França: triunfo do povo na rua

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Protestos dos chamados “coletes amarelos” por mais de duas semanas paralisaram Paris e fizeram o governo Macron suspender decisões.

Depois de mais de duas semanas de fortes manifestações, o governo Macron da França anunciou a “suspensão” por seis meses do aumento dos preços dos combustíveis, previsto para 1º de janeiro. Também anunciou que, durante o mesmo período, as tarifas de gás e eletricidade não aumentarão. Esta é uma demonstração nítida da força dos protestos.

O insólito recuo de Macron, que sempre se gabou de que não seria intimidado pelas “ruas” só pode ser explicado pela imensa força da onda de protestos chamados coletes amarelos que sacudiram Paris e impactaram o mundo. O movimento, embora tenha se iniciado por causa da política dos combustíveis, há muito tempo superou essa reivindicação e aumentou suas demandas. E mais e mais setores sociais foram aderindo. Os manifestantes também exigem que os mais pobres e as classes médias paguem menos impostos e, por sua vez, que grandes fortunas sejam taxadas. Além disso, exigem um aumento do salário mínimo e muitos vão além e exigem a renúncia do próprio presidente Macron.

O movimento dos “coletes amarelos” (coletes obrigatórios que todo motorista deve ter no carro) que balança o governo surgiu há um mês de forma espontânea, sem filiação a nenhum grupo político, e se organizou através das redes sociais. Os eletricitários franceses apoiam o movimento e estão devolvendo a energia (luz e gás) aos consumidores que não podem pagar a tarifa ao mesmo tempo em que cortam o abastecimento de grandes empresas que estão demitindo empregados e impedindo a atuação sindical (sobretudo a Carrefour).

O lema do movimento é “Energia não é mercadoria, é um bem vital” e a iniciativa foi apelidada de “Robin Hood”.

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