Investigações revelam o escândalo da indústria do compliance

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Ex-ministra do STF está no centro de um esquema que gastou quase R$ 400 milhões

A parceria de grandes escritórios americanos de advocacia e autoridades brasileiras para atacar estatais demonstra a corrupção na chamada indústria do compliance. De acordo com matéria do jornalista Luis Nassif, do Jornal GGN, investigações na Eletrobras demonstram que a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, recebeu o poder de indicar livremente um escritório de advocacia estrangeiros e, também, o de influenciar na indicação dos escritórios brasileiros subcontratados para investigar esquemas de corrupção em estatais.

Coube a ela a contratação da Baker McKenzie para a Petrobras e a Hogan Lovells para a Eletrobras. Ellen ampliou o escopo inicial das investigações em cinco vezes em relação ao planejamento inicial. Foram contratados mais de cem profissionais. Em 26 de janeiro de 2018, o repórter Vinicius Sassine, da revista Época, apurou diversos fartos estranhos nos contratos.

Segundo a reportagem, o valor inicial dos serviços – R$ 6,4 milhões – era inofensivo, mas depois a Eletrobras assinou um novo contrato, 2.956% maior com a Hogan Lovells, fez ainda um aditivo a este contrato sem dar explicações ao mercado e escondeu quanto de fato gastou com a Kroll e outras subcontratadas. No fim de dezembro de 2017, a Eletrobras informou a assinatura de um novo contrato com o escritório americano, chegando a quase R$ 400 milhões de gasto com investigações internas.

R$ 400 milhões que não identificaram nenhum tostão de desvio. Apenas com delações conseguiu-se chegar a um montante desviado, R$ 165 milhões, 2,5 vezes menos do que o total pago aos investigadores.

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