MENTINDO DE NOVO, TARCÍSIO?

EM ENTREVISTA À RÁDIO REGIONAL FM, DE FLORIANÓPOLIS, PRESIDENTE DA CELESC ATACA SINDICATOS PARA ESCONDER A INCOMPETÊNCIA DE SUA GESTÃO

O dicionário conceitua mentira como “uma afirmação contrária à verdade, feita com a intenção de enganar”. E essa é a intenção do Presidente da Celesc, Tarcísio Estefano Rosa. Não é de hoje que, diante das críticas dos trabalhadores e das entidades sindicais diante de uma gestão incompetente e privatista, Tarcísio escolhe atacar a representação dos empregados.

Nesta quinta-feira, dia 30, Tarcísio concedeu entrevista ao radialista Luiz Carlos Goedert, no programa Bom dia Regional, da rádio Regional FM. O simples fato de Tarcísio ter “saído da toca” é resultado do movimento dos trabalhadores, realizado no dia 23 deste mês, durante reunião do Conselho de Administração. A realidade é que em mais de um ano, o Presidente e sua Diretoria tem se escondido de prestar explicações à sociedade, ao mesmo tempo em que não conseguem garantir condições mínimas de saúde e segurança no Trabalho.

Infelizmente, quando se esperava que Tarcísio utilizasse o espaço público na mídia catarinense que a Celesc têm pelo seu histórico de bons serviços prestados para defender os trabalhadores e a empresa pública, o que se viu o mesmo show de horrores de um Presidente que é incapaz de admitir os problemas de sua gestão, incapaz de defender a Celesc Pública e os celesquianos e que a cada momento tenta criar um embate com as entidades sindicais para tirar o foco de seu fracasso.

Vejam o diálogo a seguir, transcrito da entrevista:

Radialista: Agora, a Celesc tá fazendo uma campanha no sentido de não ir na loja e resolver pelo whattsapp.

Tarcísio: Esse é o nosso propósito.

Radialista: E consegue resolver?

Tarcísio: Esse é o nosso propósito. A gente até lamenta às vezes, a gente vê a movimentação até de próprio sindicato de empregados reclamando de empregados. Isso não faz sentido. Tem uma parte de sindicato da empresa, Intercel, que abrange eletricistas e atendentes e faz um movimento contra. Ora, somos nós empregados que temos que resolver. Resolver para a sociedade. Nosso objetivo é atender bem à sociedade.

Tarcísio poderia ter utilizado o espaço para informar a população. Dizer que neste momento, se não for algo urgente, que a sociedade busque o atendimento nos canais virtuais. Poderia ter pego o gancho e defendido os trabalhadores, exaltado a dedicação e comprometimento dos atendentes que tem sofrido diante da falta de gestão e de um sistema que não funciona. Poderia ter feito muita coisa boa, mas preferiu mentir. Tarcísio afirma que a Intercel tem feito críticas aos trabalhadores. Essa fala não é nova. Em junho de 2024, Tarcísio fez um vídeo sofrível destinado aos empregados, acusando a Intercel de “jogar a população contra os empregados”.

Na época, o Boletim da Intercel nº 226 foi taxativo: “Tarcísio Mente”. Naquele momento, os sindicatos iniciavam uma ação em defesa dos trabalhadores, apontando a responsabilidade da Diretoria e do Governador nos problemas da implantação do Projeto Conecte e no atendimento à população. Para o Presidente, cobrar que a gestão da empresa faça gestão e dê condições aos trabalhadores é pôr a população contra os trabalhadores. Faz sentido? Não. Mas, vergonhosamente, essa é a tônica das manifestações do Presidente da Celesc.

A mentira desta quinta-feira vem na esteira da mobilização realizada durante a reunião do Conselho de Administração. Aliás, diferente do Presidente da Celesc,
o Conselho de Administração foi receptivo às demandas dos trabalhadores. A correspondência entregue ao Presidente do Conselho deixa claro que a demanda era cobrar de quem faz (ou deveria fazer) a gestão da Celesc que dê soluções concretas para garantir condições de trabalho, saúde e segurança para os celesquianos e, consequentemente, garantir um bom atendimento à sociedade.

Em nenhum momento os sindicatos criticaram os trabalhadores. A crítica é à Diretoria e a Diretoria não são os trabalhadores. Falas como a do Presidente, tentando culpar entidades sindicais não passam da tentativa de criar uma cortina de fumaça que impeça a sociedade de ver que eles, a Administração, são os responsáveis. É interessante notar, também, como Tarcísio tenta dividir os trabalhadores, mentindo que os sindicatos majoritários não representam todos os trabalhadores.

A mentira já havia ecoado no dia do ato, em comunicado encaminhado à imprensa que dizia que “o movimento estaria sendo liderado pelo sindicato que representa uma parte dos empregados, especialmente eletricistas e atendentes comerciais. Entretanto, destaca que os profissionais representados pelos demais sindicatos, como os engenheiros, os eletrotécnicos, os administradores, advogados, economistas, contadores, químicos, entre outros, continuarão a exercer normalmente as suas funções”. É verdadeiro que os sindicatos diferenciados não participaram do movimento. Nunca o fazem. Mas trabalhadores de TODOS os cargos, que são representados pela Intercel e que entendem que esta é uma luta coletiva estiveram no ato de 23 de janeiro, expondo mais uma mentira da Diretoria.

Tarcíso mente, porque falar a verdade seria admitir a incompetência de sua gestão, que passado quase um ano da mudança, não consegue garantir a funcionalidade do sistema. Mente porque falar a verdade seria admitir que sua gestão privilegia o lucro precarizando condições de trabalho, negando-se a contratar empregados e atentando contra os direitos dos trabalhadores.

Talvez essa seja a intenção do Presidente, como escrevemos no início deste Boletim. Mas é muito pior: é um projeto. Tarcísio não é tolo, nem o são os seus pares na Diretoria. De mentira em mentira, Tarcísio vai abrindo o caminho da privatização. E para privatizar, destruir a imagem da empresa faz parte da cartilha. Seria esse um plano de Governo?

Enquanto Tarcísio mente, a Intercel continua a lutar para que os trabalhadores sejam respeitados, tenham condições de trabalho, saúde, segurança, remuneração e vida. Não nos esconderemos do nosso papel de defender os celesquianos e a Celesc Pública e continuaremos a expor quem mente para justificar a própria incompetência.

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