Celesc se mantém reativa quando assunto é saúde do trabalhador

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Medidas de prevenção à Covid-19 só foram tomadas após muita cobrança dos sindicatos da Intercel

A Celesc possui, entre suas políticas, a de Responsabilidade Socioambiental. Dentre suas diretrizes, algumas delas parecem ser esquecidas, vez ou outra, como as seguintes: “Sustentabilidade local: saúde e bem estar da sociedade” – uma menor circulação de trabalhadores nos ônibus e em direção ao local de trabalho (daquelas áreas que poderiam manter o tele-trabalho) diminui a chance do novo coronavírus circular entre os empregados da Celesc, mas também nas comunidades ao redor; “Comunicação: Promover estreito relacionamento com suas partes interessadas, promovendo diálogo e interação baseadas na transparência” – os sindicatos da Intercel, diante de inúmeros relatos de trabalhadores, entendem que a empresa não se comunicou adequadamente durante a pandemia, deixando as pessoas seguidamente com dúvidas, procurando os sindicatos para auxiliar, pois a empresa não mantém a transparência das informações com relação ao que está acontecendo e nem ao que pretende fazer. A comunicação, quando existe, é confusa, e muitas vezes, nem os gerentes estão alinhados quanto aos procedimentos e protocolos.

Por diversas vezes, durante a pandemia, os sindicatos da Intercel conversaram com a empresa para buscar caminhos que protegessem a saúde e a vida dos trabalhadores que, em muitos casos, precisam se deslocar de ônibus, possuem comorbidades ou residem com portadores de comorbidades, idosos, ou crianças para cuja idade ainda não existe vacina.

A Política de Segurança e Saúde do Trabalho já inicia, em sua apresentação, da seguinte forma: “[…] estabelecer ambiente seguro e saudável para o trabalhador e fortalecer a integração da cultura de segurança às estratégias empresariais.” De que forma o empregado terá um ambiente seguro se, depois de dois anos do início da pandemia, muitos empregados sequer receberam uma máscara adequada para trabalhar? A ciência já provou, há mais de um ano, que a única máscara que realmente protege de contaminação em locais fechados com maior eficácia é a pff2. E quando o próprio gerente não dá o exemplo e não exige o mínimo, que é o uso da máscara no ambiente de trabalho?

Apesar dos protocolos terem sido atualizados algumas vezes, alguns cuidados com a pandemia estão sendo cada vez mais relaxados. Reuniões em salas fechadas com gerentes sem máscara são fatos comuns trazidos aos sindicatos (incluindo reuniões da própria CIPA sem os devidos cuidados), salas sem higienização após identificação de empregados positivados também têm sido relatos frequentes, entre outras situações absurdas. Os sindicatos têm por hábito denunciar semanalmente no Linha Viva a falta de cuidado da empresa com a saúde do trabalhador em vários âmbitos, e com a pandemia não tem sido diferente.

Algumas vezes as promessas eram no sentido de, se tivessem muitos empregados contaminados, os trabalhadores das áreas administrativas poderiam ficar em home office, em uma atuação reativa, completamente contrária a todas as campanhas de prevenção feitas pela própria empresa. Finalmente, após dois meses de muita insistência por parte dos sindicatos, é que a empresa levou a sério a proteção aos trabalhadores portadores de comorbidades e passou a respeitar os atestados apresentados. Essa atitude fará diferença no retorno pós feriadão de carnaval.

Outra situação que também dependeu de pressão foi a realização de testagens periódicas, o que é bastante positivo, pois em alguns momentos os empregados tiveram dificuldade de acesso a laboratórios e farmácias – contudo, a cobrança dos sindicatos pela permanência das testagens tem de ser contínua. Por fim, com muita dificuldade e também após cobranças dos sindicatos, houve uma tímida distribuição de máscaras N95.

O que se observa é que, em todos estes casos, a Celesc somente atuou após muita cobrança da categoria aos sindicatos e dos sindicatos à diretoria da empresa. Testagem em massa, distribuição de máscaras e o cuidado em manter trabalhadores com comorbidades em home office deveria fazer parte da proteção ativa da empresa e não uma resposta reativa à cobrança dos sindicatos.

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