Apagão: empresa privada deixa Amapá sem energia e Eletronorte é quem trabalha para recuperar o sistema

Compartilhe este conteúdo

Na última terça-feira, dia 3 de novembro, um acidente em uma subestação de energia na cidade de Macapá levou ao desligamento da linha de transmissão que interliga o Estado do Amapá ao Sistema Interligado Nacional (SIN), deixando 13 dos 16 municípios do estado sem energia. Segundo informações da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), o apagão foi causado por um incêndio em um dos transformadores da Subestação Isolux e por negligência da empresa privada que opera o sistema.

De acordo com a FNU, dois transformadores apresentaram defeito e um terceiro, que seria utilizado como reserva, estava em manutenção há mais de 6 meses, demonstrando o descaso da privatização com a população. A Isolux, empresa privada espanhola, tem histórico de péssimos serviços em vários países, como Quênia e Estados Unidos. No Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou, em 2017, um processo de cassação de dois contratos de concessão da espanhola pelos constantes descumprimentos de prazos para implantação de projetos de infraestrutura de energia, além de incapacidade econômico- -financeira para conclusão das obras.

Mesmo com o atestado de ineficiência, a empresa continuou a explorar os serviços sem que houvesse atuação mais firme da agência reguladora. No caso do apagão do Amapá, a Isolux demonstrou não ter capacidade técnica, nem trabalhadores em números suficientes para manutenção e para recompor a energia em pouco espaço de tempo. Para atender a população, a Eletronorte enviou pessoal especializado do Pará, Maranhão e Rondônia, que se juntaram aos trabalhadores da estatal que atuam no local. Ou seja, para consertar um problema causado pela privatização, trabalhadores de uma empresa estatal é que estão arriscando suas vidas.

A situação é ainda mais grave se foi considerada a sanha privatista do Governo Bolsonaro. A Eletronorte é subsidiária da Eletrobras, empresa “da vez” para a privatização. “O que acontece no Amapá pode acontecer em outros lugares. Bolsonaro e Bento Albuquerque vêm dizendo que a Eletrobras não tem capacidade de investimento, e apostam na privatização, só que na hora em que acontece um acidente como este são os técnicos da Eletrobras que são convocados para prestarem socorro à empresa internacional porque ela não tem capacidade para resolver o problema”, afirma Wellington Diniz, diretor do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (STIU/MA).

Entretanto, mesmo diante do caos gerado pela privatização, os privatistas de plantão tem se mobilizado para enganar a população, dizendo que a responsabilidade é da CEA (Companhia de Eletricidade do Amapá), distribuidora de energia estatal. A desinformação sempre foi a arma para convencer a população de que é preciso vender o patrimônio público diante de uma suposta ineficiência das estatais. A realidade é que, quando o povo brasileiro precisa, são os trabalhadores de empresas públicas que estão prontos para atender.

A situação do Amapá demonstra a necessidade de retirar da pauta a privatização do setor elétrico, defendida pelo Governo Federal, e fortalecer as empresas públicas de um setor estratégico e essencial para a vida das pessoas. Os sindicatos da Intercel ainda prestam solidariedade ao povo do Amapá e aos trabalhadores da Eletronorte nesse momento de extrema dificuldade, sem energia elétrica, sem água e com um agravante ainda maior: em plena pandemia da Covid-19.

O que acontece no Amapá pode acontecer em outros lugares. Bolsonaro e Bento Albuquerque vêm dizendo que a Eletrobras não tem capacidade de investimento, e apostam na privatização, só que na hora em que acontece um acidente como este são os técnicos da Eletrobras que são convocados para prestarem socorro à empresa internacional porque ela não tem capacidade para resolver o problema.

Print Friendly, PDF & Email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *