Chico Mendes

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Chico Mendes foi um sindicalista e não ambientalista, isso o coloca num ponto específico da luta de classes que compreendia a união dos Povos Tradicionais (Extrativistas, Indígenas, Ribeirinhos) contra a expansão pecuária e madeireira e a conseqüente devastação da Floresta. Essa visão distorcida do Chico Mendes Ambientalista foi levada para o Brasil e a outros países como forma de desqualificar e descaracterizar a classe trabalhadora do campo e fortalecer a temática capitalista ambiental que surgia.

A substituição da borracha pela pecuária levou à especulação fundiária e ao desmatamento de grandes extensões de terras impedindo a permanência nos seringueiros na floresta. Na época, o sindicato era presido por Wilson Pinheiro, que junto com Chico e outros seringueiros reuniam suas famílias, iam para as áreas ameaçadas de desmatamento, desmontavam os acampamentos dos peões e paravam os motosserras. Em decorrência desse movimento de resistência, em 1980, Wilson foi assassinado dentro da sede do sindicato. Três anos depois, Mendes assumiu a presidência do Sindicato de Xapuri, cargo que exerceu até a sua morte.

Chico Mendes liderou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), em 1985. Do Encontro saiu “A  União dos Povos da Floresta”, demonstrando que índios e seringueiros não eram inimigos, mas sim companheiros de uma causa comum e que estavam sofrendo as mesmas injustiças. Que ambos eram perseguidos por grileiros, latifundiários, madeireiros ilegais e por forças do capital que ambicionavam as terras indígenas, reservas extrativistas e quilombos.

Chico Mendes sabia que sua vida corria risco e chegou a escrever em uma carta em 1988, mesmo ano de sua morte, que “se um mensageiro descesse do céu e garantisse que minha morte ajudaria a fortalecer nossa luta, ela até valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Não é com grandes funerais e manifestações de apoio que iremos salvar a Amazônia. Eu quero viver”. Nesse ano, Chico havia viajado pelo país e ao voltar Xapuri foi morto com tiros de espingarda no peito, quando saiu para o quintal de sua casa, na noite de 22 de dezembro, poucos dias depois do seu aniversário, no dia 15. O assassino foi Darcy Alves da Silva que cumpriu ordens do seu pai, o fazendeiro Darly Alves da Silva

Em sua luta, construiu políticas públicas e iniciou uma transformação social na região Amazônica, ao mostrar ao mundo a ideia de uma floresta habitada, sustentável. Ele se tornou patrono de órgão de proteção do meio ambiente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de um prêmio do Ministério do Meio Ambiente, criado em 2002 com o objetivo de valorizar e incentivar iniciativas de proteção que contribuam para a promoção do desenvolvimento sustentável da região amazônica brasileira.

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