INSEGURANÇA: DESDE 2012, 14 TRABALHADORES MORRERAM EM ACIDENTES DE TRABALHO NA CELESC

No dia 01 de dezembro, um trabalhador terceirizado que prestava serviços à Celesc perdeu a vida em uma manutenção da rede de distribuição. As causas do acidente estão sendo investigadas e é preciso ter a responsabilidade que fato tão trágico requer, afinal de contas, é da vida de um companheiro eletricitário que estamos falando. Entretanto, é impossível não apontar o crônico problema da Celesc em garantir condições de saúde e segurança de trabalho a empregados próprios e terceirizados.

O descaso com a vida dos trabalhadores perpassa várias Administrações da empresa, sendo que desde 2012 a Intercel atua como assistente do Ministério Público do Trabalho (MPT), fiscalizando o cumprimento de um acordo firmado em substituição a uma Ação Civil Pública impetrada pelo órgão por conta dos alarmantes dados de acidentes de trabalho na empresa. E desde lá, foram 14 acidentes fatais, já considerando o ocorrido esta semana. Dados divulgados pela própria área de segurança (clique aqui para conferir) demonstram que, até outubro deste ano, foram contabilizados 98 acidentes de trabalho típicos, sendo 44 com trabalhadores próprios e 54 com terceirizados. As informações de estatísticas de acidentes de trabalho iniciam em 2016.

Somando os dados, em um período de 8,5 anos (de janeiro de 2016 a outubro de 2024), foram 911 acidentes de trabalho típicos. Avançando um pouco, em consulta ao Monitoramento Semanal de Acidentes – MSA (clique aqui para conferir) na Celnet encontramos os dados consolidados na quinzena de 04 a 17 de novembro, demonstrando mais um aumento na quantidade de acidentes: 104 no total.

Os números contrastam com as manifestações da Diretoria da empresa diante do Procurador do Trabalho. Bimestralmente, a Celesc é obrigada a encaminhar ao MPT um relatório de acompanhamento das 45 ações definidas no acordo, que são auditadas pelos sindicatos da Intercel. Em março deste ano, durante audiência com o Procurador do MPT, a Diretoria da Celesc afirmou que “a segurança agora faz parte dos valores da CELESC”, “que desde 2021 foi inserida no planejamento estratégico da empresa” e que “a CELESC contratou uma consultoria de renome internacional para apoio nessas questões”. Entretanto, das 45 ações estabelecidas no acordo, a Celesc segue descumprindo 20 – entre elas ações objetivas para resguardar a vida dos empregados próprios e terceirizados, como a realização de um amplo diagnóstico de agravos físicos e mentais destes trabalhadores.

A empresa tem investido muito em divulgar as ações do “Projeto de Transformação Cultural em segurança”, conduzido pela consultoria DSS+. Em um primeiro momento, foi possível visualizar avanços, mas a continuidade de elevados índices de acidentes leva à percepção de que, diferente do que diz a Diretoria da empresa, segurança está longe de ser um pilar estratégico da Celesc. Apenas nesta Administração, três acidentes fatais ocorreram, vitimando um companheiro próprio e dois terceirizados.

Avaliar um curto espaço de tempo e ignorar o histórico só aprofunda os riscos à saúde e segurança dos trabalhadores. Infelizmente, não é possível evitar os acidentes que já aconteceram, mas as ações de correção devem partir do momento atual e a Diretoria é responsável por fazer o discurso virar prática, de forma urgente. Com dados consolidados, várias questões sem resposta demonstram que ainda há uma grande negligência por parte da Administração com a segurança dos trabalhadores.

Em um cenário de falta de pessoal, sobrecarga de trabalho e aumento de terceirização, a insegurança se mostra não como uma fatalidade, mas sim um planejamento. A Intercel acompanhará a investigação do acidente, encaminhando junto ao Ministério Público do Trabalho ações que resguardem a vida dos trabalhadores. Os sindicatos tem priorizado e cobrado da Celesc o respeito pela saúde, segurança e vida dos trabalhadores próprios e terceiros e o resultado do trabalho não pode ser meramente financeiro. Deve se ter, antes de tudo, respeito à vida.

“Em um cenário de falta de pessoal, sobrecarga de trabalho e aumento de terceirização, a insegurança se mostra não como uma fatalidade, mas sim um planejamento.”

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