Entre o que é e o que ainda será, existe um lugar silencioso dentro de toda mãe
Por Pricila Baldissera Kozlow, trabalhadora da Celesc em Videira e dirigente do Stieel
Um lugar que ama profundamente cada fase… mas, ao mesmo tempo, anseia pela próxima.
Na visão sistêmica, o movimento da vida é sempre para frente.
Os filhos crescem, se expandem, se afastam… e isso não é perda — é destino.
Ainda assim, no meio das noites mal dormidas, das palavras ainda trocadas, das dificuldades que apertam o peito… quantas vezes desejamos, em silêncio: “que essa fase passe…”
E ela passa.
Sempre passa.
Mas o que quase ninguém nos prepara para sentir é que, junto com o alívio, vem também uma saudade inesperada… profunda… quase paradoxal.
Saudade do que cansava.
Do que desafiava.
Do que, naquele momento, parecia pesado demais.
Porque não era sobre a fase.
Era sobre o vínculo.
O olhar sistêmico nos convida a honrar cada etapa como parte de algo maior: um fluxo perfeito onde não cabe pressa… nem retenção.
Os filhos não nos pertencem.
Eles passam por nós.
E nós, mães, vivemos esse lugar sagrado: o de acompanhar, sustentar… e aos poucos, soltar.
Com amor.
Com dor, às vezes.
Mas sobretudo, com consciência.
Porque crescer dói.
Para eles.
E também para nós.
E talvez a grande sabedoria esteja aqui: em conseguir estar inteira no agora… mesmo sabendo que ele também vai passar.


