Som macabro

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Por Dino Gilioli, poeta e escritor

Na pré e pós ditadura civil-militar, não há registros de momentos tão dramáticos a que estamos sendo submetidos hoje no Brasil.  À poucos meses, no mais alto escalão de poder, o governo de Jair Messias Bolsonaro tem se construído na base de mentiras, de ataques desmedidos e do desrespeito aos direitos elementares.  Suas declarações e atos demonstram que, além da incompetência para gerir o país, o atual presidente diz impropérios a quem quer que discorde de suas mais vis ideias e “propostas” para o Brasil. Seu total desprezo para o diálogo relembra os tempos obscuros da ditadura civil-militar. Aliás, período este, elogiado por Bolsonaro.  Hábil na estratégia de dividir e de colocar uns contra os outros, o presidente Messias vai desviando a atenção dos reais problemas e implantando, à toque de caixa, medidas que trazem enormes prejuízos ao Brasil e ao seu povo. No carrossel de maldades, o país vai girando meio que tonteado por tanto descalabro. Senão, vejamos: 

1) Destruição ou redução de direitos sociais e trabalhistas, atos que tiveram total apoio de Bolsonaro quando deputado federal;

2) Entrega de patrimônio público, à exemplo da Embraer. Desmonte da Petrobrás, com a privatização da BR Distribuidora, liquidação da lei de partilha e venda a preço de banana de jazidas do pré-sal; que seria fator de desenvolvimento econômico/social interno. Apesar dos imensos prejuízos que o país já teve, continua, como novidade milagrosa, a insana lógica da privatização que compromete a soberania nacional, descapitaliza o Brasil, gera mais desempregos e favorece aos especuladores nacionais e internacionais. Na mira da privatização está a Eletrobras (e suas subsidiárias), estatal federal de energia elétrica que muito tem  contribuído para desenvolver o país. 

3) Informa-se que deputados federais lucraram muito para aprovarem a “reforma” da Previdência Social, que agora segue pro Senado. Difícil é calcular o prejuízo que 100 milhões de brasileiros terão ao longo dos anos. E já que usaram como justificativa a economia de 900 bilhões (em 10 anos) para aprovarem a “reforma” da previdência, (que sairá do lombo dos mais pobres, mantendo os privilégios dos mais ricos), é preciso lembrar  que somente as isenções fiscais às multinacionais petroleiras irão representar, no longo prazo, perda de receita para o Brasil na casa de R$ 1 trilhão. Sem falar na milionária dívida que grandes grupos econômicos têm com a Previdência Social que, se cobrada devidamente, também jogaria por terra a cínica necessidade de mexer nesse importante patrimônio social do povo brasileiro.

Para não me alongar mais, fico na esfera econômica/social, mas aponto ainda retrocessos em questões ambientais. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), detectou aumento de 88% no desmatamento na Amazônia em junho, comparado ao mesmo mês no ano passado, e de 40% no acumulado dos últimos doze meses (até 31 de julho). Retrocessos também em conquistas obtidas através de muita luta, tais como a livre expressão de ideias e as genuínas manifestações da arte e cultura; fatores que muito contribuem para a  emancipação humana e para o alicerce da democracia de qualquer país. Tomara que a maioria do povo acorde e, em seus acordes de resistência, possa tocar outro ritmo de música no Brasil. Por ora, o som está macabro!

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