Gretter, um homem gentil e educado

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Por Luiz Cézare Vieira e Paulo Sá Brito

Em um ambiente onde prevalece a pressão, onde os embates são árduos, onde o enfrentamento exige firmeza, perseverança e, muitas vezes, inflexibilidade, Orlando Nestor Gretter chegou com seu modo pacato, educado, gentil, flexível. E com a mesma rapidez que solucionava problemas no trabalho, conquistava amizades.

Executando serviços gerais, pequenos consertos e instalações, esse italiano de fala mansa angariava simpatias por todo lugar onde passava. Essas credenciais o guindaram à diretoria do Sindicato dos Eletricitários do Vale do Itajaí e logo à presidência da entidade, que ocupou por longos nove anos.

“Eu nunca quis ficar tanto tempo, mas é difícil renovar”, nos confessou quando o entrevistamos para o livro que conta os 60 anos de história do Sintevi. Contou-nos também que, pela causa sindical, “abriu mão de muitas coisas da vida pessoal”. Mas garantiu “gostar e acreditar” no que fazia.

A crença em uma nova sociedade, cujos valores não estivessem na acumulação de riquezas, era uma convicção: “Sou um socialista. Defendo a classe trabalhadora”. Sabendo que se afastaria do sindicato, ele acrescentou, emocionado: “Vou defender a categoria dos eletricitários pelo resto de minha vida”.

Na última vez que nos vimos, antes dele se hospitalizar, prometeu – e infelizmente não chegaria a cumprir – repetir o almoço que preparara enquanto produzíamos o livro: linguiça com pirão. Cardápio simples, singelo, puro, desprovido de luxo e de enfeites desnecessários, como sempre foi Orlando Nestor Gretter.

Com a mesma rapidez que solucionava problemas no trabalho, conquistava amizades.

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