CUT lança “Plataforma para as Eleições 2026” com prioridades da classe trabalhadora
DOCUMENTO É GUIA PARA ELEITORES AVALIAREM CANDIDATOS E CANDIDATAS QUE ESTEJAM COMPROMETIDOS COM OS INTERESSES DA CLASSE TRABALHADORA
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou, no dia 5 de agosto, a Plataforma da CUT para as Eleições 2026, documento que reúne as principais reivindicações da entidade para a classe trabalhadora. A iniciativa busca contribuir para o debate eleitoral e apresentar à sociedade e às candidaturas propostas relacionadas ao emprego, aos direitos trabalhistas e sociais, à democracia, à soberania e ao desenvolvimento nacional.
Construída a partir das resoluções aprovadas pela Central, a plataforma está organizada em quatro grandes eixos e 16 prioridades, que, segundo a CUT, devem servir como referência para a avaliação dos programas apresentados nas eleições. O documento não pretende substituir os programas dos partidos ou indicar candidaturas específicas, mas oferecer aos trabalhadores elementos para identificar quais candidatos demonstram compromisso com as pautas defendidas pela classe trabalhadora.
Entre as prioridades estão a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, com redução imediata para 40 horas semanais e perspectiva de chegar a 36 horas, sem redução salarial. A CUT também defende uma nova regulamentação sindical, que fortaleça as entidades, preserve a autonomia das assembleias, garanta financiamento solidário e proteja o direito de greve.
A plataforma propõe ainda a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e das aposentadorias, a manutenção da vinculação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ao piso nacional e a regulamentação do trabalho por aplicativos, garantindo remuneração digna, proteção previdenciária, limites de jornada, direito de defesa e liberdade de organização sindical.
Outro ponto destacado é a necessidade de preparar os trabalhadores para as transformações provocadas pela inteligência artificial e pela automação. Para isso, a CUT defende políticas permanentes de formação e requalificação profissional, associadas à proteção dos empregos. A Central também inclui entre suas propostas a Tarifa Zero no transporte público, tratando o transporte coletivo como um direito social e como instrumento para ampliar o acesso ao trabalho, à educação, à saúde e ao lazer.
Democracia, direitos e desenvolvimento
No eixo relacionado à democracia e ao desenvolvimento, a CUT defende justiça tributária, com atualização anual da tabela do Imposto de Renda e tributação de grandes fortunas, lucros e dividendos. A plataforma também propõe políticas de segurança cidadã e direitos humanos, com prevenção e combate a diferentes formas de violência, incluindo feminicídio, racismo e ataques à população LGBTQIA+.
A crise climática também está entre as prioridades. A Central defende uma transição ecológica que preserve florestas, águas e demais recursos naturais, garantindo que as riquezas estratégicas do país contribuam para o desenvolvimento nacional. O documento também propõe medidas para enfrentar a expansão das apostas virtuais, incluindo o combate à publicidade predatória e mecanismos para impedir o uso de crédito e benefícios sociais em apostas.
No campo dos direitos sociais e trabalhistas, a CUT reivindica a revisão das reformas trabalhista e previdenciária, com recuperação de direitos retirados e fortalecimento da negociação coletiva. Também defende a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), garantindo negociação permanente, data-base e direito de greve aos servidores públicos.
A plataforma inclui ainda o fortalecimento do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), a ratificação da Convenção 156 da OIT, com políticas que permitam conciliar trabalho e responsabilidades familiares, e o cumprimento integral dos pisos nacionais da enfermagem e do magistério, independentemente do vínculo de contratação.
Defesa das estatais e da soberania
A defesa da soberania nacional, dos serviços públicos e das empresas estatais também ocupa espaço central no documento. A CUT propõe preservar o controle público sobre empresas estratégicas, riquezas naturais e inovações tecnológicas, além de fortalecer os serviços públicos e direcionar o patrimônio nacional para a geração de empregos, redução das desigualdades e atendimento ao interesse coletivo.
A Central também defende a reindustrialização do país, utilizando o poder de compra do Estado e das empresas públicas para fortalecer a indústria brasileira, gerar empregos e ampliar o desenvolvimento tecnológico. No campo internacional, reafirma a importância do multilateralismo, da cooperação entre países, do fortalecimento de espaços como Mercosul e Brics e da defesa da autodeterminação dos povos.
Para a CUT, a participação política faz parte da própria atuação sindical. Durante o lançamento, o presidente da Central, Sérgio Nobre, destacou que a luta por melhores salários e condições de trabalho precisa estar associada à defesa de um projeto de sociedade que garanta saúde, educação, emprego, democracia e soberania.
A expectativa é que a plataforma seja utilizada não apenas durante a campanha, mas também depois das eleições, como instrumento de diálogo e cobrança junto a parlamentares e futuros governantes. A CUT pretende acompanhar os compromissos assumidos e pressionar pela implementação das propostas ao longo dos mandatos.
Durante a plenária de lançamento, a entidade informou ainda ter identificado 157 candidaturas ligadas ao movimento sindical nas eleições deste ano: 108 disputam vagas nas assembleias legislativas, 47 concorrem à Câmara dos Deputados e uma é candidata à suplência do Senado. Para a CUT, ampliar a presença de representantes comprometidos com os interesses dos trabalhadores no Parlamento é fundamental para avançar na aprovação de pautas históricas do movimento sindical.
DOCUMENTO É GUIA PARA ELEITORES AVALIAREM CANDIDATOS E CANDIDATAS QUE ESTEJAM COMPROMETIDOS COM OS INTERESSES DA CLASSE TRABALHADORA DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES
Com informações da CUT Nacional


