Celesc: Falta de informação no retorno ao trabalho presencial

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Sinergia cobra de diretoria da Celesc medidas de proteção aos trabalhadores

No dia 6 de janeiro diretores do Sinergia participaram de uma reunião com representantes da CIPA/AC, gerentes do DPAD e DPGP e o diretor Pablo Cupani – conforme divulgado na edição 1515 do Linha Viva. A reunião tinha como objetivo levar à diretoria da empresa denúncias e reclamações de trabalhadores sobre a forma desorganizada como se deu o retorno 100% presencial na Celesc, em 3 de janeiro.

O encontro também serviu para cobrar a revisão da decisão ao retorno 100% presencial, diante do aumento dos casos de Covid-19 e influenza em Santa Catarina. Mesmo após quase dois anos de pandemia, a Celesc aparenta não estar preparada para conviver com esta situação. O decreto do governo de Santa Catarina prorrogou o estado de calamidade pública até 31 de março e, mesmo diante da onda da nova variante Ômicron, a empresa não organizou adequadamente o retorno ao trabalho 100% presencial para aqueles que estavam em regime híbrido. Por conta da falta de organização e de comunicação, e após o envio de carta pedindo providências, o Sinergia solicitou a reunião com a empresa.

Dentre as denúncias, a principal delas foi o não uso de máscara de proteção facial em diversos setores. Além disso, a diferença de tratamento entre lojas de atendimento: em uma delas, após caso confirmado de Covid-19, todos os empregados foram afastados e foi feita a limpeza e sanitização do espaço; já em outra, os empregados foram afastados, mas não há registro da limpeza e sanitização. Na Administração Central, num departamento, empregados foram afastados após confirmação de um caso; em outro, mesmo com três casos confirmados, nenhum empregado foi afastado e não foi feita a imediata limpeza e sanitização do espaço. O sindicato ainda levou ao diretor relatos de empregados que tiveram contato próximo com colega positivado e que não souberam de maneira oficial – por comunicado da empresa -, mas sim, tiveram conhecimento que o colega foi positivado por meio de grupos no Whats App.

FALTA DE COMUNICAÇÃO GEROU INSEGURANÇAS

O principal fato cobrado, contudo, foi a total falta de comunicação da empresa com os trabalhadores. A Celesc enviou um e-mail aos empregados no final de dezembro, com algumas informações sobre o retorno presencial. Mas o e-mail não dava maiores detalhes sobre como se daria o retorno. Dúvidas foram surgindo ao longo da semana e a categoria não sabia a quem recorrer: como fazer, por exemplo, quando um colega ou o próprio gerente se recusam a utilizar a máscara num espaço fechado? O que fazer quando um colega apresenta sintomas de Covid-19 e se recusa a fazer a testagem? Por que colegas de determinados setores foram afastados depois de um caso confirmado de Covid-19 e outros não foram afastados? A empresa só enviou um novo comunicado aos trabalhadores na sexta-feira, dia 7, após a cobrança do Sinergia – e, ainda assim, um e-mail com poucas informações, sem orientações ou detalhes.

RESPOSTA DA DIRETORIA

O diretor Pablo relatou que a diretoria tinha conhecimento de muitas dessas demandas e que, na quarta-feira, dia 5, fez uma reunião para aprimorar protocolos, conforme demandas que chegaram até a diretoria. Nesses novos protocolos, ainda segundo Pablo, será reforçada a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção, será divulgada a periodicidade em que ocorrerão as testagens e serão, ainda, esclarecidas outras dúvidas trazidas pelos trabalhadores nos últimos dias.

O sindicato expôs que o momento não foi o mais adequado para o retorno presencial, diante dos números de Covid-19 apresentados em Santa Catarina desde o Natal e logo após encontros e comemorações de fim de ano. Houve a sugestão que as testagens fossem feitas antes da entrada dos empregados ao prédio da Celesc, para evitar o contato de pessoas contaminadas com pessoas não contaminadas com a Covid-19.

Também foi contestado o fato de terceirizados, que circulam por toda a empresa da mesma forma que trabalhadores próprios, não poderem fazer a testagem. O diretor disse que tudo isso está sendo analisado pela diretoria e que a obrigatoriedade da vacinação não pode ser exigida neste momento, mas que a empresa deve fazer a cobrança pela testagem de todos os empregados nos próximos dias.

Sobre a denúncia de trabalhadores com comorbidades alegarem que foram obrigados a retornar ao trabalho presencial, o diretor Pablo informou que apenas grávidas e puérperas estavam fazendo o home office num primeiro momento, mas que a diretoria está revendo a política e que podem mudar a orientação nos próximos dias.

Questionados sobre o porquê de não implantar o home office já em janeiro – informações de bastidores indicam que a política de home office da Celesc está pronta desde meados de 2020 -, gerentes do DPGP e o diretor relataram que a Celesc logo implantará um projeto piloto, mas que é preciso ter bem ao certo as formas de mensurar o trabalho de cada um, levantar necessidades de equipamentos e mobiliário e, por fim, avaliar todas as questões trabalhistas que envolvem esta mudança, até mesmo um aditivo ao contrato de trabalho – aqui cabe um questionamento: se não
sabiam como fazer, por que precipitar o retorno e não continuar com o sistema híbrido até que obtivessem informações consistentes que ajudassem a planejar corretamente o home office? Parte da diretoria da Celesc, que gosta tanto de elogiar a Engie, poderia ter copiado a empresa neste quesito: lá a testagem já ocorre há alguns meses
para trabalhadores que estão no serviço híbrido e é feita por agendamento no sistema (evitando filas e aglomerações).

O sistema híbrido já foi implantado e o aditivo ao contrato de trabalho de empregados nesta modalidade também foi já foi assinado. Sobre a denúncia que chegou ao Sinergia de falta de limpeza em determinados setores, o chefe do DPAD informou que foi ampliado o número de empregados terceirizados limpando as lojas e que, com habitualidade, usam técnicas de hospitais durante a higienização dos setores, inclusive com pó químico durante a noite.

O sindicato cobrou a disponibilização de testes para Covid-19 para outros espaços de trabalho fora da Administração Central, como Núcleos, Unidades e lojas de atendimento, e o diretor respondeu que já a partir de 7 de janeiro iniciariam as testagens nos Núcleos, começando pelo NUCAP. Foi cobrado que os testes também cheguem a todos os escritórios e lojas de atendimento da empresa fora dos Núcleos, já que eletricistas e atendentes comerciais estão tão ou mais expostos ao risco e sem possibilidade de home office, trabalhando durante a pandemia mesmo antes da vacinação, sem testagem no retorno e, em muitos casos, até mesmo sem ventilação adequada.

Sobre a possibilidade de retorno ao sistema híbrido de trabalho, o diretor disse que as testagens servem justamente para fazer a fotografia do momento na Celesc e que, havendo um aumento no número de casos positivos para Covid-19, reavaliarão a situação – não custa lembrar que a Política de Saúde e Segurança da empresa fala em prevenção e o se vê aqui é justamente o contrário.

Após a reunião, a fase de testagens em Núcleos e Unidades iniciou e foram incluídos empregados terceirizados em determinados edifícios da Celesc. Chama a atenção o amadorismo da diretoria da empresa ao determinar o retorno
100% presencial: desde meados de novembro a diretoria vinha anunciando o retorno 100% presencial. Ao que parece, sem que houvessem regras bem definidas – ou, ao menos, sem que houvesse qualquer divulgação para a categoria, nem sequer a atualização dos protocolos de segurança sanitária, feita agora, às pressas. A ausência de uma campanha de comunicação orientativa gerou medo e desconforto em centenas de trabalhadores.

Os sindicatos da Intercel seguem acompanhando a situação em todo o estado e buscando orientação jurídica diante dos fatos trazidos pela categoria. Os novos protocolos, que deverão conter alterações solicitadas pelo Sinergia, não foram divulgados pela diretoria da empresa até o fechamento desta edição.

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