NADANDO EM DINHEIRO E IGNORANDO OS TRABALHADORES
Tal qual Dory, personagem do desenho Procurando Nemo, a Diretoria da Celesc parece ter uma doença que destrói sua memória de curto prazo. Nadando no mar de dinheiro de sua própria PLR, a qual não teve “desconforto” de pedir ao Conselho de Administração para aumentar, a Diretoria-Dory esqueceu-se do recurso apresentado pelos sindicatos da Intercel para a PLR dos trabalhadores.
No início do mês foi divulgado aos celesquianos o resultado final dos Acordos de Desempenho, considerando os recursos apresentados pelas CGRs e avaliados pela comissão. Mas nada sobre o recurso da Intercel. Dois dias antes do pagamento, o espelho da folha da PLR já estava disponível para os celesquianos, antecipando que a Diretoria ignora a necessidade de reconhecimento e valorização daqueles que produziram o lucro e alcançaram os bons resultados da Celesc.
Na última sexta-feira o depósito da PLR sacramentou a marca desta Diretoria: palavras bonitas, muita propaganda, mas nenhum pingo de respeito e valorização aos celesquianos. Mas a PLR não foi melhor do que a do último ano? Foi. E o mérito é dos trabalhadores e dos sindicatos da Intercel.
O Acordo da PLR 2023 é melhor do que o do ano anterior. Primeiro, porque os sindicatos majoritários não aceitaram o rebaixamento da PLR da categoria e conquistaram o reajuste dos valores da parcela base, aumentando o montante a ser distribuído. Segundo, porque a Intercel conseguiu incluir no Acordo a distribuição de uma parte do lucro líquido aos trabalhadores.
Em 2022, o resultado do IGD, antes do recurso, foi de 97,17. Esse ano, foi de 98,12. Ou seja, o resultado é melhor e o Acordo é melhor. Mas ainda não reflete o real esforço e a valorização necessária dos celesquianos. A produção do lucro e o alcance de resultados é obra dos trabalhadores.
Se hoje a Diretoria sai por aí colhendo os louros dos bons resultados da Celesc, é porque os celesquianos trabalharam. Agora, no momento da valorização, há um silêncio constrangedor.
O resultado da PLR 2023 foi impactado diretamente por fatores externos ao gerenciamento dos celesquianos. Ou seja, apesar de todo o trabalho e dos elogios, a verdade é que o retorno aos empregados deveria e poderia ser maior. Bastava a Diretoria sair do discurso e ir para a prática, acatando o recurso apresentado pela Intercel.
AOS AMIGOS, TUDO…
Na verdade, a Diretoria parece ter conseguido deturpar o conceito de reconhecimento: aos amigos tudo, aos demais, nada! Enquanto os trabalhadores penam para receber um retorno financeiro de seu esforço coletivo, a Diretoria que vive dizendo que qualquer avanço vai quebrar a Celesc decidiu mexer na estrutura da empresa, criando novos cargos de chefia. É o reconhecimento do mérito, dizem eles.
Aliás, a Diretoria não tem nenhum desconforto quando é para reconhecer seu próprio “mérito”. Enquanto se nega a avançar no pagamento de uma PLR justa aos celesquianos, a Diretoria já assegurou sua própria bonificação. De acordo com o portal da transparência da Celesc, um Diretor da Celesc ganha R$ 47.217,20 (quarenta e sete mil, duzentos e dezessete reais e vinte centavos), enquanto o Presidente ganha R$ 56.020,41 (cinquenta e seis mil, vinte reais e quarenta e um centavos). Considerando a informação do Boletim do Conselheiro nº 57, percebemos que o Presidente da Celesc conseguiu o milagre da multiplicação, indo de R$ 0 (zero) a R$ 251.531,64 (duzentos e cinquenta e um mil, quinhentos e trinta e um reais e sessenta e quatro centavos) em apenas uma canetada.
O fato é que TODOS os diretores foram beneficiados e tiveram sua PLR aumentada. E isso só ocorreu porque eles solicitaram e foram respondidos.
Pois os trabalhadores também exigem que o mérito de seu trabalho seja reconhecido e, por isso, foi apresentado recurso. Só que o mérito da categoria foi ignorado pelos Diretores. A situação é mais ridícula do que a do último ano, quando o recurso proposto pelos sindicatos teve um parecer técnico favorável e mesmo assim não foi aceito na totalidade. Naquele momento, apenas dois diretores votaram a favor dos celesquianos: aquele eleito por eles e o indicado pela EDP.
Isso quer dizer que 4 Diretores que são empregados de carreira, sem justificativa plausível, apenas por uma submissão vergonhosa, decidiram contra os trabalhadores. Mesmo assim, ano passado, o argumento principal da revisão, que era o expurgo de fatos não gerenciáveis pelos trabalhadores do resultado dos indicadores financeiros foi acatado, rendendo mais uma parcela e um avanço na valorização dos empregados. Este ano, apesar do argumento idêntico, a Diretoria nem respondeu.
Mas e os Diretores da “casa”? Vão ficar em silêncio, com os bolsos cheios e se beneficiando do trabalho de uma categoria que merecia muito mais respeito? Onde estão aqueles que dizem que é bom ter um empregado na Diretoria, porque na hora que precisamos eles ajudariam? Ajudam a quem?
Onde estão aqueles que venderam a imagem de defensores dos trabalhadores e agora, sentados na cadeira da Diretoria, não mexem um músculo para valorizar os celesquianos, obedecendo cegamente ao Presidente para não ter risco de cair do cargo? É fácil responder: estão embolsando entre R$ 182 mil e R$ 230 mil, os quais foram turbinados, porque em benefício próprio eles não tiveram desconforto de pedir. Será que é o dinheiro que cobre os olhos e ataca a memória destes Diretores?!
O silêncio, mais do que constranger, também responde. A resposta da Diretoria da Celesc é a do descaso e desvalorização dos trabalhadores.
É o privilégio de poucos em detrimento do coletivo. É o retrato de uma Administração que não pensa a Celesc como uma empresa pública e que, neste rumo privatista, vai atacando os trabalhadores e buscando o enfrentamento, que virá em breve.
VAMOS À LUTA!
O fato é que TODOS os diretores foram beneficiados e tiveram sua PLR aumentada. E isso só ocorreu porque eles solicitaram foram respondidos. Pois os trabalhadores também exigem que o mérito de seu trabalho seja reconhecido e, por isso, foi apresentado recurso. Só que o mérito da categoria foi ignorado pelos Diretores.”


