Celesc: desconstrução, descontrole e desrespeito

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Apesar do discurso, presidente permanece fechado ao debate e punindo seus críticos

Em pouco mais de dois meses de gestão, o presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, acumula críticas e polêmicas. Primeiramente, se escondeu do debate com a sociedade, fechando as portas de uma empresa pública e deixando a imagem da empresa ser atacada sem a devida resposta. Depois encaminhou uma desestruturação administrativa da empresa, dando um passo para fechar agências regionais, precarizar o atendimento ao povo em prol do lucro e preparar a privatização da Celesc.

Por fim, permanece em um mundo de faz-de-contas onde se enxerga como unanimidade na empresa. Este talvez seja o maior erro desta breve e desastrada história de Cleicio na Celesc. A postura autoritária e arrogante tem gerado mal estar entre os trabalhadores. Como a rainha de copas do país das maravilhas, Cleicio quer o poder de cortar cabeças.

O desrespeito com o qual exonera chefias é um desrespeito com todos os trabalhadores. É a imagem de quem não está aberto ao contraponto, de quem precisa que todos concordem com ele, usando o poder da caneta para punir quem tem coragem de questionar. A exoneração do chefe de Concórdia é apenas o mais novo episódio, mas a manifestação publicada aqui no Linha Viva traz uma luz sobre os bastidores da gestão Cleicio.

Em uma prévia manifestação que gerou polêmica, Cleicio já colocou a garantia de emprego no alvo. E daí não seria o caso de perder o cargo e voltar ao local de trabalho de origem: é pé na bunda. Esta é a visão para todos os trabalhadores? Este é o diálogo da presidência? Será que aqueles que abraçaram as ideias do presidente e saíram em campanha para defender a reestruturação – e o cargo – já pensaram que fazem parte desta grande categoria de trabalhadores que o presidente quer ter o poder de demitir? A questão toma contornos de ridículo quando, agora, o presidente se coloca aberto às críticas e sugestões através do recém-lançado “Fale com o Presidente”.

De acordo com e-mail encaminhado aos celesquianos, Cleicio mantém a fábula do diálogo “franco e aberto”, colocando seu próprio e-mail à disposição da categoria. A iniciativa, como todas as anteriores, é impregnada de um populismo gigantesco. Depois das constantes mostras de autoritarismo, será que o presidente realmente espera receber críticas e sugestões? Aliás, a última crítica recebida resultou na exoneração de um chefe confirmado no cargo há pouco mais de um mês.

Na verdade, o presidente irá utilizar esta ideia para propagar a versão de que todos o apoiam. Porque, no fundo, a caixa de e-mails do presidente receberá apenas mensagens positivas daqueles que se agarram ao ego inflado e ao cargo mais do que em defender os direitos da categoria e a manutenção da Celesc Pública. São estes mesmos que saem em defesa de atitudes irresponsáveis e que atentam contra o bom serviço prestado à sociedade, que estão na linha de frente do desejo de demissão do presidente.

Os sindicatos da Intercel sempre defenderam que os cargos de chefia deveriam ser ocupados por trabalhadores próprios, em todos os níveis: chefe de loja, supervisor, gerente, administrador regional, chefe de departamento, assessores, diretores. A lógica é que um trabalhador concursado, um empregado da Celesc tem respeito pela empresa e responsabilidade social. Infelizmente, na Celesc do presidente Cleicio até os diretores que são “da casa” têm feito o trabalho sujo.

Apesar da desestruturação da empresa ter sido planejada a portas fechadas, num pequeno grupo, sem debate com ninguém, nem com a totalidade dos diretores, vem à tona uma deliberação assinada por todos, com exceção de Antônio Linhares (Comercial), que permanece em licença médica. Pablo Cupani (Geração Transmissão e Novos Negócios), Fábio Valentim (Assuntos Regulatórios e Jurídicos) e Vitor Lopes Guimarães (à época, Diretor de Distribuição) deram aval ao golpe contra as regionais.

Talvez considerem que essa lealdade os manterá no cargo, uma ilusão tão grande que o próprio Vitor já perdeu o cargo, depois de viajar pelo estado apresentando a Celesc ao Presidente. Uma postura egocêntrica com auxílio de ambições pessoais e mentiras é uma mistura perigosa para a Celesc Pública, para os direitos dos trabalhadores e para o atendimento à sociedade. É desta forma que o presidente tem encaminhado a reestruturação da empresa, primeiro passo à privatização. Mas o disfarce não demora a cair e o próprio e-mail do presidente reconhece que é o fim da autonomia das Agências Regionais.

O organograma apresentado já demonstra que as unidades passam a ser subordinadas aos núcleos. Ou seja, na prática, as 8 unidades serão escritórios sem poder de decisão, precisando do aval da chefia dos núcleos. O próprio chefe do núcleo agora é uma “carreira superior” (o que talvez tenha motivado ainda mais os defensores do projeto que sentam nesta cadeira).

Os sindicatos da Intercel continuarão denunciando a irresponsabilidade do presidente com o patrimônio público e os impactos ao povo de Santa Catarina. É preciso abrir o debate com a sociedade, expondo as mazelas desta nova estrutura e os riscos da privatização. É preciso união da categoria para lutar contra um projeto que será ruim para todos

De acordo com email encaminhado aos celesquianos, Cleicio mantém a fábula do diálogo “franco e aberto”, colocando seu próprio email à disposição da categoria. A iniciativa, como todas as anteriores, é impregnada de um populismo gigantesco. Depois das constantes mostras de autoritarismo, será que o presidente realmente espera receber críticas e sugestões? No fundo, a caixa de emails do presidente receberá apenas mensagens positivas. daqueles que se agarram ao ego inflado e ao cargo mais do que defender os direitos da categoria e a manutenção da Celesc Pública.

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