Desastre em Brumadinho: privatização e morte

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Tragédia deixa rastro de destruição e morte enquanto mercado se preocupa com dinheiro

Desde os primeiros momentos da tragédia em Brumadinho, quando uma barragem da Mineradora Vale rompeu despejando toneladas de rejeito de minério sobre a cidade mineira, ficou claro que a preocupação é com o dinheiro e não com as pessoas. Esse é o preço real da privatização.

A Companhia Vale do Rio Doce era uma estatal, criada por Juscelino Subschek na década de 50. Passou por todo o processo de destruição de imagem e de justificativa para que fosse entregue à iniciativa privada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso. O processo de privatização da empresa – e de tantos outros patrimônios públicos – no governo FHC seguiu uma cartilha perversa onde o governo perdeu seu patrimônio, o capital ficou com os lucros e o Governo pagou a conta.

No livro “O Brasil Privatizado”, de Aloysio Biondi, a trama é desnudada: “assim é a privatização brasileira: o governo financia a compra no leilão, vende moedas podres a longo prazo e ainda financia os investimentos que os compradores precisam fazer”. Foi desta forma que a empresa, avaliada em 93 bilhões à época, foi doada por 3,3 bilhões.

Na campanha para convencer a população, foram criadas as “Golden Shares” ações de classe especial presentes em empresas estatais ou de capital misto. Tais papéis pertencem ao Estado, que garante com eles direitos especiais de caráter estratégico, como o ‘poder de veto’ de algumas decisões. O que continha a Golden Share da Vale?  De acordo com Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do BNDES na época, uma farsa: “a Golden Share da Vale é: não pode sair a sede do Rio, não pode mudar de nome. Quer dizer não tinha nada de relevante”.

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