Poesia: Pele das Folhas

quando chove
olho a pele das folhas
os pingos lembram
centelhas de fogo


quando chove
ouço o canto colibri
seus movimentos suaves
movem montanhas


quando chove
rolinha encharca palavra
sobre o piso de pregos
reinventa o ninho


quando chove
cheiro de plantas inebriam
me apaixono
pela mulher natureza


quando chove
o tempo passa mais devagar
meu olhar se aguça
o peito se debruça na varanda


quando chove
penso na humanidade
nas famílias sem tetos
nas crianças nas calçadas


quando chove
vejo os desempregados
os sem terra pra plantar
os sem comida pra comer
os sem dignidade pra viver


quando chove
quando chove


os dias andam áridos

poema: dinovaldo gilioli, ex-diretor de Cultura do Sinergia
foto: Loureci Ci Ribeiro

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