EDP tomando conta?

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Marcos Penna, diretor indicado pela EDP, assume interinamente a diretoria de Gestão corporativa

O assédio da EDP para privatizar a Celesc tomou proporções muito mais preocupantes para os celesquianos. Na quarta-feira, dia 23, o Presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, informou a coordenação da Intercel sobre uma mudança na Diretoria de Gestão Corporativa (DGC), decorrente da indicação de um novo diretor na empresa. Na reunião do Conselho desta quinta-feira, o Diretor Pablo Cupani Carena apresentou a renúncia da DGC, com o objetivo de focar nos processos de geração, transmissão e novos negócios.

Desta forma, o Conselho de Administração aprovou a indicação do Diretor de Planejamento e Controle Interno, Marcos Penna, para ocupação interina do cargo. Diretor da Celesc desde o início de 2020, Penna é ligado à EDP, tendo feito carreira na empresa. Conforme ATA da reunião do Conselho divulgada pela Celesc, o Representante dos Empregados no Conselho de Administração da Celesc, Leandro Nunes, manifestou a preocupação com o fato, propondo uma alteração provisória na estrutura da DGC que transfira o Departamento de Gestão de Pessoas (DPGP) para responsabilidade do Presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, evitando que a acionista minoritária da Celesc tenha poderes sobre as negociações coletivas de direitos dos trabalhadores.

A “dança das cadeiras” deve ser concluída em reunião extraordinária do Conselho de Administração, que deverá dar posse à nova indicação para ocupar uma diretoria. Para as entidades sindicais, a consolidação de um diretor ligado à empresa que mais vem assediando a Celesc para privatizá-la em uma diretoria que trata diretamente dos direitos dos trabalhadores é um atentado à categoria.

Mesmo que o Conselho tenha buscado minimizar este impacto, retirando o DPGP das responsabilidades do Diretor Interino, a Diretoria de Gestão nas mãos da EDP é um risco de, em um curto espaço de tempo, haver a tentativa de aplicação da lógica privada aos contratos de trabalho dos celesquianos. Não é novidade para ninguém que a privatização tem como consequência a precarização das condições de trabalho e o rebaixamento de direitos e benefícios dos trabalhadores, estes conquistados através de muita luta. Será que a EDP busca o caminho contrário?

Primeiro atacar os direitos dos trabalhadores para tornar a privatização mais barata? Esse é um risco que a categoria não pode correr. Além disso, a mudança na DGC em meio à negociações fundamentais para os trabalhadores liga um sinal de alerta. Depois de um início muito ruim com a antiga diretora, a DGC encontrou um equilíbrio com a condição do Diretor Pablo, que demonstrou em seu período conduzindo as negociações com os sindicatos da Intercel muito respeito com as demandas dos trabalhadores.

Recentemente, em reunião com a Intercel, o Presidente e o então Diretor de Gestão se comprometeram a avançar na negociação da PLR 2021 e do Salário Inicial antes do início da data-base. Mas e a EDP, agora na cadeira da Gestão, está disposta a reconhecer e recompensar os trabalhadores? Os sindicatos da Intercel já buscaram uma reunião com o presidente da empresa para debater o assunto, uma vez que a responsabilidade pelas indicações é do Governo Estadual. Da mesma forma, os sindicatos estão em contato com os parlamentares catarinenses para impedir qualquer movimentação que seja um risco à manutenção da Celesc Pública.

Mesmo que o Conselho tenha buscado minimizar este impacto, retirando o DPGP das responsabilidades do Diretor Interino, a Diretoria de Gestão nas mãos da EDP é um risco de, em um curto espaço de tempo, haver a tentativa de aplicação da lógica privada aos contratos de trabalho dos celesquianos.

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