Trabalhador da Eletrobras, atual Axia Energia, tem morte associada a doenças mentais ligadas ao trabalho, aponta ação judicial

Família busca responsabilização na Justiça do Trabalho e levanta debate sobre saúde mental e ambiente laboral

Uma ação trabalhista em trâmite sob segredo de justiça na Justiça do Trabalho de Santa Catarina discute a possível relação entre o falecimento por suicídio de um trabalhador do setor elétrico e o desenvolvimento de doenças mentais associadas às condições de trabalho.

De acordo com as alegações do processo, a família sustenta que o empregado, que ocupava cargo de alta responsabilidade (diretor), foi submetido a um ambiente laboral marcado por elevada pressão por resultados, sobrecarga de atividades, jornadas extensas e ausência de limites entre vida profissional e pessoal.

Segundo os documentos juntados aos autos, o trabalhador apresentava quadro de adoecimento psíquico relevante, com registros de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, incluindo diagnóstico compatível com depressão grave, ansiedade e esgotamento profissional (burnout), condições que, conforme alegado, estariam diretamente relacionadas ao contexto laboral.

Ainda conforme a ação, há elementos técnicos indicando nexo entre o trabalho e o agravamento do quadro mental, com evolução do sofrimento psíquico nos meses que antecederam o falecimento por suicídio. A narrativa processual aponta que o empregado permanecia constantemente conectado ao trabalho, mesmo em ambiente residencial, inclusive em finais de semana, férias e períodos de descanso, o que teria comprometido sua saúde mental e qualidade de vida.

A família também relata que o trabalhador manifestava medo constante de perda do emprego devido a contínuas ameaças veladas, insegurança profissional e desgaste emocional intenso, em um cenário organizacional descrito como instável, altamente exigente e sem qualquer amparo a saúde mental do trabalhador.

Debate sobre saúde mental no trabalho
O caso reacende a discussão sobre os chamados riscos psicossociais no ambiente de trabalho, especialmente em setores estratégicos e de alta responsabilidade técnica.

Especialistas na área trabalhista e de saúde ocupacional têm destacado que transtornos como burnout, ansiedade e depressão vêm sendo cada vez mais reconhecidos como doenças relacionadas ao trabalho, sobretudo quando associados a jornadas exaustivas, metas abusivas e ausência de suporte organizacional.

A própria ação judicial sustenta que o episódio não deve ser analisado de forma isolada, mas como parte de um processo progressivo de adoecimento laboral, que, segundo a narrativa apresentada, não teria sido adequadamente prevenido ou gerido pela empresa.

Pedido judicial Na ação, os familiares pleiteiam indenização por danos morais e materiais, além do reconhecimento de que o falecimento por suicídio possui relação com o trabalho.

O processo também inclui pedidos relacionados à produção de provas digitais, com o objetivo de reconstruir a dinâmica laboral do empregado, especialmente quanto à carga de trabalho, comunicações internas e exigências profissionais.

Proteção das partes
Em razão do trâmite sob segredo de justiça, as informações divulgadas baseiam-se exclusivamente em elementos constantes nos autos e têm caráter informativo, sem antecipação de juízo de valor ou conclusão judicial definitiva.

Busque ajuda
Se você ou alguém próximo está passando por um momento difícil, é importante lembrar que você não precisa enfrentar isso sozinho. Buscar ajuda é um passo fundamental — e existem pessoas e serviços preparados para ouvir sem julgamentos.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188, além de chat e e-mail pelo site oficial (cvv. org.br). O atendimento é feito por voluntários treinados para acolher quem precisa conversar.

Também é possível procurar atendimento em unidades do SUS, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), postos de saúde ou hospitais da sua região. Conversar com amigos, familiares ou pessoas de confiança também pode fazer diferença. Os sindicatos também estão a disposição.

Em situações de emergência ou risco imediato, procure um pronto atendimento ou ligue para o 192 (SAMU).

Falar sobre o que você sente é um ato de coragem — e pode ser o primeiro passo para encontrar apoio e cuidado.

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