A Celesc é do povo

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A Celesc não pertence a um monarca, como quer o conselheiro Marcelo Gasparino

No dia 11 de janeiro, foi publicado no jornal Diário Catarinense um artigo do representante dos minoritários no Conselho de Administração, Marcelo Gasparino. Com o título: “A Joia da Coroa”, o artigo utiliza dados frágeis e convenientes para induzir a população a acreditar que o Governo do Estado têm gerido mal a empresa e, consequentemente, que seria melhor deixar a iniciativa privada tomar conta da maior estatal catarinense.

Esta forma de enganar é uma característica antiga da elite do poder. No livro “A Elite do Atraso”, o sociólogo Jessé de Souza demonstra como um conceito de ódio ao Estado, enraizado na nossa sociedade, faz com que o discurso do mercado iluda muita gente a ponto de destruir a indústria nacional e entregar o patrimônio público a preço de banana para a elite do dinheiro, essa sim a responsável pelo atraso e desigualdade. Essa é a estrutura do artigo escrito por Gasparino. Velho conhecido dos trabalhadores da Celesc, o atual conselheiro é indicado de um dos maiores inimigos da Celesc Pública: Lírio Parisotto. Escondido dos holofotes, o especulador tem em seu fiel escudeiro a fachada necessária para continuar a busca pela privatização da Celesc, e lucrar, sem se importar com a qualidade do serviço prestado à população.

No artigo, Gasparino cita que o valor da Celesc na Bolsa de Valores caiu cerca de 35% em um prazo de sete anos. Cita também o endividamento da companhia, cita Celos e forma um caldo de números aleatórios, para em um tom alarmista se autodeclarar o único conselheiro que, responsavelmente, tem votado contra os prejuízos. Seguindo a lógica de demonizar as ações do Estado e caracterizá-lo como irresponsável e incapaz, Gasparino puxa o saco da EDP, empresa também acionista minoritária da Celesc que tem interesses declarados de assumir o controle da companhia. Ou seja, Gasparino joga dados desconexos e facilmente contestáveis para criticar a gestão pública da empresa e incensar os acionistas privados na esperança de convencer os catarinenses que de que a privatização é boa e garantir lucro fácil com a venda do patrimônio público.

Nesta quinta-feira, um artigo desmontando as falácias de Gasparino foi publicado também no Diário Catarinense. Assinado pelo coordenador da Intercel, Amilca Colombo, o texto contou com a capacidade técnica e expertise de trabalhadores da Celesc para apresentar ao povo o contraponto, demonstrando que uma Celesc Pública é muito mais eficiente e atende com maior qualidade a sociedade. A análise “simplória e conveniente” feita por Gasparino na questão do valor das ações é destruída já no segundo parágrafo: “Se o Conselheiro  considerasse o valor da ação no dia anterior em que o artigo foi publicado demonstraria aos leitores que o valor acionário evoluiu 80% nos últimos 3 meses”. Na sequência, o retrato de investimentos irresponsáveis pintado pelo conselheiro também é desmontado: “Nos últimos 10 anos, a Celesc investiu em mais de 30 subestações, além de modernizar e ampliar dezenas de já existentes;  ampliou em mais de 20 mil quilômetros as redes de distribuição e garantiu o atendimento de quase 1 milhão de novas unidades consumidoras”, tudo isso com o trabalho altamente capacitado dos celesquianos. “A empresa tem eficiência operacional garantida por profissionais com grande qualidade técnica e compromisso com os catarinenses”, afirma.

O artigo da coordenação da Intercel lembra a sociedade algo que Gasparino, também convenientemente, esquece. A Celesc foi eleita a 2º melhor distribuidora de energia do Brasil e a 2º melhor de toda a América Latina e Central. A questão que irrita o conselheiro e seu patrão é o fato de a empresa investir para melhorar a qualidade do atendimento à população ao invés de dar vultosas cifras para os acionistas. Esse é, na verdade, o choro do conselheiro: a empresa pública tem responsabilidade com o Estado de Santa Catarina, e não com a conta bancária de especuladores. Recentemente, o Governador do Estado falou aos celesquianos, defendendo a manutenção da empresa pública, para desenvolvimento social do Estado.

Gasparino classifica a Celesc como a “joia da coroa”. A coroa é o símbolo de uma monarquia, de um sistema onde um só manda e o resto obedece. O rei era aquele que tinha o poder de mandar matar e de deixar viver. Basicamente aquilo que eles pretendem fazer com os trabalhadores na privatização. Por isso, esta é uma analogia muito ruim para a Celesc. A Celesc é do povo e não existe um monarca absoluto que decidirá seu destino. Por força de lei, o povo catarinense, que reconhece a excelência do serviço prestado pelos trabalhadores da Celesc, tem que ser consultado sobre o destino da empresa. Para o conselheiro, que defende quase que religiosamente a venda da empresa, ou seja, a apropriação da coroa que pertence ao povo pelo “rei do capital”, parece pertinente lembrar uma famosa frase de Jean Meslier: “O povo só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.


O artigo da coordenação da Intercel lembra a sociedade algo que Gasparino, também convenientemente, esquece. A Celesc foi eleita a 2º melhor distribuidora de energia do Brasil e a 2º melhor de toda a América Latina e Central. A questão que irrita o conselheiro e seu patrão é o fato de a empresa investir para melhorar a qualidade do atendimento à população ao invés de dar vultosas cifras para os acionistas.

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