Imprensa sindical de luto: morre o chargista Frank Maia

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Arte deFrank esteve presente no cotidiano dos eletricitários catarinenses desde a primeira edição do Linha Viva

No último domingo, dia 5, faleceu por problemas cardíacos, aos 55 anos, Frank Maia, chargista, jornalista, ilustrador, parceiro e amigo da classe trabalhadora. Frank teve longa relação com a categoria dos eletricitários, primeiramente através do Sinergia e, mais adiante, com os demais sindicatos da Intercel e da Intersul. Ele foi o autor do boneco Urbaninho, que ilustra as capas do jornal Linha Viva desde a sua primeira edição. Frank também desenhou e deixou sua marca registrada em outras inúmeras publicações dos sindicatos que representam os eletricitários em Santa Catarina.

Suas artes mais recentes para a categoria ficaram registradas na capa da edição número 1500 do Linha Viva, em setembro de 2021, e na logo do 11° Congresso dos Empregados da Celesc, que aconteceu no final de maio. Frank era uma referência no jornalismo catarinense: atuou em diversos jornais, revistas, sites, sindicatos, construiu logos, cartazes, folders, identidades visuais, entre outros – conforme consta na bio de suas redes sociais.

Gastão Cassel, jornalista que assinou a primeira edição do Linha Viva, em 1988, destaca que não há como contar a história do jornal e de outras tantas peças de comunicação das intersindicais eletricitárias, sem falar de Frank Maia: “antes mesmo das coisas se digitalizarem, nas primeiras edições do jornal, dia de fechamento de edição era dia de visita do Frank. Ele chegava com uma maletinha de madeira, repleta de lápis, penas, nanquins, retículas adesivas e papéis especiais”. O jornal, no início, era feito dentro do sindicato e distribuído apenas entre eletricitários da Grande Florianópolis.

Gastão lembra que “sua chegada inundava o Sinergia de risos. Sempre trazia boas piadas que logo iam dando lugar a uma avaliação séria do material da edição. Aos poucos os sorrisos viravam introspecção, resmungos e, após algum silêncio, tínhamos uma charge maravilhosa, uma ilustração ou uma façanha do Urbaninho. E também voltavam os sorrisos, as piadas, a autoironia para encantar o ambiente”.

Frank era jornalista formado na UFSC, “por isso sua charge tinha o poder de síntese de reportagens inteiras. Ele sabia que a informação era o ingrediente essencial da boa charge e, por isso, era um leitor compulsivo de notícias. Frank desenhava jornalismo” – recorda o amigo e colega Gastão, que explica que “a presença do seu traço em muitos veículos da imprensa sindical não era um acaso, mas uma opção. Frank sempre se colocou ao lado dos trabalhadores e dos oprimidos. Misturava sarcasmo com uma fina sensibilidade para traçar imagens que levavam à reflexão, crítica e entendimento. Sínteses perfeitas com humor delicado. Frank desenhava resistência”.

Já para Silvia Medeiros, jornalista que atuou na CUT/SC e no Sintrasem, Frank tem um significado muito grande para os colegas que atuam na imprensa sindical: “ele teve seu primeiro registro de carteira assinada, ainda como estudante de Jornalismo, dentro de um sindicato, o Sindicato dos Bancários”. E depois disso, ainda conforme relato de Silvia, ele fez toda uma trajetória de contribuição com artes, design e sugestões de pautas para o movimento sindical: “foi uma escolha ele estar do lado da classe trabalhadora e da imprensa sindical. Por um bom tempo, ele também trabalhou na imprensa privada e foi perseguido pela sua posição. Foi dentro do movimento sindical que ele teve uma liberdade maior de criação”.

Silvia também recorda que “foram através das artes do Frank que a gente conseguiu traduzir a luta da classe trabalhadora e levá-la para muito mais longe, através de um desenho, uma charge bem humorada, conversar, dialogar com os trabalhadores e explicar as diversas lutas do movimento sindical que vinham sendo feitas”. Silvia conclui, dizendo que Frank Maia “foi e é um gigante para todos nós que tivemos a honra de trabalhar com ele, que tivemos a honra de ter algum trabalho dele ilustrando nossos materiais. Ele se vai, mas deixa um legado excelente para a gente de contribuição e de exemplo de escolha. Frank Maia é um jornalista e um chargista que fez uma escolha de classe e essa escolha foi feita junto de todos nós, trabalhadores e trabalhadoras”.

Glauco Marques foi diretor de Imprensa do Sinergia e trabalhador da Eletrosul. Ele lembra do período que Frank chegou ao sindicato: “primeiro contratamos o jornalista Gastão [Cassel], depois a Rosangela [Bion de Assis] e o Frank, quando entrou, ainda era estudante de Jornalismo. Ele era um cara muito divertido, muito atento às coisas que estavam acontecendo e o humor dele era interessante, mordaz. As pessoas riam e só depois se davam conta das coisas que estavam rindo”.

Nas redes sociais de amigos, leitores e colegas chargistas de todo o Brasil, nos jornais e também nas redes do próprio Frank é possível constatar o tamanho do artista: são centenas de mensagens enaltecendo seu trabalho, que permanecerá vivo no coração de todos que foram tocados pela arte de Frank. Obrigado, Frank, por compartilhar sua arte e seus talentos com a categoria dos eletricitários!

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