Intercel debate problemas no atendimento comercial com DCL

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Assédio moral, adoecimentos e sobrecarga de trabalho precisam de atenção também da diretoria de gestão e da área de saúde e segurança da Celesc

Na última quinta-feira, dia 14, dirigentes sindicais do Sinergia participaram de reunião com o Diretor Comercial, Vitor Guimarães, debatendo problemas relacionados à atividade dos atendentes comerciais da Grande Florianópolis, mas que se repetem no dia-a-dia de trabalhadores de lojas de atendimento da Celesc em outras Regionais. Além dos dirigentes sindicais, participaram da reunião gerentes da DCL, trabalhadoras de 3 lojas de atendimento da base do Sinergia e os representantes eleitos pelos empregados no Conselho de Administração, Leandro Nunes e Paulo Guilherme Horn.

O relato da realidade diária nas lojas de atendimento feito pelas trabalhadoras foi fundamental para ampliar o horizonte do debate, deixando claro que os problemas ultrapassam a área de atuação da Diretoria Comercial e devem ser tratados em conjunto pela Diretoria Colegiada da empresa, pois envolvem diretamente a gestão de pessoas e as chefias das agências regionais e, principalmente, o Departamento de Segurança, Saúde e Bem-Estar (DPSS) da Celesc.

Sobrecarga de trabalho e adoecimento

De acordo com o relato, a constante falta de atendentes comerciais tem sobrecarregado os trabalhadores, levando, inclusive, ao adoecimento, seja pelo excesso de trabalho, ou pelo medo, ansiedade, angústia ao atender clientes que já chegam furiosos à loja da Celesc. Apesar do recente aumento no quadro de dotação dos atendentes comerciais, com a adoção da lógica dos atendentes volantes, a sensação é de que há defasagem por conta de constantes ausências, sejam elas motivadas por afastamentos de saúde, seja por decisões equivocadas de chefias locais que tiram trabalhadores das lojas. A situação é tão grave que os trabalhadores têm se sentido constrangidos em compensar horas-extras geradas pelo acúmulo de trabalho para não sobrecarregarem seus companheiros.

Nos últimos dias, trabalhadores pediram demissão por se assustarem com o volume de trabalho e com agressões verbais e ameaças físicas de clientes que chegam nas lojas revoltados, situação que se agrava com a falta de segurança física nas lojas de atendimento da Celesc. Para a Intercel, a situação demanda atenção conjunta entre as diretorias Comercial e de Gestão Corporativa, além de uma atuação direta do DPSS. Recém reestruturada com a criação de uma área de bem-estar, esta deve se aprofundar na realidade dos atendentes comerciais.

O Diretor se comprometeu a conversar com a Diretoria de Gestão Corporativa e com a Divisão de Saúde e Segurança para fazer uma análise sobre os adoecimentos e afastamentos, com foco em atendentes comerciais, visando melhorar a saúde e o bem-estar da categoria. Da mesma forma, a diretoria fará um levantamento acerca do quadro de dotação, levando em consideração o alto nível de absenteísmo, para buscar soluções que garantam nível adequado de trabalhadores efetivamente nas lojas.

Além da sobrecarga de trabalho, os atendentes relataram necessidades específicas da Diretoria Comercial que devem ser observadas para melhorar as condições de trabalho. Um dos principais pontos foi a necessidade de treinamento para os trabalhadores que ingressam na empresa. A falta de treinamento gera muita insegurança, assim como o fato de que muitos atendentes têm medo de fazer questionamentos ou tirar dúvidas com os gerentes, pois temem sofrer retaliação ou assédio moral. A equipe da DCL informou que tem trabalhado para intensificar a oferta de treinamento aos atendentes, inclusive estruturando vídeoaulas para aqueles empregados que não puderem se deslocar da sua Regional até o local do treinamento.

Além disso, os trabalhadores manifestaram inconformismo com a inoperância dos totens de atendimento, comprados pela Celesc há anos, mas que nunca funcionaram. Segundo a DCL, a aquisição foi feita antes desta gestão e não considerava a manutenção dos mesmos, que hoje chega a custar mais do que os próprios totens. Para a Intercel, a situação é reflexo do descaso da administração com a DCL no período onde o Diretor de Distribuição Sandro Lewandoski acumulou a diretoria, quando o único projeto era o da terceirização do atendimento.

O caso já denunciado no jornal Linha Viva sobre a mudança do protocolo Covid da Celesc para impedir que uma atendente comercial que sofre com comorbidades fosse impedida de trabalhar em regime de home office foi relatado ao Diretor Comercial, evidenciando o assédio moral a que os atendentes são submetidos pela chefia da regional de Florianópolis. É inadmissível que o protocolo da Celesc seja alterado por pressões do chefe regional, impedindo que uma trabalhadora que tem orientações médicas para não ficar exposta à risco de contágio de Covid-19, trabalhe com proteção. Pior, é condenável que a Celesc dê o poder de negar uma orientação médica a um chefe que, além de não ter conhecimento algum sobre saúde, mal sabe fazer o seu trabalho como gestor.

Terceirização e péssima qualidade no atendimento à sociedade

A terceirização tem impactado, também, na sobrecarga de trabalho, no adoecimento dos trabalhadores e na imagem da Celesc. De acordo com os relatos das atendentes, o alto número de serviços não executados ou executados com erro pelas terceirizadas tem refletido em uma procura intensa pelas lojas de atendimento, com consumidores irritados e agressivos. Os excessos de rejeição por tempo chuvoso e “não encontrado”, as rejeições parceladas (ir diversas vezes rejeitando por motivos diferentes, inclusive como “não encontrado” após encontrar na primeira visita) e denúncias de possíveis recebimentos por serviços indevidos tem lotado as lojas e criado uma situação de insegurança para os trabalhadores.

O diretor informou que nos próximos dias haverá uma reunião com o gestor do contrato e os pontos citados serão tratados na mesma. Ao longo do tempo os sindicatos têm se manifestado pelo fim da terceirização, porque além de expor os trabalhadores a mais riscos de saúde e segurança, com números alarmantes de graves acidentes de trabalho, a terceirização gera uma precarização na prestação do serviço à sociedade. Agora, este serviço precário tem se convertido em fatores de risco para os atendentes comerciais e deve ser combatido, com a internalização das atividades e com o fim da terceirização.

Trabalho conjunto e fiscalização das entidades sindicais

A equipe da Diretoria Comercial se comprometeu em levar adiante as demandas dos trabalhadores, atuando como legítima representante da categoria, uma vez que é eleita pelos empregados. Para o Diretor Comercial, as soluções passam pelo comprometimento das demais diretorias em criarem condições adequadas de trabalho para o atendimento comercial, que é a imagem da Celesc para a população catarinense. Os representantes eleitos pelos celesquianos para o Conselho de Administração, Leandro Nunes e Paulo Horn, manifestaram apoio aos trabalhadores.

Atual conselheiro, Leandro lembrou que a Diretoria Comercial, por ser eleita pelos empregados, é a real representante da categoria e deve buscar as melhorias, abrindo portas com as demais diretorias que, muitas vezes, não aceitam debater com os sindicatos. Para Paulo, a solução dos problemas relatados depende da coragem da diretoria de propor as melhorias necessárias, colocando o mandato à disposição para levar as demandas dos atendentes ao Conselho de Administração. Os sindicatos da Intercel seguirão fiscalizando os atos da diretoria colegiada da Celesc e cobrando por soluções rápidas para os problemas apontados.

Para a Intercel, além de um real comprometimento da Diretoria com o bem-estar dos trabalhadores e, consequentemente, com o atendimento de qualidade à população, é preciso avançar contra a terceirização e contra o assédio moral que tem se mostrado recorrente na regional de Florianópolis.

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