Presidente do Conselho da EDP diz que empresa está focada na privatização da Celesc

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Recentemente nomeado presidente do Conselho de Administração da EDP, em Portugal, Miguel Setas, ex-CEO da EDP Brasil, afirmou que o foco da empresa é a privatização da Celesc. Em entrevista coletiva sobre os resultados da EDP em 2020, Setas afirmou: “em distribuição a nossa prioridade está sobre a Celesc, temos 30% do capital de lá e gostamos do contexto de sua área de concessão e potencial de crescimento. Em Santa Catarina são 3 milhões de consumidores e se participar de uma privatização dobra a nossa escala em distribuição no Brasil”.

A declaração do executivo não foi a primeira sobre a privatização da estatal. Em 2017, quando a EDP realizou a compra das ações da Previ, Setas já indicava a intenção de comprar a Celesc. Segundo o executivo, a motivação de investir na empresa não se baseou unicamente em critérios técnicos e econômicos, mas em uma aposta de que a Celesc seria privatizada: “Dá oportunidade para o futuro em uma eventual reestruturação societária”, afirmou, à época, em conferência para analistas de mercado.

Em 2019, quando a EDP aumentou sua participação na empresa, Setas também classificou que a privatização da Celesc “oferece e um mercado de alto valor” para a EDP. Desde o início da participação da EDP na Celesc os sindicatos da Intercel tem alertado os trabalhadores sobre os riscos da privatização da empresa.

Em um mercado onde mais de 90% das distribuidoras de energia elétrica são privadas, a Celesc aparece como exemplo de empresa pública que mantém um papel social e atende a população com qualidade. Não por acaso, a declaração de Setas aparece após a confirmação de que a Celesc conseguiu atingir todas as metas da prorrogação da concessão, ou seja, que a estatal é eficiente e atrativa aos olhos dos especuladores do mercado.

A declaração também demonstra que os trabalhadores terão que se mobilizar para garantir que os esforços coletivos não sejam privatizados pelo Governo Estadual, uma vez que Carlos Moisés já declarou apenas “esperar o momento certo” para privatizar a Celesc (conforme divulgado no Boletim da Intercel nº 90, de 08 de Dezembro de 2019).

Neste contexto, é fundamental que os trabalhadores continuem unidos aos sindicatos da Intercel para o enfrentamento e que mantenham representando os trabalhadores no Conselho de Administração, companheiros com histórico de luta intransigente na defesa da empresa pública e com capacidade de mobilização da categoria para o enfrentamento.

Desde o início da participação da EDP na Celesc os sindicatos da Intercel tem alertado os trabalhadores sobre os riscos da privatização da empresa.

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