#NÃOÀPRIVATIZAÇÃO: Lucro acima da vida? Explosão envolve Sabesp e acende debate sobre privatização
ACIDENTE GRAVE EM SÃO PAULO EVIDENCIA IMPACTOS DE CORTES, TERCEIRIZAÇÕES E PRESSÃO POR RESULTADOS NA EMPRESA VENDIDA PELO GOVERNO TARCÍSIO DE FREITAS
A explosão causada por uma obra da Sabesp na semana passada, no bairro Jaguaré, em São Paulo, reacendeu o debate sobre os impactos da privatização dos serviços públicos essenciais – em especial, água e energia. O acidente deixou duas pessoas mortas, dezenas de feridos e pelo menos 40 residências atingidas após uma equipe da companhia perfurar uma tubulação de gás durante uma intervenção na rede de água. As imagens da região do acidente mais parecem o cenário de uma zona em guerra.
Privatizada em 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Sabesp passou a ser apresentada pelo governo paulista como símbolo de “eficiência e modernização”. Entretanto, pouco mais de um ano após a venda da empresa, trabalhadores, moradores e movimentos sociais denunciam aumento da precarização, aceleração de obras sem planejamento adequado e redução das condições de segurança. De acordo com o Sintaema SP, o quadro de trabalhadores diretos despencou de 15,5mil para 8,3mil hoje. A privatização da Sabesp e suas consequências foram assunto da edição 1693 do jornal Linha Viva, de 7 de maio de 2026.
De acordo com depoimentos de moradores do Jaguaré, o cheiro de gás já havia sido sentido horas antes da explosão. Ainda assim, a obra continuou normalmente até o momento da tragédia. O acidente destruiu casas, desalojou centenas de pessoas e expôs mais uma vez os riscos de uma gestão voltada prioritariamente ao lucro, caminho habitual de empresas públicas que são privatizadas.
Após a explosão no Jaguaré, a Sabesp anunciou a suspensão temporária de obras que interfiram em redes de gás em todo o estado de São Paulo, reconhecendo a necessidade
de revisão de protocolos de segurança. Três dias após o primeiro acidente, uma nova obra da empresa provocou outro vazamento de gás em Itaquera, também na capital paulista, ampliando a preocupação da população.
Para os sindicatos que compõem a Intercel e a Intersul, o episódio não pode ser tratado como uma fatalidade isolada. A lógica da privatização impõe metas agressivas de produtividade, terceirização e corte de custos operacionais, demitindo profissionais experientes e pressionando trabalhadores a executarem serviços em ritmo acelerado. Essa situação vem sendo vista na prática na antiga CGT Eletrosul (hoje Axia Sul Energia), com diversos colegas sofrendo as consequências da privatização ocorrida em junho de 2022 pelo governo Bolsonaro (PL). O resultado aparece em forma de acidentes, falhas operacionais e perda da qualidade dos serviços, além do custo mais alto para a população. Só o lucro interessa.
A tragédia também escancara a contradição do discurso privatista adotado pelo governo paulista. Quando privatizou a Sabesp, o governador Tarcísio de Freitas prometeu nos meios de comunicação tarifas menores, mais investimentos e maior eficiência. Hoje, a população presencia uma sequência de ocorrências graves envolvendo a companhia, enquanto trabalhadores denunciam sobrecarga, terceirizações e o desmonte dos quadros técnicos.
As consequências da privatização em São Paulo não ocorrem de forma isolada: A população enfrenta há alguns anos uma sequência de problemas após a privatização do setor
elétrico, com apagões prolongados, demora no restabelecimento do serviço e aumento das reclamações de usuários. A crise no fornecimento de energia, especialmente após eventos climáticos, evidenciou a fragilidade de um modelo que prioriza redução de custos e distribuição de lucros, em detrimento de investimentos estruturais e da qualidade do atendimento.
A Intercel e a Intersul defendem que serviços essenciais como saneamento básico, água e energia não podem ser tratados apenas como oportunidade de negócio para acionistas. Água e energia são responsabilidades públicas diretamente ligadas à vida da população. Quando a prioridade deixa de ser o interesse coletivo e passa a ser a maximização dos lucros da companhia, quem paga a conta são os trabalhadores e a população atingida.
A explosão no Jaguaré deixa um alerta à população e à classe política: privatizar é sinônimo de perda de qualidade, de preços mais caros aos consumidores, de exploração dos empregados e, agora, evidencia mais um grave elemento: O descompromisso com a segurança, seja de seus trabalhadores ou da população em geral.


