Tribuna Livre: “Um governo que aponta”

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Uma alegoria do bolsonarismo governamental

Por Paulo Guilherme Horn, diretor do Sindinorte e jornalista da Intercel

Coube a trabalhadores protagonizar uma das imagens mais impactantes deste início de 2019. Logo no terceiro dia do ano, terceiro dia de mandato do Presidente Jair Bolsonaro, uma determinação serviu para uma analogia ao futuro dos direitos trabalhistas. Extinto pelo novo Governo, o Ministério do Trabalho não aparece nem mais na fachada dos prédios da esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O fatiamento das atribuições do Ministério do Trabalho entre outras pastas é também uma bela ilustração do que nos aguarda. Enquanto dividem o espólio roubado dos trabalhadores, anunciam novos ataques.

Mesmo após a reforma trabalhista do Governo Temer ter rasgado a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), reduzindo direitos e atacando sindicatos, o presidente tem afirmado que há muita proteção para os trabalhadores. Aponta para a necessidade de uma nova reforma trabalhista, beirando a informalidade – e aprofundando os cortes nos direitos.

Aponta também para o fim da justiça do trabalho. Ou seja, além de poucos direitos, quando estes não forem respeitados (o que sempre acontece), você não terá mais como contestar. A justiça servirá apenas a uma casta de abastados que exploram o suor dos trabalhadores.

Bolsonaro é o presidente das alegorias. A maior delas é sua marca registrada: a mania de fazer “arminhas” com as mãos. Mas ela não é uma alegoria de masculinidade, de força ou qualquer outra baboseira que conquista moleques (ou quem pensa como moleque). Também não é uma imagem de luta contra bandidos (é só ver seu ministério). É da violência contra o povo. Contra as minorias. Contra negros, pobres, índios. Contra cada trabalhador brasileiro.

A cada gesto de “arminha” apontada, estão dando um tiro em algum direito que lutaram para você ter. Cada tiro acaba com uma conquista. E conquistas, são feitas de lutas árduas. Por que, em lugar nenhum do mundo, um benefício para o povo, para os trabalhadores, cai do céu. Por isso que é uma conquista. E nossas conquistas estão caindo a cada “tiro”.

Existe na política um período chamado “lua de mel” do governo. São, basicamente, os seis primeiros meses onde a população apoia e espera melhoras. Em 10 dias, só vimos “tiros” e erros. Anúncios feitos e desmentidos. Ainda há quem ache que o governo está no caminho certo.

O que é estanho e incompreensível, pois recente pesquisa de opinião pública demonstrou que a maioria da população é contra a venda de estatais – principal plano econômico – e contra a liberação das armas – principal promessa e alegoria de todo o bolsonarismo.

Sem querer ser pessimista (“mas vocês já tão torcendo contra”), o fato é que uma hora a lua de mel acaba e não tem casamento que resista à violência, mesmo de “arminhas” feitas com as mãos.

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