INTERCEL ENTREGA PAUTA DE REIVINDICAÇÕES À DIREÇÃO DA CELESC

Representantes dos sindicatos que integram a Intercel se reuniram nesta quarta-feira (5) com a diretoria da Celesc para dar início às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. Na ocasião, o coordenador da Intercel, Douglas Dutra da Silva, entregou ao presidente da empresa, Edson Moritz, a pauta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores e trabalhadoras na Assembleia Estadual, realizada no último sábado (1º), em Capivari de Baixo.

Na abertura da reunião, Moritz apresentou as prioridades da atual gestão para os próximos meses. Segundo o presidente, a empresa trabalha na preparação da Celesc para o período de 2027 a 2030, diante dos desafios relacionados à abertura do mercado de energia, ao crescimento da demanda no estado e à necessidade de ampliar a competitividade da empresa.

Entre os pontos destacados pelo presidente estão a busca por soluções para os problemas decorrentes da implantação do projeto Conecte, a reorganização financeira da empresa e a elaboração de um planejamento para os próximos anos. O presidente também defendeu a construção de uma “agenda de proteção da Celesc”, destacando a preocupação com a avaliação dos consumidores e com a possibilidade de perda de clientes diante da abertura do mercado.

Para a Intercel, a proteção da Celesc vai muito além das questões de mercado. É natural que a empresa precise se preparar e criar mecanismos para que a abertura total do mercado livre não traga um impacto irreparável no caixa da companhia, mas é preciso, principalmente, que a Diretoria e o Governo do Estado pautem as ações pelo compromisso com a manutenção da Celesc Pública. Enquanto os trabalhadores escutam promessas da Administração por uma empresa melhor, diferenciada, forte e com melhorias internas, parece que há um esquecimento deliberado em se comprometer aberta e firmemente com a Celesc Pública.

Intercel cobra atenção à pauta dos trabalhadores
Durante a reunião, representantes da Intercel manifestaram preocupação com a prioridade dada pela empresa ao planejamento estratégico e reforçaram que a valorização dos trabalhadores precisa estar no centro da construção do futuro da Celesc.

Quaisquer ações que planejem a Celesc para os próximos anos devem levar em consideração o papel fundamental dos trabalhadores na prestação do serviço público, papel principal de uma empresa pública. Considerando as recorrentes afirmações de que o foco da companhia é o atendimento ao cliente, é preciso garantir avanços nas condições de trabalho, remuneração e vida dos celesquianos, dando assim, condições para que continuem a atender a população catarinense com a qualidade que sempre foi a marca da Celesc. Neste contexto, a expectativa da Intercel é construir um acordo sem a necessidade de enfrentamento, esperando que haja disposição efetiva da empresa para avançar nas negociações.

A Intercel também chamou atenção para a necessidade de contratação de trabalhadores diante do crescimento da demanda por energia em Santa Catarina. Para os sindicatos, a recomposição do quadro de pessoal próprio, aliada à redução da terceirização é essencial para a qualidade do serviço prestado.

Pela valorização dos celesquianos
A Intercel reforçou em mesa que a empresa dê prioridade às cláusulas que são bandeiras de luta da categoria, como a garantia de emprego, a manutenção da Celesc Pública, a isonomia, a recomposição do quadro de pessoal e os dirigentes sindicais liberados. Lembrou, ainda, que as cláusulas sociais não podem ser deixadas em segundo plano pela direção da empresa.

A representação da Celesc ponderou que os resultados da revisão tarifária, previstos para serem conhecidos em 17 de agosto, poderão influenciar a discussão econômica, sugerindo que esse tema seja aprofundado posteriormente. Para os sindicatos, essas reivindicações estão diretamente relacionadas à valorização dos trabalhadores, à manutenção dos direitos conquistados e à defesa de uma Celesc pública, forte e preparada para atender às necessidades da população catarinense. Por isso, é preciso olhar o Acordo Coletivo de Trabalho para além da simples cobertura regulatória, uma vez que os acionistas também devem ter responsabilidade com a garantia aos trabalhadores de condições de atendimento à população.

A próxima reunião de negociação está marcada para a próxima quarta-feira, 12 de agosto.

Ainda sem respostas
Apesar de afirmar estar aberto ao diálogo com os sindicatos e reconhecer que a Intercel possui conhecimento e contribuições importantes para o futuro da empresa, o presidente Edson Moritz, novamente deixou a reunião antes que os representantes dos trabalhadores pudessem obter respostas para questões apresentadas em correspondência no mês de abril. Essa foi a segunda reunião que o presidente prometeu respostas e saiu sem apresentá-las.

Representantes da Intercel manifestaram preocupação com a prioridade dada pela empresa ao planejamento estratégico e reforçaram que a valorização dos trabalhadores precisa estar no centro da construção do futuro da Celesc.

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