Empresários que ajudaram a privatizar a Eletrobras são, mais uma vez, alvo da PF

MAIOR EMPRESA DE ENERGIA DA AMÉRICA LATINA ESTÁ NAS MÃOS DE EMPRESÁRIOS INVESTIGADOS POR POSSÍVEIS CRIMES DE MANIPULAÇÃO DE MERCADO E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA

A Polícia Federal deflagrou no final do mês de junho mais uma fase da Operação Disclosure, que investiga possíveis fraudes contábeis e manipulação de mercado envolvendo as Lojas Americanas, estimadas em R$ 54 bilhões. Entre os alvos de mandados de busca e apreensão no caso estão Carlos Alberto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, que é filho de Jorge Lemann. Carlos e Jorge foram fundadores da 3G Radar, grupo que trabalhou incansavelmente pela privatização da Eletrobras e que passou
a mandar na empresa a partir de junho de 2022, durante a gestão Jair Bolsonaro (PL). A ação da Polícia Federal resultou no pedido de bloqueio dos R$ 54 bilhões, já que
as investigações apontam fortes indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. O mandado foi expedido pela 10ª Vara Federal Criminal do
Rio de Janeiro.

Lemann está listado como membro de uma das famílias mais ricas do Brasil e fez parte do Conselho de Administração das Americanas até o ano de 2024, quando foi afastado em meio ao processo de recuperação judicial da empresa. A fortuna da família está avaliada em US$ 31,6 bilhões, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg. Além de Sicupira e Lemann, também foram alvos da investigação no final de junho executivos ligados aos bancos Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco.

Em nota, a Polícia Federal disse que “segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”. As ações da Polícia Federal no final de junho tinham como objetivo “aprofundar a coleta de provas, individualizar as responsabilidades e preservar a possibilidade de reparação de eventuais prejuízos decorrentes dos fatos investigados”, ainda de acordo com a PF.

É nas mãos desse grupo de investidores que está a antiga Eletrobras – uma das empresas mais importantes para a soberania energética e independência do Brasil.

A partir daí se compreende a gana insaciável por cortar custos, demitir profissionais experientes e obter cada vez mais lucro na ex-estatal, independente de prestar um serviço com menos qualidade ou mais caro para a população brasileira.

É importante lembrar que a PwC (Price Waterhouse Coopers), uma das quatro maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo, que aprovou balanços considerados fraudulentos das Lojas Americanas, também foi a responsável por avalizar, novamente via balanços fraudulentos, a privatização da Eletrobras.

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