Privatização da Copasa já expõe problemas no abastecimento em Minas Gerais
Companhia Mineira de Água e Esgoto, recém privatizada, apresenta sequência de rompimentos, falta d’água, redução de pessoal e terceirização: serviços essenciais foram entregues à lógica do mercado
Poucos meses após a privatização da Copasa, Minas Gerais convive com uma sequência de problemas no abastecimento. Em apenas três semanas, pelo menos cinco tubulações romperam na região metropolitana de Belo Horizonte, duas delas adutoras responsáveis pelo abastecimento de grandes áreas. O resultado para a população: ruas alagadas, interrupções no fornecimento e transtornos para moradores, escolas, unidades de saúde e comércio.
Para o Sindágua-MG, sindicato que representa os trabalhadores da Copasa, os rompimentos não são acontecimentos isolados. O sindicato afirma que eles refletem a falta de investimentos estruturais e problemas nos processos de manutenção, dentro de um processo de sucateamento que já vinha sendo denunciado antes mesmo da privatização.
E os problemas não atingem apenas quem está do outro lado da torneira. Os trabalhadores também sentem os efeitos da mudança. A categoria vem denunciando remoções compulsórias de profissionais para localidades distantes, redução do quadro próprio e substituição de trabalhadores experientes por terceirizados. Para o Sindágua, retirar esses profissionais significa também perder conhecimento acumulado sobre as redes e enfraquecer a capacidade de manutenção preventiva.
A lógica é conhecida: reduzir custos pode melhorar números no balanço, mas manutenção, equipes qualificadas e investimentos são justamente o que garante que o serviço funcione quando a população precisa dele. No saneamento, o consumidor não tem como escolher não comprar água quando o serviço piora.
É justamente esse modelo que o movimento sindical questiona quando defende empresas públicas como a Celesc. Energia e saneamento são serviços essenciais e estratégicos. A prioridade deve ser garantir atendimento à população, investimentos, qualidade do serviço e condições dignas de trabalho — e não transformar necessidades básicas em oportunidades de rentabilidade para acionistas.
Por isso, defender a Celesc Pública e ações que melhorem a qualidade dos serviços à população, como contratação de pessoal próprio, não é apenas defender os empregos dos eletricitários. É defender uma empresa estratégica sob controle público, com capacidade de planejar investimentos de longo prazo e com compromisso com a população catarinense, especialmente num estado de indústria tão pujante e que depende de investimentos no fornecimento de energia para permanecer com um parque fabril forte.
Privatizou, piorou
No ramo da energia, concessionárias que foram privatizadas recentemente seguiram o mesmo caminho da Copasa: indicadores oficiais da Aneel e o volume de reclamações apontam que os serviços da Copel, no Paraná, CEEE, no Rio Grande do Sul, e CEB, no Distrito Federal, pioraram após suas privatizações, entre os anos de 2020 e 2023.
Os dados de desempenho regulatório demonstram um aumento expressivo no tempo de restabelecimento da energia elétrica e na frequência dos apagões, quase sempre associados a demissões em massa e à redução do quadro técnico qualificado que ocorreram logo após a entrega do patrimônio público ao capital privado.
Na antiga Eletrobras, hoje Axia, os trabalhadores também sentem na pele as consequências da privatização: menos trabalhadores, menos direitos e mais pressão para construção do lucro dos acionistas.
Com informações do Brasil de Fato.


