Pisa Ligeiro

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O celesquiano Anderson Barbosa lança a segunda edição do seu livro ‘Pisa Ligeiro’, cobertura fotográfica das manifestações em Desterro (Florianópolis), ocorridas em 2019. O prefácio foi escrito pela professora Drª Kamille Vaz, da UFMG:

“Conheci o Anderson no curso de especialização em Educação Ambiental do IFSC-SJ. Dividia uma disciplina sobre
metodologias de pesquisa e, já na primeira aula, ele se mostrou determinado a pesquisar utilizando a fotografia
como estratégia. Seu discurso apaixonado pela arte de se posicionar sobre a vida e sobre o mundo com as imagens
fotográficas, me fez lembrar de uma fase da minha vida em que a máquina fotográfica era minha melhor amiga, muito
disso impulsionado pelas influências de uma grande professora, fotógrafa e amiga Lucia Lenzi.

Apresentei um dos livros da Lúcia para o Anderson e a sintonia foi tão imediata que logo me pediu para ser sua orientadora da monografia. Por circunstâncias da vida, isso não se concretizou como gostaríamos, mas ficou uma semente de reconhecimento e admiração pelo seu trabalho e sua dedicação em trazer sensibilidade para a vida das pessoas.

Com seu trabalho anterior intitulado ‘OSTRAbalhadores’ me tornei sua fã, mas confesso que “Pisa Ligeiro” ganhou
meu coração e minha alma. Esse trabalho, além de um importante registro histórico que data as atrocidades de um
(des)governo conservador, o qual elegeu como prioridade os ataques à classe trabalhadora e nela o desmonte da
educação pública, traz em sua gênese a esperança de um mundo melhor, revigora a fé na humanidade das pessoas,
nos faz lembrar que não somos apáticos, como muitos dizem, temos força e somos muitos! Os registros feitos por
Anderson nas manifestações nos faz lembrar, ressalta e deixa cravado na história que ‘Só a luta muda a vida’ e é no
coletivo que as mudanças acontecem. Esse trabalho mostra um fotógrafo talentoso, mas acima de tudo posiciona
Anderson no mundo. Anderson sabe qual é seu lado na história.

Anderson é um militante a favor dos trabalhadores, como ele mesmo diz: ‘Não é um passeio de domingo ensolarado, é um protesto! Frio, vento, chuva e vontade de mudança!’ (p. 90). Seu trabalho, dessa forma, é um sensível olhar sobre a necessidade de transformar essa realidade e com certeza contribui com a luta política por uma educação de qualidade socialmente referenciada. Anderson é uma formiga atiçada do formigueiro!

Essas imagens carregadas de significados e sentimentos são a síntese de um fotógrafo que busca sensibilizar as
pessoas. Temos Sebastião Salgado como inspiração e eu ouso dizer que seu caminho está sendo trilhado por ele,
sinto um enorme orgulho de ter tido a oportunidade de vivenciar, ao menos um pouquinho, dessa história contada
por Anderson. Um exemplo disso é a fotografia da página 104 deste livro e a sua delicadeza em mostrar a barbárie.

Este livro é um convite a reflexão, é um chamamento para a luta, é um sopro da indignação necessária para a transformação. Basta ver e sentir… Não estamos sós! Somos muitos! As imagens estão aqui gravadas e serão vistas, sentidas e significadas por muitas gerações e é assim que começamos a compreender o mundo. Como disse Paulo Freire em seu livro – A importância do ato de ler – ‘A leitura do mundo precede a leitura da palavra’.

‘Pisa Ligeiro’ é para ser lido, sentido e vivido de todas as formas”

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