MOISÉS, O SEM PALAVRA

DIRETORIA NÃO CUMPRE ACORDO FIRMADO NO MPT E TENTA PUNIR TRABALHADORES
Nessa quinta-feira, 16 de outubro, a Intercel e a direção da Celesc participaram de mais uma reunião da Comissão de Recursos Humanos (CRH). Entre os pontos de pauta previstos, estavam a discussão sobre as formas de compensação do dia da manifestação contra a reestruturação administrativa na Celesc (ato que ocorreu em 18 de setembro na Administração Central) e o cumprimento daquilo que foi negociado no Ministério Público do Trabalho sobre as possibilidades de compensação dos dias de greve.

O Diretor de Gestão Corporativa, Moisés Diersmann, demonstrou sua incapacidade de lidar com protestos de trabalhadores logo de início. Ex-prefeito, ex-secretário de estado e ex-presidente do Ciasc, era de se esperar que ele estivesse acostumado com esse tipo de manifestação, que faz parte da democracia e das relações de trabalho, mas a verdade é que Moisés demonstra, cada vez mais, um autoritarismo característico de quem é, essencialmente, contra os trabalhadores. Moisés demonstrou irritação e incompreensão com o ato do dia 18 de setembro, quando os celesquianos ocuparam o hall de entrada do auditório Osvaldo Camilli, na Administração Central, durante reunião do Conselho de Administração.

A pressão para que a malfadada reestruturação das Diretorias fosse retirada de pauta, como acabou acontecendo, foi uma grande vitória dos celesquianos. A irritação do Diretor é típica da forma de autoritarismo que ele emula em suas manifestações: atrás da voz mansa de pastor, ataca aqueles que lutam contra a destruição da Celesc Pública. Na verdade, fica cada vez mais claro que, finalmente, Moisés Diersmann revelou sua verdadeira face: autoritário e com dificuldades de lidar com o contraditório, Moisés tenta amedrontar os trabalhadores de participarem de qualquer ato contra a precarização dos serviços e consequente tentativa de privatização da Celesc. Será essa a missão confiada pelo governador Jorginho Mello à Moisés? Ou será isso puro e simples prazer em atentar contra os celesquianos?

O fato é que Moisés sentou na cadeira e rapidamente se colocou como o rosto do descaso com os trabalhadores. Em uma diretoria colegiada na qual, dia após dia, seus integrantes competem pelo posto de maior inimigo dos trabalhadores, não é pouca coisa ser a imagem da intransigência e autoritarismo na Administração da Celesc. Afinal, mesmo com a argumentação da Intercel, cobrando a possibilidade de compensação do dia do ato, Moisés permaneceu inerte e sem possibilidade de diálogo, agindo meramente como um “garoto de recados”, que comunica uma decisão já tomada, em desrespeito ao princípio da própria reunião da Comissão de Recursos Humanos, que é o debate.

A postura do Diretor se manteve durante o restante da reunião. Pior do que a intransigência e falta de diálogo, é a falta de palavra. Quebrando o compromisso firmado em mesa, durante mediação no Ministério Público do Trabalho, em que a direção da Celesc se comprometeu a, em conjunto com os sindicatos da Intercel, encontrar formas de compensação das horas dos seis dias de greve, o diretor Moisés deixou claro que não facilitaria em nada. Antes mesmo de discutir com a Intercel a forma da compensação dos dias, a Diretoria, de forma unilateral e autoritária, divulgou regras que além de serem prejudiciais aos trabalhadores, não condizem com a palavra dada diante do Ministério Público. É lamentável que o Diretor priorize a perseguição daqueles que lutam por seus direitos e pela empresa pública em vez de manter a palavra. E se o Diretor de Gestão Corporativa não honra a palavra dada e registrada diante do Ministério Público do Trabalho, como podem os trabalhadores acreditarem nessa Diretoria que vive de propagandas e frases feitas enquanto ataca a categoria eletricitária?

O que foi acordado é objetivo: representantes da Diretoria e dos sindicatos debateriam as formas de compensação para que não houvesse prejuízo a nenhum trabalhador. Infelizmente, a Diretoria se esconde em um comunicado truncado e na pressão que faz para os gerentes forçarem os trabalhadores a escolherem uma das “opções” sem devidamente entender os reflexos para si próprios, ignorando que deveria construir com os sindicatos uma alternativa. Neste processo, a Diretoria consegue não só destruir a pouca credibilidade que ainda tinha, mas também descumprir o acordado no MPT e o próprio Acordo Coletivo de Trabalho.

A Intercel cobrou da Diretoria a informação de que diversos gerentes estariam pressionando os trabalhadores a definirem num curto espaço de tempo – sem os devidos esclarecimentos – que optassem por alguma forma de compensação.

Se a Diretoria não tem palavra, os trabalhadores têm. Por isso, a Intercel avalia levar a questão novamente ao Ministério Público do Trabalho para debate, já que houve quebra de palavra com aquilo que havia sido negociado junto ao MPT: em mesa de negociação, a Celesc se comprometeu a garantir condições para a compensação sem prejuízos e não praticar retaliações contra os trabalhadores que aderiram à greve, o que, na prática, já está acontecendo, considerando a decisão da Diretoria.

As entidades sindicais se reunirão para debater os próximos encaminhamentos e a possibilidade de judicialização desse ponto, respeitando aquilo que foi discutido e acordado durante a mediação do Ministério Público do Trabalho.

É lamentável que o Diretor priorize a perseguição daqueles que lutam por seus direitos e pela empresa pública em vez de manter a palavra.

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