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Quase acidentes acendem alerta sobre possíveis falhas de comunicação na Celesc

Sinergia recebeu relatos de trabalhadores sobre problemas no despacho de ocorrências e nos sistemas utilizados pelas equipes de campo. Sindicato notificou a empresa em agosto, mas até agora não recebeu resposta

O que precisa acontecer para que um “quase acidente” seja tratado com a seriedade devida? Para o Sinergia, a resposta é simples: antes que o “quase” vire acidente — ou até uma tragédia.

O sindicato vem recebendo denúncias de técnicos e eletricistas da Celesc relatando situações de risco relacionadas, principalmente, a falhas na comunicação entre o Centro de Operação da Distribuição (COD) e as equipes que atuam em campo no Sistema Elétrico de Potência.

Os relatos apontam problemas recorrentes no despacho de ocorrências e nos sistemas utilizados pelas equipes próprias e terceirizadas. Entre as situações denunciadas estão informações incorretas sobre o estado da rede, despacho duplicado de equipes, indisponibilidade de rádios, falhas nos sistemas utilizados por tablets, ausência de cobertura de telefonia celular e funcionamento irregular da internet via satélite instalada nas viaturas.

São problemas que, em uma atividade de alto risco como a operação e manutenção do sistema elétrico, não podem ser tratados como simples falhas administrativas ou tecnológicas. A comunicação entre o COD e quem está em campo é uma das principais barreiras de segurança para evitar energizações indevidas, manobras equivocadas, atuação simultânea de equipes em um mesmo trecho e outras situações que podem colocar vidas em risco.

Sindicato cobra respostas

Diante das denúncias, o Sinergia encaminhou, em 26 de agosto de 2026, uma correspondência à Celesc solicitando informações, apuração dos casos e medidas para solucionar os problemas relatados.

Até 6 de outubro, última terça-feira, porém, o sindicato afirma que não recebeu resposta.

A preocupação aumenta porque, além dos quase acidentes, há registro de acidente com necessidade de atendimento médico e afastamento de trabalhador. Para o Sinergia, esse histórico reforça a necessidade de uma investigação séria sobre as condições de trabalho e, principalmente, sobre as falhas que podem estar se repetindo.

Quando a comunicação falha, o risco aumenta

No setor elétrico, poucos centímetros ou alguns segundos podem separar um incidente de uma ocorrência fatal.

Uma informação incorreta sobre o estado da rede, uma ordem mal compreendida ou uma manobra realizada sobre o equipamento errado podem ter consequências irreversíveis.

Por isso, situações de quase acidente precisam ser registradas e investigadas. Elas funcionam como um alerta de que alguma barreira de segurança falhou e de que é necessário corrigir o problema antes que um trabalhador seja gravemente ferido.

Na comunicação entre o COD e as equipes de campo, procedimentos como a comunicação em três vias são fundamentais: o operador transmite a ordem, o trabalhador repete a informação recebida e o operador confirma que o entendimento está correto antes da execução. Da mesma forma, a identificação do equipamento precisa ser conferida e qualquer dúvida ou divergência deve resultar na interrupção da atividade.

Se o rádio falha, se o sinal desaparece, se o sistema apresenta problemas ou se a ordem não está clara, não existe espaço para “achar” o que fazer. A atividade precisa parar até que a comunicação seja restabelecida e a condição de segurança esteja garantida.

CIPA precisa investigar as falhas

Para o Sinergia, a CIPA tem papel fundamental na apuração dos quase acidentes. Não basta registrar a ocorrência: é necessário investigar suas causas e identificar se existem falhas sistêmicas nos processos de comunicação, nos equipamentos, nos procedimentos ou nas condições de trabalho.

A análise deve buscar respostas para questões como: os protocolos de comunicação estão sendo cumpridos?

Os equipamentos utilizados são confiáveis? Existem áreas sem cobertura adequada? Os trabalhadores estão sendo pressionados pela necessidade de restabelecer rapidamente o fornecimento de energia? O excesso de trabalho ou o cansaço estão interferindo na comunicação?

São perguntas que precisam ser respondidas antes que um novo episódio aconteça.

Tecnologia não pode ser um fator de risco

Cabe à empresa garantir que os trabalhadores tenham à disposição ferramentas adequadas e confiáveis para executar suas atividades com segurança. Rádios, sistemas de despacho, tablets, telefonia e internet utilizados pelas equipes de campo precisam funcionar quando são necessários — especialmente em situações de emergência.

Também é fundamental construir uma cultura em que nenhum trabalhador seja pressionado a realizar uma manobra quando houver dúvida sobre a informação recebida. A segurança precisa estar acima da pressa pelo restabelecimento da energia e dos indicadores operacionais.

No setor elétrico, o “quase” não pode ser encarado como sorte. É um aviso de que alguma coisa precisa ser corrigida.

O Sinergia reforça a orientação para que trabalhadores comuniquem ao sindicato qualquer situação de risco ou interferência que dificulte o registro de um quase acidente. Esconder ou deixar de comunicar uma ocorrência não protege ninguém. Pelo contrário: impede que as causas sejam investigadas e que medidas sejam adotadas para evitar que o próximo episódio tenha consequências muito mais graves.

Na interface entre o COD e o campo, uma informação pode fazer a diferença entre voltar para casa no fim do dia e sofrer um acidente. Por isso, comunicação segura não é detalhe: é proteção à vida.

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