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O apagão do Rio Grande do Sul é culpa da privatização

Reprodução: Confederação Nacional dos Urbanitários

O temporal registrado na madrugada da segunda-feira da semana passada, dia 21, deixou mais de 160 mil consumidores sem energia somente na região de Pelotas e Rio Grande.

O pico na área da CEEE Equatorial foi às 5h20, com 588 mil unidades consumidoras no escuro. Somando a área da CPFL RGE, o estado chegou perto de 940 mil pontos sem energia.

No extremo sul do estado, uma torre de 525 kV da Axia, antiga Eletrobras, caiu sobre a rede de transmissão da CEEE Equatorial entre Vila da Quinta e Taim, em Rio Grande. O corte atingiu mais de 10 mil consumidores em Santa Vitória do Palmar e 3,9 mil no Chuí. A Defesa Civil local relatou cidade inteira sem luz, água dependente de geradores e sinal de celular fora do ar.

O ciclone de 6 de agosto danificou 26 torres de transmissão, sendo 24 da Axia e duas da CEEE Equatorial. Santa Vitória do Palmar ficou mais de 115 horas sem energia naquele episódio. Sem eletricidade, moradores perderam alimentos e passaram a recarregar celulares em postos de combustível.

Não dá para responsabilizar a natureza pelos apagões.

O apagão no Rio Grande do Sul tem histórico documentado desde a privatização, e é esse histórico que precisa aparecer. O clima extremo entra como dado que exige mais investimento e mais gente em campo. As concessionárias privadas, no entanto, usam esse mesmo motivo climático como justificativa para ineficiência.

Os trabalhadores e trabalhadoras da categoria enfrentam efetivo reduzido e escala apertada para religar a rede. A população fica dias sem luz, sem água, telefone e dignidade.

A venda da CEEE-D por R$100 mil A privatização da CEEE-D abriu esse ciclo. A Equatorial venceu o leilão de 2021 com a única oferta apresentada, de pífios R$ 100 mil. A operação exigiu mudar a Constituição estadual, que previa plebiscito para a venda da empresa. O argumento oficial na época era o passivo: dívidas tributárias, previdenciárias e financeiras de R$ 6,7 bilhões.

Dos cerca de 2,5 mil empregados, 998 aderiram ao PDV da Equatorial, e a empresa demitiu outros. Em audiência da CPI que foi instaurada, um representante de moradores de Viamão ligou a piora do serviço à saída dos trabalhadores antigos, que conheciam a rede. Além disso, apontou a contratação de profissionais inexperientes e a falta de capacitação como causas da morte de três trabalhadores em Capão da Canoa, Bagé e Palmares do Sul.

No ranking da Aneel de 2025, a CEEE Equatorial teve o pior desempenho, com índice de 0,98, contra 0,54 da primeira colocada. Na média nacional, a qualidade da distribuição melhorou em relação a 2024. O Rio Grande do Sul andou na contramão.

A CPI da Energia da Assembleia Legislativa terminou em dezembro de 2025 com divergência entre relatório oficial e voto em separado. O voto em separado apontou que 95,2% dos conjuntos elétricos operaram fora dos limites regulatórios em 2024. Segundo o mesmo documento, a empresa pediu redução de metas contratuais em 2025, e a Aneel aceitou.

O texto registra ainda a distribuição de R$ 1,8 bilhão a acionistas enquanto o endividamento seguia acima dos limites contratuais.

A transmissão que caiu no extremo sul é da Axia Energia, nome adotado em 2025 pela Eletrobras, privatizada em 2022, durante o governo Bolsonaro. Em São Paulo, a CPI da Enel na Assembleia paulista apontou irregularidades e negligências da concessionária entre 2018 e 2023. O padrão se repete em estados e empresas diferentes. Por isso, o fio puxa a discussão sobre controle público dos serviços essenciais e segurança energética como questão nacional.

As empresas privadas que tomam conta do sistema elétrico brasileiro visando apenas suas arrecadações e distribuições de lucros entre acionistas, a forma como suas operações funcionarão ou se a população continuará tendo prejuízos, é mero detalhe e ficam por conta do poder público, até que nenhum lucro possa mais ser apurado. Privatização mata.

Mais um longo apagão no RS. Por quê?

Por que o Rio Grande do Sul sofre apagões tão longos?
O histórico de apagões no Rio Grande do Sul é documentado desde a privatização da CEEE-D. As concessionárias privadas reduziram o efetivo de trabalhadores e apertaram as escalas, o que atrasa a religação da rede. No ranking da Aneel de 2025, a CEEE Equatorial teve o pior desempenho de qualidade de distribuição do País.

Quanto a Equatorial pagou pela CEEE-D?
A Equatorial venceu o leilão de privatização da CEEE-D em 2021 com uma oferta de apenas R$ 100 mil, sendo a única proposta apresentada. Para viabilizar a venda, foi necessário mudar a Constituição Estadual, que previa plebiscito para essa operação.

Quantos trabalhadores foram demitidos na privatização da CEEE-D?
Dos cerca de 2,5 mil empregados da CEEE-D, 998 aderiram ao PDV oferecido pela Equatorial e a empresa demitiu outros funcionários. Uma audiência da CPI da Energia relacionou a perda desses trabalhadores experientes à piora do serviço e a acidentes fatais na rede.

O que a CPI da Energia apontou sobre a CEEE Equatorial?
O voto em separado da CPI da Energia da Assembleia Legislativa do RS apontou que 95,2% dos conjuntos elétricos da CEEE Equatorial operaram fora dos limites regulatórios em 2024. O documento também registra que a empresa distribuiu R$ 1,8 bilhão a acionistas enquanto o endividamento seguia acima dos limites contratuais.

De quem é a torre de transmissão que caiu no extremo sul do RS?
A torre de 525 kV que caiu entre Vila da Quinta e Taim, em Rio Grande, é da Axia Energia, nome adotado em 2025 pela Eletrobras, privatizada em 2022 durante o governo Bolsonaro. O episódio deixou mais de 10 mil consumidores sem energia em Santa Vitória do Palmar.
Fonte: Reprodução/CNU

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