O projeto de desmonte de Paulo Guedes não interessa ao Brasil

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Por José Álvaro Cardoso, economista

A Petrobrás anunciou recentemente a decisão de privatizar a BR Distribuidora, reduzindo sua participação na empresa de 71% para 40%, colocando em ação uma das maiores transferências de patrimônio público do governo Bolsonaro (que, segundo o desejo do governo, está só no seu começo) e retirando a estatal de um setor estratégico, que é a distribuição de derivados de petróleo.

Os bancos que coordenaram o processo de venda da BR Distribuidora, são JP Morgan e Citigroup, Itaú BBA, Santander e Credit Suisse, fato que já revela, por si só, quem controla o processo de entrega de empresas estratégicas. O mercado financeiro, claro, fez festa com a entrega de tão valioso ativo do Estado para um grupo seleto de grandes empresas (normalmente grandes transnacionais).

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no dia da operação de entrega da BR Distribuidora que as privatizações, durante o governo Bolsonaro chegarão “aos peixes grandes”. Sem disfarçar uma certa “salivação” com a negociata, Guedes afirmou que “está tudo sendo preparado” para a concretização do projeto de liquidação do patrimônio nacional. Segundo o ministro, a BR Distribuidora foi o primeiro peixe grande a ser entregue, dentre muitos que virão.

Guedes informou que a meta de privatizações do governo para este ano é US$ 20 bilhões e o governo já obteve US$ 11 bilhões nessa área, nos primeiros 5 meses do ano. Os valores anunciados pelo ministro, em troca do patrimônio nacional, são insignificantes. Não irão afetar nada de nada na economia brasileira. Segundo previsão do próprio ministro, somente os pagamentos de juros da dívida deverão chegar a R$ 360 bilhões neste ano. Além disso, esses valores arrecadados com as privatizações até maio de 2019, não chegam à 10% da dívida bilionária que as grandes empresas têm com a Previdência Social, de cerca R$ 450 bilhões.

Ao invés de ficar torrando ativos públicos, que geram caixa “na veia” para a Petrobrás (como a BR Distribuidora), seria muito mais eficaz e cobrar a referida dívida, que é um verdadeiro crime das grandes empresas contra todo a população brasileira, que tem necessidade de uma previdência pública e de qualidade. Paulo Guedes é um “fundamentalista”, que propaga fé cega nas “virtudes” do mercado capitalista. Recentemente, nos EUA, esse cidadão em reunião com empresários daquele país, afirmou que iria “vender tudo” no Brasil, inclusive o Palácio do Planalto.

O ministro da Fazenda propagandeia os avanços na privatização porque está à serviço do mais fundamental, para as frações que perpetraram e sustentam o golpe de 2016, que é o programa econômico, ou seja, entrega do patrimônio nacional, destruição da indústria, destruição da seguridade, privatizações das estatais, etc. Não há unidade em relação à permanência do Bolsonaro na presidência (especialmente com o rápido derretimento da pequena base social que tinha no começo do governo).

Para quem comanda o processo, tanto faz quem seja o presidente, desde que consigam encaminhar o programa econômico de guerra contra a população. Isso é o essencial. Sabemos que o ultra neoliberalismo fora de moda de Guedes vai dar completamente errado, do ponto de vista dos interesses brasileiros.

O “programa” de Paulo Guedes é vender o patrimônio do país e destruir as insuficientes estruturas de atendimento à população, como está empenhado em fazer com a Seguridade Social. A destruição das estruturas de desenvolvimento e atendimento à população não pode levar à retomada do crescimento. Este é um programa que dará errado, como aconteceu na Argentina e noutros países.

Mas não há problemas, colocarão a culpa nas “corporações” e no “populismo” do Congresso Nacional. Ou, como ameaçou outro dia o ministro da economia, se der errado irá morar em outro país. O aumento da exploração e o empobrecimento da população, só podem gerar empregos de péssima qualidade, como vem ocorrendo no Brasil, a partir da aprovação da contrarreforma trabalhista em 2017.

Não há lógica em imaginar que a destruição de salários, mercado interno, e a entrega de estatais a preço de banana, levaria à dinamização da economia. Do ponto de vista do Brasil, o projeto de Paulo Guedes não tem condições de dar certo, e não conseguirá fazer a economia retomar o crescimento.

O programa de Paulo Guedes é vender o patrimônio do país e destruir as insuficientes estruturas de atendimento à população, como está empenhado em fazer com a seguridade social.

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