Governo volta a pressionar TCU para entregar Eletrobras ao mercado

Compartilhe este conteúdo

Julgamento do processo estava marcado para acontecer ontem, dia 18, no TCU

Na segunda-feira, dia 16, a Eletrobras divulgou resultados do balanço do 1º trimestre de 2022. A estatal lucrou R$ 2,7 bi no período, elevação de 70% em relação ao 1º tri de 2021.

A empresa também divulgou redução do endividamento e registrou R$ 15 bilhões em caixa. Nada disso é novidade. Trabalhadores da Eletrobras e suas subsidiárias têm conduzido a estatal a sucessivos lucros bilionários. Mas, se a empresa dá lucros sucessivos, tem endividamento baixo, dinheiro caixa e está pronta para investir, por que a insistência em privatizar? A resposta não é coerente, mas é simples: agentes públicos defendendo interesses privados.

É a velha máxima da porta giratória do mercado assumindo cargos no governo e voltando ao mercado. O mais recente elemento deste dado viciado é Adolfo Sachsida, ex-assessor de Paulo Guedes no Ministério da Economia, da turma dos ‘chicago boys’, caiu de paraquedas no Ministério de Minas e Energia. Mal chegou, já falou em privatizar PPSA, Petrobras e Eletrobras.

Sachsida substituiu o Almirante Bento Albuquerque, que foi o último fritado publicamente para justificar a vitimização de Bolsonaro sobre o aumento desenfreado da política de Preço de Paridade Internacional nos combustíveis da Petrobras.

A mudança recente de presidentes da Petrobras escancara que, de nada adianta mudar cabeças, se não muda a política de liberalização de preços que pune a população, o consumidor, o orçamento das famílias. E é exatamente isso que estão fazendo agora na Eletrobras. Seria o que no famoso bordão de um comercial nos anos 80 se chamava de “efeito orloff”: “eu sou você amanhã”.

Explicamos: a política de preços desenfreada da Petrobras que hoje assola os consumidores e é combatida de forma hipócrita pelo governo, é muito similar com efeito do preço da energia depois de uma eventual privatização da Eletrobras amanhã.

A descotização das 22 hidrelétricas impostas na privatização vai elevar o MWh de R$ 80,00 para R$ 250,00. E depois (naturalmente) o governo vai dizer que não sabia, que é refém, que precisa mudar ministros, presidentes de estatais…

Estamos nas últimas semanas possíveis de se realizar a privatização da Eletrobras em 2022. A imprensa já anuncia que grupos econômicos como Grupo 3G (Lehmann), ITAUSA, Fundo Soberano de Cingapura e Fundos de Pensão Canadenses pressionam o governo para que a venda da Eletrobras saia ainda este ano. E, para isso acontecer, era preciso que os Ministros do TCU aprovassem a segunda etapa do acórdão da modelagem da privatização da Eletrobras.

Para isso, Adolfo Sachsida fez pressão ostensiva aos Ministros na mídia e nos bastidores do Tribunal sem nenhum respeito ou algum caráter institucional. Jagunços do mercado correm para privatizar a Eletrobras de qualquer jeito, custe o que custar.

Print Friendly, PDF & Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *