Direito não é custo a ser cortado

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Diretoria da Celesc se junta às chapas 3 e 4 na eleição ao Conselho Deliberativo da Celos para atacar os direitos dos trabalhadores celesquianos

Direito não é custo, direito é conquista. Mantê-los é ter respeito com os trabalhadores. Respeito com quem trabalha dia a dia para construir uma empresa pública, eficiente e responsável, que leve desenvolvimento ao Estado de Santa Catarina. Infelizmente, nesta data-base dos celesquianos, a diretoria da Celesc reaproveitou um discurso mentiroso para destruir o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Abusando da comunicação interna, a Diretoria tenta convencer os empregados de que é preciso escolher entre direitos e emprego. A visão de que os direitos conquistados pelos trabalhadores inviabilizam a Celesc não é nova. Toda diretoria que assume a administração da empresa, em maior ou menor tom, brada aos quatro ventos a necessidade de cortar o Acordo Coletivo para a manutenção da Celesc. Aliás, para uma diretoria que se diz técnica e que busca fazer o novo, a gestão do Presidente Cleicio Poleto Martins e da Diretora da Gestão, Claudine Anchite, abusa das velhas práticas de intimidação e mentiras para atacar os trabalhadores. Primeiro é preciso deixar algo claro: tanto o presidente, quanto a Diretora de Gestão ocupam seus cargos por motivos políticos.

Eles podem dizer o resto da vida que são quadros técnicos, mas a verdade é que se não fosse a indicação política não estariam na administração da maior estatal catarinense. Caídos de paraquedas, forçam uma narrativa de ataques contra aqueles que por merecimento são trabalhadores da Celesc. Desde antes da primeira rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, a Diretoria da empresa tem usado os e-mails e comunicados corporativos para que os trabalhadores tenham uma “visão real da empresa”, como diz o informativo do ACT nº 3.

A única coisa real nestes comunicados é a utilização de meias verdades e de mentiras inteiras. Como em uma campanha eleitoral (e logo veremos que as eleições da Celos estão fortemente interligadas ao ACT), a Diretoria abusa das Fake News. Esquece-se de que a categoria conhece todo o processo de manutenção da concessão. Jogando dados desconexos e utilizando chefias para coagir trabalhadores, a Diretoria não só atenta contra os direitos, mas também contra a memória e a inteligência dos celesquianos.

Será que a diretoria acredita mesmo que o discurso de passivo atuarial cola com trabalhadores que conhecem os indicadores da concessão? Será que a Diretoria acredita que os trabalhadores, que já debateram alterações no Plano de Cargos e Salários (PCS), no Plano Previdenciário e em diversos outros direitos irão cair em um discurso demagogo? Enquanto ataca os direitos dos trabalhadores, resta a dúvida: qual contrapartida a Celesc deu até agora? Uma reestruturação atrapalhada, sem resultados palpáveis e que apenas demonstrou que o Presidente é autoritário e que gosta de utilizar a empresa para fazer propaganda pessoal.

Falando em propaganda, até mesmo os grandes anúncios de investimento feitos pelo presidente são conquistas dos trabalhadores. Enquanto funcionários da empresa fizeram um excelente trabalho construindo todo o processo do financiamento do BID, a categoria organizada pelos sindicatos da Intercel ocupou três vezes a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) para pressionar os Deputados Estaduais e garantir o financiamento, que significa desenvolvimento e melhores condições de vida para o povo catarinense.

Na segunda rodada de negociação, a Diretora de Gestão fez questão de fazer um longo e tedioso discurso sobre os riscos da concessão, como se as metas fossem novidade para sindicatos e celesquianos. Pior: afirmou que o cenário atual das metas financeiras é fruto de sorte e não de trabalho. O processo de manutenção da concessão é uma luta dos trabalhadores. Foi uma campanha popular que resultou na renovação das concessões, em um momento onde entidades empresariais buscavam o leilão para privatização de todo o setor elétrico.

Vencida a renovação, quando as metas da concessão foram anunciadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram os sindicatos que começaram a mobilizar os trabalhadores, apresentando os riscos à continuidade da empresa pública. Neste cenário de metas, foram negociados 5 Acordos Coletivos. A cada ano os trabalhadores deram sua contribuição. Se hoje a empresa enfrenta um cenário positivo para o alcance das metas financeiras, é pelo comprometimento
dos empregados e sindicatos.

Afirmar que o resultado da Celesc é fruto da sorte é desrespeitar todos os empregados da Celesc. É negar a luta dos trabalhadores por uma Celesc Pública, exemplo para as demais Distribuidoras de energia, em um setor dominado pela perseguição desenfreada ao lucro em detrimento do bom atendimento à população. Enquanto diretorias e governadores vêm e vão sem deixar saudade, os celesquianos permanecem trabalhando em prol da população catarinense e merecem respeito.

Por isso, é fundamental que a categoria fique mobilizada para defender seus direitos. A recente fixação com o passivo atuarial é um planejamento que visa privatização da Celesc, a fragilização da Celos e a destruição dos direitos dos celesquianos. O ataque orquestrado pela Diretoria da Celesc vem em duas frentes: na negociação do ACT e nas eleições da Celos.

Enquanto tenta retirar direitos do ACT, utilizando uma máquina de propaganda mentirosa e mobilizando gerentes a acossar trabalhadores, a diretoria ainda encontra na eleição chapas dispostas a, dentro da Celos, continuar a destruição dos direitos e benefícios dos participantes. Na eleição, o voto dos trabalhadores tem o poder de destruir as intenções da administração da empresa.

No ACT, a força vem da mobilização e resistência. Aquilo que a Celesc vê como um custo a ser reduzido é uma vida inteira de conquistas dos trabalhadores. Aquilo que a Celesc apresenta como o perigoso passivo atuarial é, na verdade, o direito conquistado pela categoria e deve ser respeitado. E não se enganem: o único motivo pelo qual essa diretoria foca na redução do passivo é deixar a empresa ainda mais atrativa à privatização.

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