Sinergia e Cerej realizam primeira reunião de negociação do ACT 2026/2027
Cooperativa negou a concessão de cláusulas novas aprovadas em assembleias. O Sinergia solicitou brevidade para a próxima rodada de negociação
O Sinergia e a representação da Direção da Cerej se reuniram na última quarta-feira, 6 de maio, para a primeira rodada de negociação do Acordo Coletivo 2026/2027. A reunião teve um início difícil: apesar de a empresa indicar a reposição das cláusulas financeiras pelo IPCA e ganho real, num total de até 6,5% de reajuste, houve o indicativo de que o salário inicial dos empregados que ingressassem na companhia a partir de maio de 2026 não teriam o piso reajustado com o percentual do ganho real, sob argumento de que há necessidade de diferenciar os salários de novos empregados com os que já estão há mais tempo na empresa.
O Sinergia discordou do argumento, lembrando que logo esses novos empregados estarão na Cerej e que haverá um rebaixamento do salário inicial para os futuros empregados. O sindicato também afirmou que, para haver o reconhecimento e valorização de empregados mais antigos, não pode haver rebaixamento do piso, mas que há ferramentas para valorizar os empregados há mais tempo na casa, como o anuênio e a implantação de um Plano de Cargos e Salários. A empresa fará um debate interno e esta cláusula retornará na próxima reunião.
Outros pontos terão de retornar na próxima rodada de negociação do Acordo Coletivo: a empresa sinalizou com a negativa das cláusulas novas propostas pela categoria nas assembleias, como, por exemplo, o desconto do auxílio transporte, que beneficiaria uma quantidade mínima de trabalhadores e traria um impacto financeiro pífio para a cooperativa.
Outras cláusulas novas negadas nessa primeira reunião foram a possibilidade de cada base da Cerej ter um carro 4×4 – ausência sentida em duas localidades, que ainda utilizam um veículo simples, mesmo tendo uma rotina de trabalho em estradas de terra e lama – e a criação de áreas de descompressão aos trabalhadores – cuja criação poderia ser escalonada ao longo do meses, até o fim da vigência do Acordo, mas foi negada sumariamente. A possibilidade de aquisição de carros 4×4 para as duas bases foi apontada pela representação da empresa que poderá ser resolvida até o fim do ano, mas, num primeiro momento, não foi aceito inserir no Acordo Coletivo.
Além dessas negativas, a possibilidade de implantação de um Plano de Cargos e Salários, a concessão de anuênio e o aumento da coparticipação da empresa na mensalidade do convênio médico também foram negadas. Sobre o anuênio, o Sinergia indicou que a empresa poderia trazer uma contraproposta, como o pagamento a partir de janeiro de 2027, mas a empresa voltou a negar.
A Cerej manifestou sua intenção de fazer alterações em duas cláusulas já existentes em Acordo: a cláusula 36 (Pré-Aposentadoria) e a 53 (Dano Causado pelo empregado).
A cooperativa trará para o debate essa proposta de alteração na próxima rodada de negociação.
Em entrevista ao Linha Viva, o dirigente do Sinergia Carlos Alberto de Souza disse que “aguarda que a próxima reunião seja agendada com a maior brevidade possível, tendo em vista que o Acordo 2025/2026 foi prorrogado até o dia 30 de maio e, até essa data, o Acordo precisa estar negociado e as Assembleias realizadas junto aos trabalhadores”.



