Assembleia Estadual dos Empregados da Celesc unifica Pauta de Reivindicações

ENCONTRO FOI REALIZADO NO ÚLTIMO SÁBADO, DIA 1°, EM CAPIVARI DE BAIXO

Mobilização da categoria marca início da campanha salarial e reforça defesa da Celesc Pública e dos direitos dos trabalhadores

A Assembleia Estadual dos Empregados da Celesc reuniu cerca de 200 pessoas, entre delegados, representantes sindicais e autoridades, no último sábado, 1º de agosto, em Capivari de Baixo. O objetivo do encontro foi debater e unificar a Pauta de Reivindicações da categoria para a campanha salarial 2026/2027.

O encontro foi aberto pelo presidente do Sintresc, sindicato que sediou o evento, Luciano Pinto. Na sequência, discursou Edvan Borba, chefe de gabinete da Prefeitura de Capivari de Baixo, representando o prefeito Claudir Antônio de Bitencourt (PL). Luciano e Edvan deram as boas-vindas aos participantes de todas as regiões do estado.

Ainda durante a cerimônia de abertura*, discursou o deputado federal Pedro Uczai (PT), que relembrou o período em que foi deputado estadual e autor da Proposta de Emenda à Constituição Estadual (PEC 003/2010), que prevê que, caso o governo de Santa Catarina pretenda privatizar a Celesc, deverá necessariamente realizar uma consulta popular, por meio de plebiscito ou referendo.

“Foi um movimento construído pelos sindicatos e pelos trabalhadores. Realizamos uma audiência pública sobre o tema. Tivemos 22 deputados estaduais discursando sobre a importância da Celesc e da Casan públicas. Ao fim da audiência, pedi que déssemos consequência ao discurso e que fôssemos coerentes. Propus uma Emenda Constitucional para que não se privatizem a Celesc e a Casan e, se algum governador tomar essa iniciativa, ele não poderá privatizá-las sem antes consultar os donos desse patrimônio, que são os catarinenses”, afirmou Uczai.

O deputado também elogiou o trabalho da categoria e se colocou à disposição para contribuir com as lutas dos trabalhadores. “Temos orgulho dessa instituição que é a Celesc. Os profissionais podem se orgulhar do trabalho que desempenham. Contem com este amigo e companheiro dos profissionais da Celesc Pública”, declarou.

Na sequência, discursou o deputado estadual Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL). “Reforço meu compromisso antiprivatista, contra aquilo que o Estado muitas vezes coloca em detrimento do interesse coletivo em favor de interesses individuais e de alguns setores empresariais.

Isso é péssimo e destruidor para a qualidade de vida, mas principalmente para as condições de trabalho e para a prestação do serviço público à população”, afirmou.

Marquito parabenizou os sindicatos por não abandonarem os trabalhadores terceirizados, em referência à greve dos empregados da Setup, realizada em junho. O deputado também lembrou que seu gabinete sempre esteve aberto aos trabalhadores da Celesc e ao movimento sindical.

“Nossa atuação sempre foi em defesa da Celesc Pública, na crítica a decisões do Conselho, mas também enaltecendo a produtividade de vocês enquanto trabalhadores da empresa pública. Também vimos, com o ex-presidente Tarcísio, o esforço que foi feito para o desmonte desses indicadores, com o objetivo de justificar um processo privatista”, afirmou.

Representando o deputado estadual Fabiano da Luz (PT), o chefe de gabinete Marcel Salomon também saudou os presentes e reforçou o apoio do parlamentar à manutenção da Celesc pública e defesa da classe trabalhadora.

Por fim, o ex-representante dos empregados no Conselho de Administração da Casan, Haneron Victor Marcos, discursou lembrando que os trabalhadores da Celesc e da Casan enfrentam atualmente uma “tempestade”.

“Enfrentamos uma tempestade, e nossa missão é nos segurarmos na árvore até que ela passe. Precisamos nos segurar e nos manter vivos. O setor elétrico foi um dos mais afetados pelas privatizações. Chegamos até aqui vivos, com a Casan e a Celesc públicas, e não foi de graça: chegamos nos ombros de gigantes sindicalistas que, por meio da luta e da capacidade de mobilização dos trabalhadores, permitiram que chegássemos até aqui vivos”, afirmou.

Haneron também destacou que a construção da Pauta de Reivindicações não é um ato meramente corporativo, mas uma ação política que vai além das questões específicas dos trabalhadores e envolve aquilo que importa para toda a sociedade: a defesa dos serviços públicos essenciais.

Unificação da pauta
Após o ato político, representantes dos sindicatos que integram a Intercel, além das assessorias econômica e jurídica, compuseram a mesa que coordenou os trabalhos de unificação da Pauta de Reivindicações. Todas as cláusulas já existentes no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), assim como as propostas apresentadas nas Assembleias Regionais, foram debatidas e votadas pelos delegados presentes. Ao fim do evento, ainda houve espaço para uma confraternização.

Na terça-feira, 4 de agosto, os sindicatos realizaram a sistematização da pauta, consolidando todas as decisões tomadas na Assembleia. Na quarta-feira, 5 de agosto, após o fechamento desta edição, estava prevista a entrega da Pauta de Reivindicações à Diretoria da Celesc.

Conforme o calendário previamente negociado entre a Intercel e a direção da Celesc, no final de julho, a primeira rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 deverá ser realizada na próxima quarta-feira, 12 de agosto.

A Intercel convoca a categoria a participar da campanha salarial e a acompanhar as negociações por meio dos Boletins da Intercel e das rodadas de conversa promovidas pelos sindicatos nas bases.

*Todas as lideranças de bancadas com cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina foram convidadas para a cerimônia de abertura do evento.

O que motivou você a participar da Assembleia Estadual dos Empregados da Celesc?

Mauri Machado de Souza – Regional Itajaí: “O que me motivou a participar da Assembleia é, principalmente, manter a Celesc Pública. Penso que isso é interessante para todos nós, catarinenses e celesquianos”.
Andressa Almeida – Regional Chapecó: “Entendemos que é muito importante estar presente nessas Assembleias. A cada Assembleia temos mais conhecimento, vamos entendendo melhor como tudo funciona, quais são as nossas dificuldades e o que é possível ser feito. Acho que esse é o caminho: ter conhecimento para que a gente possa debater e possa também se sentir parte dessas decisões”.
Susani Ramos – Regional Tubarão: “A busca por tratar de assuntos que são muito relevantes para nós, enquanto celesquianos. E estar à frente do que estão colocando em pauta, poder dar nossa opinião e conscientizar as pessoas a participarem dessas Assembleias, pois são muito importantes: é o nosso direito e é por isso que nós lutamos”.
Ivan da Silva Ramos – Regional Joaçaba: “É a luta, primeiramente, pela manutenção da Celesc Pública e pelos nossos direitos. Mas também por avanços e por isonomia aos nossos companheiros que estão adentrando à empresa. Esses são os principais motivos: lutar sempre pela Celesc Pública”.

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