ACT e salário inicial

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Em reunião com o presidente, Intercel cobra início da negociação do salário inicial e apresenta pré-pauta de reivindicações do ACT 2021/22

Na última sexta-feira, dia 18, dirigentes dos sindicatos que compõem a Intercel estiveram reunidos com o Presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, e com o Diretor de Gestão Corporativa, Pablo Cupani Carena, na sede da empresa, em Florianópolis, para debater as demandas dos trabalhadores.

De acordo com o Presidente, o objetivo da reunião era a continuidade do processo de abertura de diálogo, iniciado no encontro entre as entidades sindicais e o Governador do Estado de Santa Catarina, Carlos Moisés. Inicialmente, o Presidente comentou sobre a crítica dos sindicatos no Boletim da Intercel 158 sobre a falta de informação à sociedade acerca do apagão no meio-oeste, afirmando que a empresa cumpriu extensa agenda de reuniões com representantes políticos e com a imprensa na região.

Os sindicatos ponderaram que é necessária uma comunicação mais próativa com a sociedade catarinense, informando sobre o ocorrido, defendendo os celesquianos e minimizando o impacto de críticas políticas à imagem da Celesc. Os dirigentes sindicais apresentaram ao Presidente a necessidade de dar celeriadade às negociações do ajuste do salário inicial e da Participação nos Lucros e Resultados 2021, evitando que as mesmas se acumulem na data-base dos celesquianos.

A Intercel reafirmou a proposta concluída no Grupo de Trabalho para o ajuste do salário inicial, classificando o tema como uma demanda fundamental de todos os trabalhadores da empresa, que deve ser acatada pela Diretoria para reconhecer o papel fundamental dos celesquianos no atendimento à sociedade e os esforços da categoria no atingimento das metas da concessão, em 2020.

Da mesma forma, a Intercel pautou a necessidade de uma proposta de PLR que contemple o pagamento linear e maior participação dos trabalhadores nos lucros. Os dirigentes sindicais ainda deram início oficial à campanha de data-base dos celesquianos, entregando ao Presidente e ao Diretor de Gestão Corporativa a pré-pauta de reivindicações dos celesquianos. A pré-pauta (que vai anexa a este Boletim), será debatida em assembleias regionais na próxima terça-feira, dia 29, e unificada em uma assembleia estadual virtual no dia 07 de agosto.

A Intercel lembrou das dificuldades da negociação em 2019 por conta da postura agressiva e intransigente da diretoria, cobrando respeito aos direitos históricos dos celesquianos e avanços para a categoria. Para a Intercel, a disposição apresentada pelo Presidente ao diálogo é importante, mas ela deverá ser refletida em um acordo coletivo de trabalho que avance nas bandeiras de luta e no respeito ao trabalho das entidades sindicais.

Para a Intercel, a disposição apresentada pelo Presidente ao diálogo é importante, mas ela deverá ser refletida em um acordo coletivo de trabalho que avance nas bandeiras de luta e no respeito ao trabalho das entidades sindicais.

Proposta da diretoria para PLR 2021 não traz avanços aos trabalhadores

A diretoria da Celesc apresentou, em reunião virtual realizada dia 16 com os sindicatos da Intercel, a proposta para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2021 dos trabalhadores da Celesc. Basicamente, a proposta replica o último acordo, sem apresentar avanços importantes para os trabalhadores. De acordo com o apresentado pela Diretoria, não há mudança na estrutura do acordo, frustrando a expectativa dos trabalhadores por avanços em uma distribuição que contemple, além dos resultados, uma parcela do lucro da Celesc.

Além disso, a principal reivindicação dos trabalhadores foi, novamente, ignorada pela Diretoria, que manteve a forma de distribuição da PLR em 60% linear e 40% proporcional. Os dirigentes sindicais afirmaram que uma proposta que não contemple avanços na distribuição linear para a categoria encontrará resistência dos trabalhadores, evidenciando a lógica de que todos são fundamentais para a construção dos resultados e do lucro, fazendo com que a PLR deva ser dividida de forma igualitária entre todos os celesquianos.

A Intercel deixou claro que a proposta não contempla os anseios dos trabalhadores e solicitou à diretoria o Contrato de Gestão e Resultados para uma avaliação detalhada e construção de uma contraproposta dos trabalhadores. Na última semana, o Senado Federal, assim como a Câmara dos Deputados já havia feito, votou por entregar a maior empresa do setor elétrico do Brasil e da América Latina de bandeja para a iniciativa privada, traindo o povo brasileiro em nome dos interesses do capital.

Neste cenário, é preciso destacar o voto dos Senadores catarinenses: Espiridião Amim (PP) e Dário Berger (MDB) votaram contra a privatização da Eletrobras, enquanto Jorginho Melo (PL) defendeu a venda da estatal. Os três senadores têm o nome ligado à disputa pelo Governo do Estado de Santa Catarina nas próximas eleições e o voto neste processo deve ser lembrado pelos celesquianos, em 2022.

Nesta segunda-feira, dia 21, a Câmara dos Deputados aprovou, em segunda votação, a privatização da Eletrobras. Foram 258 votos favoráveis, 136 votos “não” e 53 pela “obstrução”, uma outra forma de ficar contra a proposta. Agora, o texto será encaminhando para sanção do Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Os Deputados Catarinenses foram amplamente favoráveis à privatização. Angela Amim (PP), Caroline de Toni (PSL), Coronel Armando (PSL), Darci de Matos (PSD), Fabio Schiochet (PSL), Geovania de Sá (PSDB), Ricardo Guidi (PSD), Rodrigo Coelho (PSD) e Rogério Peninha Mendonça (MDB) votaram sim à privatização. Carlos Chiodini (MDB), votou pela obstrução. Os deputados Carmen Zanotto (Cidadania), Celso Maldaner (MDB), e Pedro Uczai (PT), votaram contra a privatização.

O voto de Gilson Marques (Novo) foi contrário, mas merece explicação. Apesar do voto contrário, a posição do Novo era por uma privatização muito mais agressiva, com o partido defendendo o texto original enviado pelo governo Federal, sem as emendas incluídas na Câmara e no Senado. Na prática, o voto não do Novo é um voto pela privatização mais predatória que pode existir.

O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) reafirmou, em boletim, a manutenção da luta contra a privatização: “Seguimos com a luta no Judiciário. Não desistiremos da Eletrobras como orgulho e patrimônio do Brasil. E vamos pedir que o Judiciário e os órgãos de controle se manifestem, se posicionem e reconheçam que essa aberração jurídica precisa ser barrada”, afirma a nota do Coletivo. Da mesma forma, parlamentares de oposição ao Governo Federal já divulgaram que irão à justiça contra a aprovação da MP do Apagão, que avança o projeto neoliberal de desmonte do Estado capitaneado pelo Presidente da República e pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes. Assim como na Eletrobras, os interesses do capital rondam a Celesc.

A própria privatização da Eletrobras impacta diretamente na empresa, uma vez que a estatal federal detém cerca de 10% das ações da distribuidora de energia elétrica catarinense. Neste cenário, a venda da Eletrobras significa um novo grupo privado dentro da Celesc, pressionando pela privatização da empresa, unindo-se a EDP, que cada vez mais investe para comprar a estatal. O avanço da privataria na Eletrobras torna ainda mais necessária a união dos trabalhadores contra os ataques à manutenção da Celesc Pública.

A própria privatização da Eletrobras impacta diretamente na empresa, uma vez que a estatal federal detém cerca de 10% das ações da distribuidora de energia elétrica catarinense. Neste cenário, a venda da Eletrobras significa um novo grupo privado dentro da Celesc, pressionando pela privatização da empresa.

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