Novembro: mês da Consciência Negra Mulheres negras na luta contra a discriminação

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Duplamente discriminada, por ser mulher e negra, a catarinense Antonieta de Barros (foto ao lado) é uma figura exemplar na história de Santa Catarina. E como estamos no mês da Consciência Negra é natural lembrarmos figuras negras icônicas como ela. Esta é uma oportunidade na qual os temas relacionados à população negra ganham mais repercussão, sobretudo, no Brasil. “Por trás de nós tem muita história. A construção desse país foi feita por homens e mulheres negras, e não são contadas em lugar nenhum e se gente não resolver contar, ninguém vai contar por nós”, diz uma ativista. O dia 20 de novembro é o dia da Consciência Negra e embora esteja relacionado com a morte de Zumbi dos Palmares, não podemos esquecer que o propósito do dia deve ser compreendido no plano da luta coletiva da população negra no passado e no presente. Isso significa dizer, que ao mesmo tempo que precisamos lembrar da memória de Zumbi dos Palmares, também, é fundamental, registrar a importância das lutas das mulheres no espaço palmarino, que cada vez mais passam a ser referência de luta nos dias atuais: “Brasil, o teu nome é Dandara […] não veio do céu e nem das mãos de Isabel, a liberdade é um dragão no mar de Aracati […]” 

(Enredo da Mangueira, 2019 – “História pra ninar gente grande”). Orgulho catarinense Antonieta de Barros nasceu no dia 11 de julho de 1901, apenas 13 anos após o fim da escravidão no Brasil. Filha de uma escrava liberta que ganhava a vida como lavadeira e de um jardineiro, ela tinha uma vida com poucos recursos financeiros. Quando o pai dela morreu, a mãe de Antonieta se viu sozinha e com uma filha para criar. Foi assim que ela fez com que a casa em que viviam se tornasse uma pensão para estudantes. Essa convivência com vários tipos de pessoas fez com que Antonieta abrisse seus horizontes e se alfabetizasse. Após se formar como professora, ela fundou, em 1922, um curso de alfabetização que acontecia em sua própria casa. Além disso, ela era jornalista e escrevia crônicas sobre preconceito, direitos das mulheres e racismo. A catarinense também fundou o jornal A Semana, no qual foi diretora, e escreveu um livro em 1937. Porém, assinou a obra Farrapos de Ideias com o pseudônimo Maria da Ilha. Antonieta levava como bandeiras a luta pela educação para todos, a valorização da cultura negra e a emancipação da mulher brasileira. Em 1935, ela foi eleita a primeira deputada estadual negra do Brasil e assumiu seu cargo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Porém, com a ditadura instaurada pelo Estado Novo, ela teve seu mandato interrompido, em 1937. No entanto, em 1947, ela foi eleita de novo. Seu falecimento foi precoce. Ela morreu aos 50 anos, em 28 de março de 1952.

Neste sábado em Florianópolis haverá uma marcha (leia cartaz ao lado) na qual todos estão convidados a participar.

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