria afastada em hipótese alguma. Apesar da fala ter sido contestada pela própria Vale em nota à colunista Mônica Bergamo, nada traduz tão bem a lógica do mercado. Privatizamos os lucros, socializamos os prejuízos e, no fim, matamos o povo.

Infelizmente, o mercado e seus agentes agem rápido. Não é possível trazer de volta à vida as vítimas da privatização. Mas o Governo correu e, com uma só declaração, fez as ações da própria Vale e as operações da Bolsa de Valores, subirem. O secretário de Desestatização e Desinvestimentos do Governo Federal, Salim Mattar, afirmou nesta terça-feira (29) que apenas a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal deverão ser preservadas como empresas estatais. Sobre o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), o secretário lamentou o desastre e disse que a Vale não fez mal a ninguém, e sim as pessoas. “A companhia não fez mal a ninguém, o CNPJ não fez mal a ninguém”, disse.

Imaginem agora um país sem empresas estratégicas. Imaginem a gestão da exploração do petróleo, das hidrelétricas nas mãos daqueles que buscam lucro e pedem a flexibilização das licenças, a flexibilização das leis ambientais, a retirada de direitos dos trabalhadores em busca de “produtividade”. Esse é o retrato do Brasil Privatizado. Celso Furtado, Ministro de Planejamento Econômico de João Goulart, disse em palestra na década de 50: Nunca estivemos tão distante do Brasil com que um dia sonhamos”. E parece que ele disse isso hoje.

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