TARCÍSIO: MAIS DO MESMO – NEM DIANTE DE DEPUTADOS, DIRETORIA CONSEGUE SE EXPLICAR SOBRE CONECTE

Nessa quarta-feira, 12 de março, a Comissão dos Direitos do Consumidor e do Contribuinte e de Legislação Participativa da Assembleia Legislativa se reuniu para discutir as reclamações de consumidores e as dificuldades na resolução de diversos problemas pela gestão da Celesc. Representando a empresa, participaram o presidente, Tarcísio Rosa, o diretor Comercial, Vitor Guimarães, e o gestor do Projeto Conecte, Cristiano Ghisi. A reunião não era aberta para debates e questionamentos do público, mas tão somente para elucidar dúvidas dos parlamentares que participam da Comissão.

A sessão iniciou com um apanhado histórico apresentado pelo presidente da Comissão, deputado Mário Motta (PSD), sobre a troca do sistema comercial e todos os problemas e reclamações surgidos a partir dessa mudança. O apanhado, construído pela assessoria do deputado, trouxe um retrato fidedigno das dificuldades vivenciadas por consumidores e pela categoria eletricitária desde a virada de chave dos sistemas, lembrando, inclusive, de reclamações de consumidores não respondidas e de pedido de explicações do Ministério Público sobre o caso. Ao final de sua manifestação, o parlamentar fez questionamentos aos representantes da empresa sobre os investimentos feitos, a ausência de respostas aos consumidores, o porquê de não ter sido realizada uma transição gradual, o impacto financeiro e de imagem à Celesc e se houve alguma penalidade ou multa à empresa contratada para a transição e manutenção do novo sistema.

As respostas do presidente Tarcísio mais uma vez foram vagas e sem objetividade. Argumentou que adiaram ao máximo a mudança de sistema, que o objetivo era que os consumidores pudessem fazer diversas operações pelo celular, que a Celesc foi pioneira na troca de sistemas e que fizeram comunicados alertando que não haveria qualquer prejuízo aos consumidores.

O que se observa, contudo, é que nada disso funcionou. A Intercel e a categoria alertavam, antes mesmo da mudança de sistemas, que haveria prejuízos à população. Os treinamentos foram insuficientes. O aplicativo e demais sistemas de autoatendimento ainda apresentam problemas. E as lojas lotadas mesmo após dez meses da mudança de sistemas provam que os comunicados à população foram insuficientes. O diretor Vitor e o gerente do projeto Cristiano apresentaram números de resoluções de problemas que parecem funcionar apenas nos gráficos. Elencaram uma série de atividades que já estariam resolvidas ou em processo de finalização, mas que, boa parte delas, na prática, seguem sem solução quando o consumidor se dirige até a loja.

Ao final da reunião, o deputado Mário Motta lembrou que, recentemente, houve uma manifestação dos trabalhadores da Celesc na Alesc e que era necessário dar uma satisfação a eles. De forma objetiva, fez três questionamentos: “Qual é a visão da direção da Celesc em relação ao número de servidores hoje? Há possibilidade de contratação – de reposição – de servidores que se aposentaram ou deixaram a empresa? E, finalmente, qual é a visão da atual diretoria da Celesc em relação à manutenção de uma empresa pública que tanto orgulha os catarinenses?” O presidente novamente mostrou a que veio: em relação à Celesc pública, disse que tem suas “convicções” pessoais, mas que segue aquilo que o governador Jorginho Mello (PL) e os acionistas definirem.

Tarcísio já deixou claro em entrevistas que entende que a privatização da empresa “é o caminho”, contrariando as diversas manifestações públicas do governador pela manutenção da Celesc pública. Tarcísio também omitiu sua passagem pela Amazonas Energia, que foi privatizada durante sua gestão. Ele citou suas passagens pela Eletrosul, Tractebel, Eletrobras, mas, por um lapso, esqueceu de citar que ajudou a privatizar uma companhia que vem enfrentando diversos problemas no Norte do país. Por fim, citou que entende não haver falta de pessoal na Celesc e que todas as saídas estariam sendo repostas – esquecendo de dizer que novas contratações estão sendo realizadas neste momento tão somente por conta de denúncia feita pelos sindicatos que compõem a Intercel junto ao Ministério Público do Trabalho.

A reunião da Comissão foi muito bem conduzida pelo deputado Mário Motta, que fez questionamentos pertinentes e conectados com a realidade vivida por consumidores e trabalhadores da Celesc. É uma pena que os representantes da empresa tenham fugido de diversas perguntas e, mais uma vez, estabelecido prazos que a categoria sabe que são impossíveis de serem cumpridos. Ao contrário da reunião de hoje, a audiência pública do dia 9 de abril na Alesc que debaterá a gestão da Celesc será aberta para questionamentos do público presente.

Fotos: Alesc

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