EDP ataca: constante assedio do CEP da EDP demonstra ofensiva da empresa para privatização da Celesc

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Novamente, o CEO da EDP Brasil, João Marquez da Cruz, defendeu a privatização da Celesc em evento público. Em evento realizado em Siderópolis, por conta da construção de Linha de Transmissão do Consórcio Aliança, composto pela EDP e pela Celesc, Marquez da Cruz se utilizou o mesmo argumento mentiroso que tem sido usado para defender a privatização da Eletrobras: a baixa capacidade de investimento do poder público. “O capital privado para a execução de obras é de suma importância, não sou eu quem digo, é o mundo que diz. Por isso, reforço que é importante que o estado se liberte para poder concentrar-se naquilo que faz bem, e deixar que as companhias do setor privado, arrisquem, capitalizem as empresas, pois quem ganha com isso é o Brasil”, afirmou.

A fala privatista foi feita na presença do presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, e do vice-presidente de distribuição da EDP e representante da empresa no Conselho de Administração da Celesc, João Brito. O constante assédio da acionista minoritária da Celesc para a privatização da empresa demosntra uma mudança de atuação da EDP, consolidada após a troca na presidência da empresa. Muito mais agressiva desde a nomeação de Marquez Cruz, a EDP prepara uma ofensiva para privatização da Celesc, com declarações periódicas e informações falsas.

Enquanto defende que a privatização seja o caminho para melhorar a capacidade de investimentos, Marquez da Cruz omite intencionalmente os grandes problemas da privatização para a sociedade. E a privatização da própria EDP, em Portugal, é um exemplo disso. Um artigo publicado em 2015, pelo economista português Eugênio Rosa, demonstra como a privatização expropriou o estado e se transformou em uma mina de ouro para os novos acionistas.

“Uma das empresas que domina o mercado da energia em Portugal, ou melhor um dos grupos mais importantes que domina o mercado da energia no nosso país é a EDP. É por isso que a EDP é uma empresa estratégica. E é também por essa razão que a EDP devia estar sob controlo público. E isto não só porque ela é fundamental para o desenvolvimento do país, e por isso não devia ser um instrumento de lucro para os grupos económicos privados, nomeadamente estrangeiros, mas também porque ela, enquanto foi uma empresa pública, constituiu uma importante fonte de receitas para o Orçamento do Estado, aliviando assim a enorme carga fiscal que atualmente cai sobre os portugueses”, diz o economista.

Rosa aponta o aumento vertiginoso do custo da energia repassado aos consumidores como uma das principais consequências da privatização e dos lucros gigantescos da empresa. “Este aumento significativo do preço da eletricidade em Portugal, para além de aumentar as dificuldades das famílias e baixar a competitividade das empresas portuguesas, porque os seus produtos são mais caros por utilizarem energia mais cara, teve como consequência que os lucros da EDP tornaram-se obscenamente gigantescos”. O estudo ainda aponta a relação entre o aumento do lucro e a queda na remuneração dos trabalhadores: “Enquanto os lucros da EDP não paravam de aumentar, as remunerações e os ganhos dos trabalhadores portugueses, quer em valores nominais quer em valores reais (depois de deduzir o efeito do aumento de preços), não parava de descer”.

Recentemente, uma declaração do CEO da EDP apontava a privatização da Eletrobras como uma oportunidade para a privatização da Celesc. Entretanto, a realidade é que a privatização da Eletrobras é mais um exemplo de como a venda de uma estatal forte, lucrativa e estratégica traz prejuízos para a sociedade. A medida provisória do Poder Executivo, que viabiliza a privatização da Eletrobras, estatal responsável por 1/3 da produção de energia elétrica do País, deve significar um aumento de tarifa de cerca de 20% nas contas de luz das residências, segundo cálculos da Plataforma Operária e Camponesa para a Energia.

A própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirmou, em memorando enviado ao Ministério de Minas e Energia (MME) que uma possível privatização da Eletrobras pode resultar em um aumento de até 16,7% nas tarifas de energia elétrica no país. Em comum com o caso da Celesc, a justificativa: o Governo Federal defende a venda da estatal para ter “mais capacidade de investimento”. Em ambos os casos, fica evidente a mentira. Em nenhum cenário a venda das estatais será benéfica para a população, que arcará com os custos da alienação do patrimônio público e com a distribuição obscena de lucros para empresas privadas. Quando comprou as ações da Celesc que pertenciam à PREVI, a EDP lançou um comunicado ao mercado afirmando não ter interesse em “alterar a composição do controle acionário da Celesc”.

À época, os sindicatos manifestaram: “a intenção de tomar o controle acionário da empresa sempre fará com que os trabalhadores da Celesc desconfiem deles. A Celesc é uma das poucas empresas públicas de distribuição de energia do país e é pelo seu caráter público e pela consciência social dos seus trabalhadores que é considerada uma das melhores distribuidoras do país”.

Era óbvio, desde o início, que um dos objetivos da EDP na Celesc era o controle acionário. Apesar das primeiras falas exaltando a “contribuição na gestão”, as recentes falas do presidente da EDP no Brasil demonstram a virada da mesa. Cada vez mais a EDP pressiona pela privatização da maior estatal catarinense e deve ser encarada como uma ameaça real à Celesc Pública e aos trabalhadores. Para os sindicatos da Intercel, este é um momento de mobilização dos trabalhadores.

Independente da insistência do Presidente da EDP, os sindicatos continuarão a lutar contra aqueles que pensam que energia é, simplesmente, uma mercadoria. Os sindicatos estão dispostos a realizar o debate franco com a sociedade e com a classe política catarinense, demonstrando que as premissas da privatização são falsas e levarão a um enorme prejuízo para o povo catarinense. A Celesc é uma empresa pública, exemplo de bom atendimento à sociedade. Reconhecida nacional e internacionalmente, a empresa e seus trabalhadores são fieis ao papel fundamental de uma empresa estatal: atender a sociedade com responsabilidade e qualidade, proporcionando condições para que o estado se desenvolva social e economicamente.

Muito mais agressiva desde a nomeação de Marquez Cruz, a EDP prepara uma ofensiva para privatização da Celesc, com declarações periódicas e informações falsas. Enquanto defende que a privatização seja o caminho para melhorar a capacidade de investimentos, Marquez da Cruz omite intencionalmente os grandes problemas da privatização para a sociedade.

Centralização dos CODs

Acidente expõe riscos da centralização

Desde que foi anunciada, no final de 2020, a centralização dos CODs recebeu forte oposição dos sindicatos da Intercel. Prevista para iniciar em Janeiro, sem debate com as entidades sindicais, a centralização foi suspensa pela criação de um Grupo de Trabalho discutir o tema. Após várias reuniões onde os representantes dos sindicatos da Intercel levantaram uma série de questionamentos e problemas que levariam o atendimento à sociedade e a saúde e segurança dos celesquianos a riscos iminentes, o Grupo estancou, tendo, inclusive, sido abandonado pelo coordenador, que não participou das últimas reuniões.

Sem nenhuma resposta ao levantamento dos sindicatos e com o GT ainda aberto, a Diretoria de Distribuição divulgou aos gerentes um novo cronograma de aplicação, fazendo com que os sindicatos da Intercel solicitassem uma reunião com o Presidente da Celesc. Na reunião, os sindicatos reafirmaram os riscos da centralização e cobraram respeito da Diretoria, uma vez que o debate ainda não havia sido concluído para que um novo cronograma fosse divulgado aos gerentes.

Classificando como um equívoco a não conclusão do Grupo, o Diretor de Distribuição, Sandro Levandowski propôs o início da centralização em paralelo à retomada do debate e conclusão do GT. Segundo ele, o COD de Tubarão já estaria praticamente centralizado, não haveria problemas e as situações que surgissem poderiam ser enfrentadas. A Intercel rejeitou a proposta, ficando definida a suspensão da centralização até a conclusão do GT, em 30 dias. A posição da Intercel se mostrou acertada, uma vez que um grave acidente, exatamente no em Tubarão, demonstrou na prática o risco da centralização. Segundo relato de trabalhadores, um desligamento programado operado pelo COSD (o COD centralizado) quase levou à morte trabalhadores terceirizados que atuavam na rede.

Após o desligamento programado realizado pelos trabalhadores de Tubarão, o serviço avançou no tempo, entrando na troca de turno no COSD. Chegando próximo ao término do serviço, o fiscal da Celesc entrou em contato com o COD centralizado solicitando o deslocamento da equipe de eletricistas para reenergização da rede. Entretanto, o COSD despachou um outro serviço para a equipe e, após a conclusão deste, encaminhou diretamente o fechamento da chave, sem que fosse recebido o DTD, documento que libera a reenergização do trecho.

Ao encaminhar o fechamento da chave sem conhecimento da real condição do trabalho na rede, o despacho centralizado quase causou uma tragédia. O serviço não havia sido concluído e trabalhadores terceirizados ainda operavam a rede. Com o fechamento da chave, um curto-circuito pôs fogo à rede, e a situação só não foi pior porque, por sorte, os trabalhadores ainda não haviam retirado o aterramento da rede. Apesar da gravidade do acidente, denunciado, não houve nenhum registro no documento (SD 23088310- 01), configurando clara intenção de ocultar o fato. A omissão do acidente levanta dúvidas, inclusive da intencionalidade, uma vez que ele é prova da impossibilidade de centralizar os cod´s da forma que a empresa tem proposto.

A verdade é que o trabalho centralizado no COD de Tubarão, que segundo o Diretor Sandro, não traria maiores problemas, quase trouxe fatalidades. O GT que debate a centralização deve ser concluído até do final deste mês, mas permanecem as mesmas dúvidas e críticas feitas há quase uma década, quando a centralização veio à tona. E a principal questão permanece a mesma: não existe, hoje, estrutura que permita que a centralização dos COD´s seja feita sem riscos à saúde e segurança dos trabalhadores.

Segundo relato de trabalhadores, um desligamento programado operado pelo COSD (o COD centralizado) quase levou à morte trabalhadores terceirizados que atuavam na rede.

Reenquadramento definido

CRH entra em consenso para casos de troca de cargos

Nesta quinta-feira, dia 10, aconteceu mais uma reunião da Comissão de Recursos Humanos. O tema principal era o debate sobre o reenquadramento previsto no 6º Termo Aditivo ao PCS no caso de trabalhadores que mudaram de cargo através de concurso público após 2017. A situação tem impacto direto sobre a questão debatida no GT do salário inicial, que aguardava o desfecho em CRH para início das negociações com a diretoria.

A Intercel reafirmou na reunião a posição de que o direito dos trabalhadores deveria ser respeitado, mantendo o reenquadramento. Na prática, a proposta da Intercel é a aplicação do resultado do GT do Salário Inicial e, na sequência, a aplicação do reenquadramento conforme contratado em 2017. Da mesma forma que no GT, a empresa manifestou-se de acordo com a proposta da Intercel, encaminhando um entendimento consensual, apontando a necessidade de avaliação jurídica apenas para a forma de aplicação.

Com a conclusão deste debate, a Intercel deverá formalizar à Diretoria a necessidade de abertura da negociação para aplicação do resultado do GT, reafirmando a ampla motivação da categoria pela recuperação das perdas e pela efetiva valorização dos trabalhadores celesquianos.

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