Diálogo aberto: Intercel se reúne com governador do Estado em defesa da Celesc pública e dos direitos dos trabalhadores

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Os sindicatos que compõem a Intercel sempre pautaram sua atuação na defesa da Celesc Pública e na luta pelos direitos dos celesquianos. Desta forma, o diálogo com o Governo do Estado sempre foi fundamental para a luta dos celesquianos. Acionista majoritário e controlador da empresa, o Governo é responsável não só pela condução da companhia, mas também por utilizar o patrimônio público para desenvolvimento do estado de Santa Catarina.

Ao longo da história, as entidades sindicais sempre buscaram o debate franco com o Governo do Estado. Independente de siglas partidarias ou posições políticas e ideológicas, a Intercel sempre procurou apresentar ao Governo a luta prioritária dos trabalhadores da Celesc. Nesta terça-feira, dia 25, a Intercel esteve reunida com o Governador do Estado de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL), para abrir o diálogo em defesa da Celesc Pública e dos direitos dos trabalhadores.

A abertura deste diálogo só foi possível pela interlocução do Deputado Fabiano da Luz (PT), que durante todo seu mandato tem sido grande defensor da Celesc Pública e dos seus trabalhadores. O Deputado participou da reunião ao lado dos dirigentes sindicais Paulo Guilherme Horn (Coordenação da Intercel), Jair Maurino Fonseca (Sindinorte), Ailton Communello (Sindinorte), Felipe Braga (Sintevi), Mario Valeriano Dias (Sinergia), Leonardo Contin da Costa (Sinergia), Antônio Corrêa (Stieel) e Patrícia Mendes (Sintresc), além do Representante dos empregados no Conselho de Administração, Leandro Nunes da Silva. A reunião, que ocorreu na Casa da Agronômica, em Florianópolis, também teve a presença do Secretário da Casa Civil, Eron Giordani (ex-conselheiro da Celesc) e do Presidente da empresa, Cleicio Poleto Martins.

FOTO: LEONARDO CONTIN DA COSTA

Luta contra a privatização

Logo no início da reunião a Intercel entregou ao Governador o livro dos 60 anos da Celesc. Escrito pelos companheiros Luiz Cézare Vieira e Paulo Sá Brito, ambos militantes do movimento sindical e ex-representantes dos empregados no Conselho de Administração da empresa, o livro retrata a história da maior estatal catarinense. Para formalizar as questões prioritárias da categoria, os sindicatos da Intercel formalizaram correspondência, que segue anexa à este boletim.

O Coordenador da Intercel, Paulo Guilherme Horn, apresentou a luta dos trabalhadores, cobrando do Governo do Estado posicionamento contrário à privatização da Celesc: “A Celesc é fundamental para o desenvolvimento social e econômico de Santa Catarina e deve permanecer pública, com controle do estado, para cumprir o seu papel de levar energia de qualidade à população”, afirmou.

A coordenação também cobrou respeito aos direitos dos trabalhadores conquistados e consolidados no Acordo Coletivo de Trabalho, em especial à garantia de emprego, ressaltando que é ela que dá “tranquilidade para que os celesquianos trabalhem em prol do povo catarinense, mantendo um bom atendimento à sociedade”. Diante da abertura de diálogo com o Governo, a Intercel reafirmou a necessidade de respeito aos sindicatos e ao Representante dos Empregados no Conselho de Administração, sem ataques ou cerceamento de suas atividades.

O coletivo sindical reafirmou que é preciso estabelecer um diálogo franco e efetivo com a diretoria, retomando a lógica de gestão participativa, encerrando ataques às representações. Um ponto de grande importância solicitado pela Intercel é a revogação do Decreto 751/2020, que atenta frontalmente contra as entidades sindicais. O decreto antecipa o cumprimento da Lei 13.303 no ato de concorrer a um cargo representativo, expondo o dirigente sindical à possíveis perseguições.

Além disso, de acordo com a assessoria jurídica da Intercel, o decreto é ilegal, afrontando a legislação federal. A Intercel também reafirmou a necessidade de afastar as políticas de terceirização, recompondo o quadro de dotação com o ingresso por concurso público e com a construção de um novo centro de treinamento e capacitação. Para a Intercel, para manter a empresa eficiente e pública é preciso contratar empregados próprios e garantir condições de trabalho, remuneração e vida dos trabalhadores.

Retomar gestão participativa é fundamental

O Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Leandro Nunes, lembrou ao Governador do Estado a necessidade de retomar a gestão participativa na Celesc. A participação dos trabalhadores na gestão da empresa é uma construção coletiva, alicerçada nos Congressos dos Empregados, que não só orientam a atuação das representações da categoria, como propõem modelos e soluções para a gestão da empresa.

“A gestão participativa é fundamental para a Celesc e vêm de uma longa história construída pelos representantes dos empregados no Conselho e pelos sindicatos da Intercel. Muito antes da legislação obrigar, a Celesc já havia implementado um Contrato de Gestão e Resultados que surgiu de um dos debates dos Congressos dos Empregados, ainda na gestão do companheiro Paulo Sá Brito”, afirmou.

Leandro entregou ao Governador a cartilha do 10º Congresso dos Empregados, lembrando que os celesquianos buscam contribuir e pensar a gestão da empresa para que ela seja exemplo de empresa pública, com gestão profissional e com responsabilidade para a sociedade catarinense. “A gestão participativa é um dos pilares da Celesc Pública e ela é fundamentada no debate, no diálogo. O início da nossa relação não foi boa, nós brigamos muito, mas precisamos retomar o bom debate, olhar para frente, construir alternativas através do diálogo e do respeito”, afirmou Leandro.

Olhar pra frente em defesa da Celesc pública

O dirigente sindical e ex-representante dos empregados no Conselho de Administração, Jair Maurino Fonseca, reafirmou a preocupação das entidades sindicais com a privatização da Celesc. “Quase que diariamente um acionista minoritário tem se manifestado dizendo que quer comprar a Celesc. Neste cenário nacional onde a própria Eletrobras está ameaçada, nós temos uma grande procupação com a posição do Governo”, afirmou.

Jair lembrou que a empresa é fundamental para desenvolver social e economicamente o estado de Santa Catarina e que, por ser pública, deve ser utilizada para implementação de políticas que priorizem a distribuição de energia de qualidade à todos os cantos de Santa Catarina. “A Celesc tem uma grande capilaridade e, por ser pública, atende todas as regiões do estado, independentemente de retorno econômico, o que, certamente, uma empresa privada não faria.

Esse é o diferencial da Celesc, esse deve ser o foco da empresa: trabalhar pelo povo catarinense”. Jair também lembrou das dificuldades iniciais no relacionamento com a diretoria da empresa, cobrando uma abertura de diálogo com as entidades sindicais: “independente das nossas divergências passadas, é preciso olhar para frente em defesa da Celesc Pública e dos seus trabalhadores. Como representantes dos celesquianos, os sindicatos precisam ser ouvidos e é preciso disposição da diretoria para trabalhar em conjunto”, afirmou.

Moisés defende eficiência para manter empresa pública

Segundo o Governador do Estado, Carlos Moisés, a manutenção da Celesc Pública está diretamente ligada à eficiência de sua gestão. “Nós não temos nenhum compromisso em privatizar a Celesc. O que eu sempre digo é que a empresa tem que ser eficiente, tem que atender bem à sociedade. Se for eficiente e atender bem nosso estado, ela continuará pública”, afirmou.

Moisés também afirmou que a empresa é fundamental para desenvolver Santa Catarina: “nosso estado cresce quatro vezes mais do que a média do Brasil e para isso nós precisamos de energia. Sem energia elétrica não há desenvolvimento”. Moisés ainda afirmou que é necessário olhar para frente e manter aberta a porta para o diálogo.

Moisés ainda afirmou que reconhece o trabalho dos celesquianos, relembrando que esteve na premiação da Aneel que reconheceu a Celesc como a melhor distribuidora de energia elétrica do país, na avaliação do cliente.

O Secretário da Casa Civil, Eron Giordani, lembrou o tempo em que foi Conselheiro da empresa e comentou que, mesmo se o cenário nacional empurre o setor elétrico para a privatização, é preciso estruturar e defender a manutenção da Celesc Pública.

Já o Presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins ressaltou os bons resultados da gestão, afirmando disposição da diretoria para dialogar com os sindicatos, respeitando seu trabalho e os direitos dos trabalhadores.

Com diálogo aberto, é preciso avançar nas práticas

Ao abrir o diálogo com as entidades sindicais, o Governo do Estado inicia uma nova página dentro da Celesc. Agora, com a promessa de portas abertas, é preciso que o discurso seja prática da diretoria da Celesc. Após grande esforço dos trabalhadores, as metas da concessão foram alcançadas e é necessário que a diretoria se abra para avançar em temas importantes para os trabalhadores, como o ajuste do salario inicial e as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2021/22.

Mais do que respeito aos direitos históricos e aos anseios da categoria, é fundamental que a diretoria transfira para ações todas as falas de reconhecimento feitas aos celesquianos. Já no ambito estadual, a luta em defesa da Celesc Pública passa pela continuidade do debate com o Governo do Estado e pelo trabalho político dentro da Assembleia Legislativa do Estado (Alesc).

Em ambos os casos, a Intercel manifesta o papel fundamental do Deputado Fabiano da Luz. Principal interlocutor e defensor da Celesc Pública na Assembleia, Fabiano tem assumido a defesa dos celesquianos, tão necessária em tempos de ataques aos trabalhadores e às empresas públicas. A abertura do diálogo com o Governo do Estado é um novo passo na luta dos eletricitários catarinenses e a Intercel seguirá mobilizando a categoria em defesa da empresa pública e dos direitos dos celesquianos.

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