Raio X da reestruturação

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Comparando documentos, ataque às Regionais é desmascarado

A audiência pública que debateu a reestruturação da Celesc foi um grande ato de defesa da empresa pública. Com participação maciça da categoria, o único ponto lastimável foi a ausência do presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins. Escondido atrás de um ofício endereçado à Deputada Paulinha (PDT), presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público – onde a audiência pública foi aprovada por proposição do Deputado Fabiano da Luz (PT) – Cleicio afirmou que o debate sobre a estrutura era de competência da diretoria e seria tratado internamente, desprezando a oportunidade de ouvir os trabalhadores, deputados, vereadores, prefeitos, movimentos sociais e membros da sociedade, verdadeiros donos da Celesc e principais impactados pela reestruturação.

Entretanto, se o presidente esperava que o ofício seria uma boa arma para convencer que a reestruturação é boa, o tiro saiu pela culatra. Comparando o documento apresentado aos deputados com a Nota de Encaminhamento nº 004/2019, que baseia a reestruturação, desmascaramos o golpe contra as Agências Regionais e o fato de que os interlocutores da empresa continuam mentindo ao povo catarinense.

Ao comparar os dois documentos fica evidente a tentativa do ofício apresentado aos deputados de distorcer a realidade do projeto encaminhado através da nota de encaminhamento assinada pelo Presidente. O golpe contra a autonomia das Agências Regionais é muito claro na Nota de Encaminhamento. Os núcleos respondem gerencialmente pelas unidades, que terão uma figura de chefe que não manda. Não existe autonomia ou independência funcional se o chefe da regional-unidade tem que responder gerencialmente ao chefe da regional-núcleo.

No fim das contas, quem mandará vai ser o chefe do núcleo. Juntando várias regionais sobre a responsabilidade de uma pessoa, há um grande risco aos trabalhadores e à sociedade. A falta de conhecimento da região e das particularidades de cada local põe em risco as condições de trabalho dos celesquianos e o bom atendimento à sociedade. Além disso, o ofício afirma que “se objetivou a melhoria da qualidade de vida dos empregados”, enquanto a nota de encaminhamento deixa em aberto possíveis ataques a direitos da categoria, como acordo de desempenho, diárias, sobreaviso, periculosidade e, até mesmo, o quadro de dotação.

Infelizmente, a diretoria não compareceu ao debate onde poderia ser questionada sobre estes pontos. Com estas contradições à mostra, fica evidente a necessidade de suspender a reestruturação e abrir um debate efetivo sobre a estrutura da Celesc e seu papel para levar desenvolvimento social e econômico ao povo do Estado de Santa Catarina.

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