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Eleições 2026: Presidente Lula é reeleito: vitória da democracia e desafio para a classe trabalhadora

Resultado das urnas mantém aberto o caminho para a defesa dos direitos sociais e das empresas públicas, mas enfrentamento com um Congresso mais conservador exigirá mobilização popular e sindica

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, confirmada no pleito de domingo, 25 de outubro, representa a continuidade de um projeto de governo escolhido democraticamente pela maioria dos eleitores. Com 51,79% dos votos válidos, Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 48,21%, e garantiu seu quarto mandato presidencial.

Para a classe trabalhadora, o resultado mantém aberto o espaço para a defesa dos direitos trabalhistas, das políticas sociais, da valorização do salário mínimo e dos serviços públicos. A eleição também representa a escolha por um governo que, ao menos em seu programa e em seu histórico político, se coloca em diálogo com demandas históricas dos trabalhadores e trabalhadoras. A manutenção dessas conquistas, no entanto, não está garantida apenas pelo resultado das urnas: dependerá das decisões do governo, da correlação de forças políticas e da capacidade de mobilização da sociedade.

Um Congresso que exige atenção
O principal desafio do novo mandato será governar diante de um Congresso Nacional com forte presença da extrema direita e de setores conservadores. A partir de fevereiro de 2027, o PL contará com 121 deputados federais e 28 senadores, enquanto a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá 88 cadeiras na Câmara. Esse cenário exigirá articulação política para aprovar medidas de interesse social e enfrentar propostas contrárias às pautas da classe trabalhadora.

Pautas como a valorização dos servidores e dos serviços públicos, o fortalecimento das entidades sindicais e a ampliação dos direitos sociais precisarão enfrentar resistências no Legislativo. O mesmo vale para iniciativas que busquem ampliar o investimento público e proteger o patrimônio nacional. A composição parlamentar não significa que todos os deputados e senadores votarão da mesma maneira, mas revela uma correlação de forças que torna a disputa por cada avanço ainda mais importante.

Nesse contexto, o movimento sindical terá papel fundamental. Será necessário acompanhar as ações do governo, pressionar o Congresso, defender as reivindicações das categorias e cobrar compromissos concretos com quem vive do próprio trabalho. A eleição abre possibilidades, mas a conquista e a preservação de direitos continuam dependendo da organização e da luta coletiva. A rua continuará tendo um papel decisivo no cenário político nacional, assim como teve esse mesmo papel para a decisão do segundo turno em todo o Brasil.

Empresas públicas: riscos menores, mas vigilância necessária

A vitória de Lula também reduz, no plano federal, o risco político de avanço de um programa de privatizações semelhante ao defendido por setores da direita e extrema direita.

A mudança na Presidência cria condições mais favoráveis à defesa das empresas públicas e das empresas de economia mista estratégicas para o desenvolvimento nacional, a soberania e a prestação de serviços essenciais à população.

A equipe do candidato derrotado Flávio Bolsonaro já havia dado sinais claros de privatização de empresas como Banco do Brasil e Correios.

Para os eletricitários e eletricitárias, essa discussão tem importância direta. A Celesc, em Santa Catarina, é uma empresa de economia mista cuja preservação como patrimônio público interessa aos trabalhadores e à sociedade. A experiência do setor elétrico brasileiro demonstra que decisões sobre o controle das empresas de energia não dizem respeito apenas aos acionistas: também afetam o planejamento do sistema, os investimentos, as condições de trabalho e a qualidade do serviço prestado à população.

A eleição presidencial, contudo, não encerra essa disputa. A proteção de cada empresa depende também de decisões dos governos estaduais, da legislação, das políticas de investimento e da mobilização social. Em Santa Catarina, a defesa da Celesc pública continua sendo uma pauta que exige atenção permanente, independentemente do resultado da eleição nacional. Os sindicatos e a categoria precisarão permanecer vigilantes e em contato direto com deputados e deputadas estaduais.

A luta continua

A reeleição de Lula oferece uma oportunidade para avançar na defesa da democracia, dos direitos sociais e do patrimônio público. Mas a expectativa de mudanças precisa ser acompanhada de cobrança, participação popular e organização sindical. Nenhum governo, por si só, substitui a força dos trabalhadores mobilizados.

O desafio será transformar a escolha feita nas urnas em medidas concretas que melhorem a vida de quem trabalha.

Para isso, será fundamental defender os direitos conquistados, impedir retrocessos e ampliar a participação da classe trabalhadora nas decisões que definem os rumos do País.

A democracia se fortalece quando o voto se traduz em direitos, dignidade e melhores condições de vida. E a defesa dessas conquistas segue sendo uma tarefa coletiva.

Presidente Lula em campanha em Florianópolis

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